Sem nova mágica

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Quadro do artista sergipano Adauto Machado
Quadro do artista sergipano Adauto Machado

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Publicada em 30/03/2014 às 00:13:00

A assinatura do senador Valadares (PSB) ao requerimento que pede a convocação de uma CPI no Senado para apurar supostas irregularidades na Petrobras é surpreendente. Além de ter como primeiro suplente - por opção pessoal - o ex-presidente da Petrobras José Eduardo Dutra (PT), Valadares continua sendo um dos principais beneficiários do governo federal em Sergipe, mesmo depois que o seu partido entregou os cargos a presidente Dilma, a partir do lançamento da candidatura de Eduardo Campos a presidente.

O argumento de que foi obrigado pela direção nacional a assinar o requerimento de convocação da CPI, sob pena de representação ao Conselho de Ética do partido, é furado, já que não lhe faltariam contextos para justificar uma negativa. Assinou porque quis.

Na quinta-feira, dia seguinte ao gesto do pai em assinar a CPI, o deputado federal Valadares Filho, que preside o PSB sergipano em nome do senador, se reuniu com o governador Jackson Barreto (PMDB) para avisar que nesta segunda-feira os secretários Belivaldo Chagas (Educação), Maurício Pimentel (Esportes) e Élber Batalha (Turismo) entregam os cargos, em função da exigência de palanque próprio imposto por Eduardo Campos. Mas avisou que se o partido participasse da chapa majoritária de Jackson poderia manter a aliança estadual.

É uma contradição e tanto. Se em Brasília o pai Valadares não tem peito para se recusar a assinar um pedido de CPI para investigar a Petrobras, como é que em Sergipe o Valadares filho poderia insurgir contra Campos e continuar no palanque de Jackson, que prioriza o PT e a candidatura à reeleição da presidente Dilma? Ou o pai mente em suas explicações ou o filho joga para a plateia e quer enrolar Jackson.

Desde que o senador Valadares se desvinculou dos setores mais conservadores da política sergipana, em 1994, sempre foi beneficiário da força política representada por Marcelo Déda e Jackson Barreto. Foi assim que foi eleito senador, juntamente com Zé Eduardo, em 94 quando Jackson Barreto perdeu a eleição de governador no segundo turno para Albano Franco, e em 2002 e 2010 quando foi reeleito. Seu único voo isolado foi em 2000, quando resolveu disputar a Prefeitura de Aracaju e acabou num terceiro lugar, num pleito vencido por Déda  no primeiro turno.

O senador Valadares, é fato, foi contrário ao rompimento do PSB com o governo Dilma e também votou na executiva nacional do PSB para uma candidatura de Campos em 2018. Perdeu, mas não se afastou do governo petista, inclusive mantendo um de seus quadros mais importantes na superintendência estadual da Codevasf, órgão que poderia mudar as feições do Baixo São Francisco sergipano, não fosse a inércia de seus dirigentes.

No final do ano passado, quando Luciano Pimentel foi afastado da superintendência estadual da Caixa Econômica Federal por decurso de prazo, usou o fato para tentar afastar o governador Jackson Barreto do PT. Acusou abertamente os deputados petistas João Daniel e Rogério Carvalho de ingerências junto à direção nacional da Caixa para a saída de Pimentel, acusado de trocar verbas para casas por compromissos de votos para deputado estadual. Na época, o senador disse que o "PT de Déda" não era o PT dos dois deputados e propôs a JB uma aproximação com o prefeito João Alves Filho (DEM), isolando o PT da chapa majoritária.

Diante da negativa do governador, que quer a aliança com João, mas com o PT ao seu lado, o senador Valadares iniciou uma trajetória de vítima, como se estivesse sendo forçado a deixar o barco porque na chapa de JB não cabia o PSB. Jackson Barreto foi um dos patronos da candidatura de Valadares a governador de Sergipe, em 1986, e votou nele para senador em seus três mandatos, da mesma forma que foi um dos coordenadores da campanha de Valadares Filho a prefeito de Aracaju em 2010.
Ao assinar o requerimento para a criação da CPI da Petrobras, o senador Valadares mostrou completo engajamento à candidatura de Eduardo Campos e sinaliza que passou a acreditar na possibilidade de sua vitória contra Dilma e o PT. Em Sergipe, como há chances concretas da vitória de JB, ainda tenta manter espaço.

Monitorado pelo ex-deputado Pedrinho Valadares, Eduardo Campos não acredita no discurso de Valadares em montar um palanque duplo em Sergipe, como ocorreu em 2002 quando Antony Garotinho foi o candidato do PSB a presidente. O senador, que sempre foi um mágico político, parece ter ficado sem fantasias convincentes.

