O estrago Eduardo Campos

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Publicada em 28/03/2014 às 00:31:00

O Estado de Pernambuco foi o que mais se desenvolveu no Nordeste desde o governo Lula, que é natural de Caetés (PE). Como pernambucano, o então presidente viabilizou grandes empreendimentos para lá, a exemplo da duplicação da malha viária do Estado, fábricas de automóveis, uma refinaria de Petróleo, que foi disputada por outros Estados do Nordeste, inclusive Sergipe e Bahia.

Foi graças a investimentos como esses proporcionados pelo então presidente Lula, além de vários recursos do governo federal injetados no Estado, que Pernambuco passou de terceiro para primeiro polo do Nordeste. Essa ajuda do amigo e conterrâneo Lula fez com que Eduardo Campos se projetasse politicamente, sendo reeleito governador em 2010 com mais de 70% dos votos ainda no primeiro turno.
Após ter acordado com a vontade de ser presidente da República, Eduardo Campos se volta hoje contra o projeto político do seu benfeitor Lula. Faz parte da democracia o governador de Pernambuco desejar ser presidente do seu país.

O que não é correto é o preço a ser pago pela tentativa do neto de Miguel Arraes em querer concretizar esse sonho político: a ruptura com aliados de mais de uma década a nível nacional e complicando a vida dos correligionários nos Estados.
A nível nacional o presidenciável Eduardo Campos levou o PSB a romper com o governo da presidente Dilma Rousseff, que é do PT. Exigiu que as lideranças do partido entregassem todos os cargos na União, quando só faltava um ano para o final do governo Dilma.

Como se não bastasse, Campos obrigou os quatro senadores do PSB a assinar pedido de abertura da CPI da Petrobras no Senado sob pena de ir para a Comissão de Ética do partido. O PSB foi decisivo para conseguir as 28, das 27 assinaturas necessárias para a instalação da CPI.
O senador Valadares, que sempre foi um aliado do governo do PT no Planalto e em Sergipe, e, inclusive, integrou o Conselho Político da presidente, foi um dos quatro senadores do partido a assinar a CPI. Em Sergipe, o seu PSB, inclusive, indicou na chapa encabeçada por Marcelo Déda um candidato ao Senado e um candidato a vice-governador.

Diante das pressões de Campos, ontem o PSB de Sergipe oficializou a saída do governo aliado, que agora é do PMDB, com a entrega dos cargos na esfera estadual e federal.  Pode, inclusive, não apoiar a reeleição do governador Jackson Barreto (PMDB) que votou em Valadares três vezes para o Senado e coordenou a campanha do filho, o deputado federal Valadares Filho, para prefeito de Aracaju em 2012.
Por conta do projeto individual de Eduardo Campos, o partido pode até ir para o suicídio político em Sergipe, se o próprio Valadares quiser criar uma 3ª via para fortalecer o palanque de Campos no Estado, quando ele mesmo já deu declarações que o momento político não cabia uma 3ª via.

Veja essa...

Do governador Jackson Barreto (PMDB), durante desabafo ontem feito à imprensa:  "A oposição está fazendo o mesmo que fez quando foi votar o Proinveste. Eles humilharam Déda. Pioraram o estado de saúde dele com o atraso do Proinveste e agora estão fazendo com o povo. Tenho saúde para enfrentar a oposição, mas a saúde do Estado está precisando de recursos com urgência. Vou procurar o Ministério Público para mostrar o projeto".

Curtas

Esta semana, em Brasília, o presidente estadual do PSB Valadares Filho conversou com o prefeito Fábio Henrique (Socorro), presidente estadual do PDT, e com o prefeito Heleno Silva (PRB/Canindé). Discutiram as eleições.

De Valadares Filho ao ser questionado pela coluna de quem Belivaldo Chagas poderia ser vice nas eleições deste ano: "Pode até ser de Jackson Barreto".

No Rio Grande do Norte, o PSB pode fazer uma aliança com o PMDB e PT, que o presidenciável Eduardo Campos vem impondo que não haja aliança do seu partido com essas duas legendas.

Lá pode ser concretizada a chapa: governador - o presidente da Câmara Federal Henrique Alves (PMDB), vice-governador - a deputada federal Fátima Bezerra (PSB) e senador - a ex-governadora Vilma Farias (PT). Saindo essa chapa haverá precedentes.

Os nomes ventilados ontem para suceder Belivaldo Chagas na Educação eram o de Wellington Mangueira e Jorge Carvalho. Já para o Banese, Fernando Mota.