A questão da prostituição

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Publicada em 25/03/2014 às 00:13:00

Não é novidade pra ninguém. Moradores, transeuntes e até os turistas que se hospedam na Atalaia sabem que o principal cartão postal de Aracaju é também um dos maiores pontos de prostituição e tráfico de drogas da cidade. A anarquia não é privilégio do bairro. No Centro da capital sergipana, abandonado à própria sorte, é comum ver crianças tropeçando entre o vício e a exploração sexual madrugada a dentro. A polícia faz vista grossa e ouvidos de mercador.

O problema não é recente, há muito que vem provocando desconforto em moradores e donos de bares, restaurantes e hotéis das duas regiões, que assistem à desvalorização de seus imóveis de mãos atadas, já que não possuem meios, nem lhes compete, tapar os buracos da atuação policial. A Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP/SE) garante que trabalha diariamente na tentativa de evitar que os crimes ocorram, mas a experiência das ruas atesta que as viaturas da Polícia Militar, responsável pelo policiamento ostensivo, escolhem a dedo as ruas onde trafegam.

Uma das principais atribuições do aparato policial, em qualquer lugar do mundo, é justamente a prevenção de crimes. Para satisfazer tal intento, não há mistério nem passe de mágica. Desde que o braço armado do Estado não se submeta a uma convivência amistosa e viciada com a marginalidade, a presença ostensiva de seus agentes é suficiente para inibir os delitos criminosos. Rondas frequentes, postos policiais e abordagens justificadas. A população não espera mais do que o que é lícito.

certo que a prostituição de menores e o tráfico de drogas não são competência exclusiva da polícia. As nuances sociais desses delitos (crimes que muitas vezes respondem a uma conjuntura excludente) requisitam mesmo um olhar mais demorado e atencioso das autoridades. No entanto, não é naturalizando o absurdo que se enfrenta nenhum problema. Além dos incomodados em seu conforto sossego, as famílias trancafiadas em suas próprias casas, os olhos cegos das autoridades ferem também os mais vulneráveis. Como sempre.