Assinaturas
Além de Valadares, os outros dois senadores sergipanos, Maria do Carmo Alves (DEM) e Eduardo Amorim (PSC), também assinaram o requerimento da CPI da Petrobras. Maria é da bancada de oposição, mas Amorim, da mesma forma que Valadares, sempre foi beneficiário do governo federal. Sua assinatura, no entanto, não surpreende. No ano passado ele votou conta o programa Mais Médicos na Comissão Especial do Congresso e depois mudou de opinião, quando pesquisas mostraram a aprovação do programa por eleitores mais pobres.

Conselheiro
Depois da surpreendente decisão do desembargador Ricardo Múcio, que suspendeu a sessão do Tribunal de Contas que confirmaria o afastamento do conselheiro Flávio Conceição, envolvido num esquema de corrupção da Construtora Gautama, sua defesa já pensa numa "absolvição total" do processo. Na quinta-feira, no entanto, o procurador-geral do Ministério Público de Contas, José Sérgio Monte Alegre, questionou as argumentações da assessoria jurídica do conselheiro aposentado Flávio Conceição, que levaram o desembargador a suspender a sessão.

Não é parte
Na sessão plenária do TCE ocorrida na quinta-feira, 27, o procurador-geral reforçou o entendimento - já manifestado pela Corte de Contas - de que o conselheiro afastado não é parte do processo da Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso), julgado regular pela Segunda Câmara do TCE no dia 26 de fevereiro, que trata do Contrato de Obras e Serviços nº. 110/2001, celebrado com a Construtora Gautama Ltda., objetivando a execução de obras na Adutora do São Francisco. "A argumentação colocada é de que o TCE não havia encontrado irregularidades no contrato entre a Deso e a Gautama, mas, sem adentrar no mérito da questão, eu registro que o contrato celebrado com a Deso em nada interfere com o Procedimento Administrativo Disciplinar instaurado pelo TCE", ressaltou o procurador-geral.

Lobista
Monte Alegre ressaltou que "em nenhum momento o Tribunal de Contas ou o STJ denunciou o conselheiro por ter fraudado licitação, por ter superfaturado o contrato, até porque o conselheiro não fazia parte da diretoria da Deso". O procurador afirmou ainda que as acusações que motivaram a instauração do PAD estão formalizadas por escrito no voto da ministra Eliana Calmon: "formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva e advocacia administrativa, ou seja, o conselheiro, segundo a ministra, antes e após sua investidura no cargo aqui no Tribunal, intercedia em favor de empresas, especialmente da Gautama, para favorecê-la na liberação de verbas públicas. Esta é a acusação que consta nos autos. Nada tem a ver com esse contrato julgado pela Segunda Câmara", concluiu.

Reavalia
O deputado estadual João Daniel (PT) está reavaliando a proposta de disputar mandato para a Câmara Federal nas eleições deste ano. Muitos de seus amigos já estariam comprometidos com outras candidaturas. Mas o presidente do PT, Rogério Carvalho, está confiante de que ele será mesmo candidato a deputado federal. "Seus votos são pulverizados em todo o Estado", justifica. Na sexta-feira, João Daniel se encontrou com o vereador Iran Barbosa, que também pretende disputar vaga para federal, tentando um acordo eleitoral.

Atrasado
Semana passada o prefeito João Alves Filho (DEM) repreendeu a filha Ana Maria por manifestar suas posições através das redes sociais. Sugeriu que ela deveria usar menos o Facebook, que ele não utiliza. João é um dos poucos políticos brasileiros que ainda não aderiu às redes sociais.

Pretendentes
O governador Jackson Barreto deve indicar apenas secretários interinos para as pastas de Educação, Esportes e Turismo que ficarão vagas a partir desta segunda-feira, com a entrega de cargos do PSB. Deve aguardar a decisão formal do partido sobre alianças a ser tomada no dia 13 de abril. Apesar das pressões de outros aliados para que afaste logo todos os indicados pelo senador Valadares.

Aposentado
O ex-governador Albano Franco voltou a afirmar a diversos interlocutores, nos últimos dias, que se aposentou mesmo da política partidária. Aliados vêm pressionando para que ele volte a disputar o senado, principalmente se for confirmada a desistência da senadora Maria do Carmo Alves (DEM), que pensa em disputar vaga para a Assembleia Legislativa. Albano garante que está focado apenas em ações empresariais, anunciadas na última sexta-feira durante visita do governador Jackson Barreto a sede da fábrica de laticínios Sabe, em Muribeca.