Sob o domínio do medo

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Publicada em 06/07/2012 às 14:50:00

Não somos medrosos, mas vivemos com medo. Pesquisa de opinião divulgada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revela que é alto o medo da violência no Brasil. Outro dado trazido à superfície dos números pelo documento explica a aparente contradição: o cidadão brasileiro não confia no aparato policial do Estado.

É sabido que para promover alguma alteração considerável no quadro observado hoje é preciso investir em ações integradas, que melhorem a qualidade de vida das camadas da população mais vulneráveis à pobreza.

Eleito como arma preferencial nesse combate, o policiamento ostensivo tem se mostrado insuficiente para dar conta da ansiedade coletiva, jogada de um lado pro outro, feito boneca de pano, ao sabor dos propósitos dos que encontraram no emprego da força bruta um atalho para a realização inconsequente das próprias vontades.

Fenômeno disseminado nas grandes cidades, a violência urbana é determinada por valores culturais, sociais, econômicos, políticos e morais. De forma mais específica, pode-se associá-la à desestrutura familiar e ao desemprego, por exemplo. No entanto, é preciso reconhecer que as desigualdades que ferem as feições da sociedade brasileira não explicam tudo. Hoje, a criminalidade não é uma preocupação restrita a esferas menos privilegiadas dos países em desenvolvimento. Interessa-nos, contudo, resolver o problema que pulou o muro e invadiu o quintal de nossas casas.

Enquanto o aparato policial do Estado se volta para os ladrões de galinhas - um trabalho de repressão que consiste na abordagem de pretos e pobres, rende artigos e reportagens em todos os veículos de comunicação, alimenta a indignação popular, mas não ataca as raízes sociais do problema - os bandidos realmente perigosos continuam tocando o terror, tirando o sono da gente.