Quem sabe faz a hora e não espera acontecer

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Publicada em 06/07/2012 às 14:50:00

* André Luiz Melo de Oliveira

Era este o refrão que embalava todo um movimento estudantil na luta pela democracia. Dizíamos não a ditadura que arrancava os nossos direitos, desde os básicos até o direito sagrado da vida. Aquela juventude sabia o que fazer, ir às ruas, protestar através das suas músicas e poesias, lutar por sua liberdade de pensar e agir,em suma, lutar por uma vida melhor.

Naquele momento histórico da nação o povo se rebelava contra um regime pífio que nos amordaçava diante de uma situação insustentável imposta pelos militares da ocasião. Não éramos passivos no momento que o país era escravo do egoísmo e da violência, consequências como estas ainda resultam em feridas abertas, mas, não foram o bastante para calar as vozes que ainda hoje clamam por justiça nos porões da ditadura.

Passado todo esse tempo temos vivido situações semelhantes, verdadeiras ditaduras disfarçadas de democracia têm negado ao nosso povo vários direitos e até tirado de forma arbitraria conquistas históricas, conseguidas com o suor e o sangue de quem sonhava com dias melhores. Mas o que realmente mudou de uns tempos pra cá foram as nossas atitudes, melhor dizendo, elas não mudaram, elas praticamente são inexistentes. Hoje o que vemos é um povo despreocupado com as causas políticas e sociais, não lembramos se quer em quem votamos nas ultimas eleições, somos incapazes de lutar pelos nossos direitos e não temos o mínimo interesse em saber o que acontece no cenário político do nosso país e de nossas cidades.

Este ambiente tem contribuído para que políticos sem nenhum compromisso com a sociedade estabeleçam vontades contrárias a ela, aproveitando-se de um regime democrático aonde um povo exerce o  poder apenas de maneira ideológica, pois, na realidade, quem exerce o poder e impõe as suas vontades é uma minoria social prestigiada pela despolitização de uma maioria.

Olhemos para o passado e seguindo o exemplo daqueles que realmente lutaram pela verdadeira democracia, teremos um país verdadeiramente democrático. Uma nação coberta pelo lençol da liberdade, liberdade de lutar, liberdade de se expressar, liberdade para nos libertarmos da nossa ignorância política.

André Luiz Melo de Oliveira é estudante de Jornalismo da UFS.