Agentes penitenciários do Santa Maria podem fazer greve

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 28/03/2014 às 00:33:00

Cândida Oliveira

Os 200 agentes penitenciários da Empesa Reviver, que administra o Complexo Penitenciário Antônio Jacinto Filho (COMPAJAF), localizado no bairro Santa Maria, em Aracaju, ameaçam paralisar as atividades a partir da próxima quarta-feira, dia 2, caso não sejam atendidos em suas reivindicações. Atualmente o Complexo possui em suas dependências 474 internos.

O dirigente do Sindicato dos Agentes Privados Penitenciários (SINTRADISPEN/SE) e diretor da Central Única dos Trabalhadores (CUT/SE), Antônio Luiz, contou que a categoria se reuniu em assembleia nos dias 25 e 26, quando decidiram pela paralisação de 24 horas e depois, greve geral. "Caso não haja avanço, na quarta-feira paramos o trabalho por um dia, na quinta tentaremos mais uma vez negociar as reivindicações, se não houver sucesso paramos por tempo indeterminado", alertou. O sindicato enviou ontem, quinta-feira, pela quarta vez apenas este ano, ofício solicitando uma reunião com os donos da Empresa Reviver.

Antônio relata que a pauta de reivindicações é extensa. "Queremos conversar com eles sobre o Acordo Coletivo de 2014, onde pedimos o pagamento da periculosidade de 30% que não recebemos, mas temos direito de acordo com a Lei 12.740/2003, regulamentada em dezembro de 2013, o não pagamento do ticket alimentação, de horas extras, descanso semanal remunerado e feriados trabalhados, além de alojamento para descanso digno e melhoria nas condições de segurança interna da unidade prisional. São direitos que temos e que já tentamos negociar, mais sem sucesso", detalhou o sindicalista.

Sejuc - O presidente do Sindicato contou também que na quarta-feira, dia 27, esteve conversando com a subsecretária da Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania, Luciana. "Ela nos atendeu e se prontificou em falar com a Reviver, mas antecipou que esse tipo de negociação deve ser entre os trabalhadores e a empresa, já que a mesma é privada", relatou Antônio.
Ele garantiu que irá notificar a Delegacia Regional do Trabalho por meio de ofício. "Vamos informar tudo que se passa entre os trabalhadores e a Reviver".

Outra reclamação da categoria é no tocante à demissão de um agente de Disciplina Penitenciária e da mudança de horário de outro agente, que apenas trabalhavam corretamente cumprindo rigorosamente a lei de execuções penais e por isso desagradaram os detentos. "Está havendo favorecimento de internos que pedem demissão e transferência de agentes e são atendidos pelo atual vice-diretor da Renascer, João Marcos, e o gerente operacional, Bosco". Antônio vai além e garante que há ameaça de rebelião. "Os internos chantageiam a direção com ameaças de rebelião, caso eles não sejam atendidos. Eles alegam que os agentes trabalham demais e eles querem regalias", denunciou.

As informações foram passadas para a direção da Sejuc. "Inclusive já avisamos que mesmo com 5 anos de existência o presídio tem cinco guaritas que não funcionam e algumas portas das celas estão danificadas porque não recebem manutenção adequada. Os internos estão dominando o presídio, o clima lá é tenso, aquilo é um barril de pólvora", garantiu o sindicalista.