As próximas pesquisas

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Publicada em 06/07/2012 às 14:51:00

* Marcos Coimbra

Começa oficialmente a campanha para as eleições municipais de outubro. É o início efetivo do jogo, com o fim do prazo para o registro das candidaturas.

Na prática, a campanha já está em pleno andamento em quase todos os lugares. Nem os candidatos, nem os eleitores mais politizados ficam sentados esperando passar o tempo, obedecendo a uma burocrática interpretação de quando lhes é permitido agir como cidadãos.

Só os menos interessados (que são a maioria) e os alienados da vida política (que são muitos) deixam as coisas para os três meses finais.

O período que ora se encerra é ingrato para as pesquisas. Como muitos partidos retardam a definição de candidaturas e alianças para perto da data limite, são forçadas a usar questionários com múltiplas listas de nomes - criando hipóteses artificiais frente às quais os entrevistados são convidados a se manifestar, o que os cansa e lhes reduz a atenção.

Como se fizesse sentido, para uma pessoa comum, ser confrontada com dez (ou mais) listas de possíveis candidatos, para dizer, a cada vez, "em quem votaria se a eleição fosse hoje"!
Se a informação a respeito dos nomes que vão disputar a eleição fosse homogênea, o problema não iria além do aborrecimento pelo qual passam os desafortunados que caem nas amostras. Mas não é.

A maior complicação das pesquisas realizadas na fase de pré-campanha é a grande discrepância no nível de conhecimento dos candidatos.

Quem é ou já foi prefeito, quem disputou eleições majoritárias recentemente ou exerce uma profissão que assegure visibilidade - como radialistas e âncoras de programas de televisão - sempre se sai melhor. Candidatos novos - mesmo que vinculados a lideranças de prestígio na cidade - ficam atrás.

Isso conduz a vários tipos de incompreensão. Aqueles que preferem o candidato que está em vantagem acham que tudo está resolvido e que seu favorito vai ganhar. Os que torcem por outros nomes se frustram.
Ambos deveriam ter calma e aguardar que a informação sobre os contendores se torne mais semelhante. Só então as pesquisas adquirem maior capacidade preditiva.

Desta semana em diante, o cenário se esclarecerá. Saberemos os nomes dos candidatos a prefeito, seus vices, os partidos que se coligaram, os que não disputarão, como serão as chapas e quais os puxadores de voto nas eleições para as Câmaras de Vereadores.
Nas cidades onde não há propaganda eleitoral pela televisão, a difusão da informação tende a crescer linearmente, se intensificando, sem mudanças abruptas, à medida que nos aproximamos do pleito. Nas maiores, o processo é diferente.

Do dia 21 de agosto em diante, o eleitorado das capitais e das cidades onde existe geração de televisão é inundado de informação a respeito dos candidatos - especialmente os que disputam as prefeituras, que são os únicos com direito a usar as chamadas "inserções" (ou, como preferem os publicitários, os "comerciais" de campanha).

De um dia para o outro, os desconhecidos alcançam os conhecidos e todos ficam comparáveis nas pesquisas.
É claro que o conhecimento não é condição suficiente para garantir a competitividade de um candidato. Mas é necessário. Um desconhecido, mesmo que tenha ótimo perfil e propostas excelentes, será sempre inviável.

Daí a luta encarniçada pelo tempo de televisão que vimos nas últimas semanas, em diversas cidades. Minutos e segundos são preciosos e valem, muitas vezes, sacrifícios pesados - que todos os políticos estão dispostos a fazer.
Quanto às pesquisas, é quando o desconhecimento dos candidatos cai que conseguem antecipar, com mais precisão, o resultado das urnas.

* Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi