Um presente de grego pra Diane Veloso

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Sem fingimento
Sem fingimento

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Publicada em 28/03/2014 às 00:35:00

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

27 de março, Dia Internacional do Teatro e do Circo, aniversário da atriz Diane Veloso. A moça comemorou do jeito que mais gosta - em cima do palco, na estreia de uma nova temporada do espetáculo 'O Natimorto' na Casa Rua da Cultura. Eu dou os parabéns atrasado e ainda apareço montado num cavalo de tróia: Cadê o disco d'A Banda dos Corações Partidos?

A rainha do drama - Muitos já se aproveitaram do fato de que Diane Velôso não é propriamente uma cantora, mas uma atriz que empresta seu talento dramático às composições da Banda dos Corações Partidos, para desdenhar o projeto. Pra mim, Diane dá conta do recado. E ponto final.
Eu ainda não havia me detido seriamente sobre a questão. A cada nova apresentação do conjunto, me hipnotizava a elegância dos elementos cênicos distribuídos pelo palco - normalmente, existe pelo menos uma garrafa de vinho e uma taça generosa aos pés de uma Diane completamente tomada pela música, transformada - e pela poesia peculiar de Alex Sant'anna, que constrói narrativas inteiras a partir de um vocabulário mínimo, muito apropriado às miudezas cotidianas sobre as quais o compositor se detém. Isso, até o dia em que li uma consideração deslocada, a respeito da extensão vocal de Diane.

Não existe fingimento na interpretação de Diane à frente da Banda dos Corações Partidos. Sua voz encarna os desencontros que pontuam o repertório do conjunto com a propriedade de quem já provou o amargo de um pileque solitário no balcão de um bar. Pouco importa, aqui, se a experiência foi vivenciada. A moça tira o sentimento de algum lugar.
A condenar, somente, a demora para registrar o trabalho d'A Banda dos Corações Partidos em um disco oficial. Com oito anos de estrada, público formado e reconhecimento atestado pelos diversos editais nos quais o conjunto foi contemplado, não existe desculpa para protelar o lançamento.