DOIS MÉDICOS QUE TROCAM HIPÓCRATES POR MAQUIAVEL

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Publicada em 30/03/2014 às 00:16:00

A presidente da Assembleia, Angélica Guimarães é médica, profissional da saúde bastante respeitada. O senador Eduardo Amorim é também médico, destaca-se na difícil especialidade de algologista, aquele que busca amenizar as dores de pacientes, entre eles os terminais. Familiares de tantos desesperançados doentes que tiveram dores suavizadas nos últimos dias de vida são unânimes em reconhecer a dedicação daquele médico. Quando o irmão do Dr. Eduardo, o homem de negócios inclusive eleitorais, Edivan Amorim, resolveu transformá-lo em político, elegendo-o deputado federal e agora senador da República , a medicina sergipana perdeu um excelente médico, e a vida pública não teve o ganho que se esperaria.  O médico, ao tornar-se político, foi capturado pela rede de interesses que o irmão manipula, onde não consta o que seria fundamental: O interesse público.

A doutora Angélica tem outra especialidade, trata de pequeninos, é pediatra, sabe, como ninguém, o que padecem famílias pobres quando buscam atendimento médico-hospitalar para as suas crianças.
Tanto a doutora Angélica, como o doutor Eduardo, parecem esquecidos do que é preciso fazer para que crianças tenham um atendimento de qualidade na rede pública da saúde, o mesmo em relação aos pacientes que padecem do martírio das dores atrozes.

Faz seis meses o governador enviou à Assembleia um pedido de autorização para contrair empréstimo de cem milhões de dólares, quase 250 milhões de reais, o chamado PROREDES, recursos externos que irão ser aplicados em tudo o que for necessário para equipar e modernizar a rede publica de saúde.
O governador Jackson Barreto, a sua equipe técnica, os parlamentares, sabem muito bem o tempo que foi consumido, os esforços, para vencer obstáculos e tornar possível a obtenção de recursos, indispensáveis, caso se queira algo melhor do que é hoje a saúde em Sergipe.

Quando enfim os recursos estão disponíveis, e é necessária a autorização do Legislativo, repete-se a sabotagem, a mesma mesquinharia que aconteceu em relação ao PROINVESTE. Todos os estados brasileiros já começavam a receber os recursos do PROINVESTE, menos Sergipe. Então, o governador Marcelo Déda, nos seus últimos meses de vida, exauriu-se numa extenuante maratona, visando convencer Edivan Amorim a liberar os deputados que lhe obedecem, para que eles votassem, outra vez, o projeto que no ano anterior havia sido negado.

Agora, a situação é bem mais grave. A sabotagem não se faz para impedir a construção de estradas, de pontes, de esgotamento sanitário, de abastecimento de água. A coisa é bem pior. Pratica-se um crime, impedindo-se que o Hospital do Câncer seja construído no tempo previsto, que se instalem equipamentos nos hospitais, nos postos de saúde, que se equipe melhor o SAMU.  Muita gente pobre vai sofrer, vai morrer nos próximos anos porque o atendimento médico hospitalar em Sergipe ficará pior, e os grandes culpados por tudo isso, paradoxalmente, serão dois médicos: Angélica Guimarães e Eduardo Amorim.  Por que eles assumem esse comportamento absurdo, desumano, cruel, insensível?  A obsessão de alguém que não hesita em fazer qualquer tipo de jogo sujo, desleal, mesquinho, rasteiro, desde que seus objetivos sejam alcançados, é a explicação evidente para que dois bons médicos, por conta da política, fiquem, um, o senador, a repetir aquela cantilena enfadonha e insubsistente de que Sergipe vai afundar-se em dividas.

Como se financiamentos fossem feitos apenas pela vontade de um governador, sem a avaliação abalizada do Ministério da Fazenda, do Banco Central, de órgãos que rigorosamente fiscalizam a saúde financeira dos estados.    Por sua vez, a médica conceituada Angélica, parece esquecer-se de Sergipe, do seu pobre município Japoatã, onde o prefeito Gilmarcos enfrenta graves problemas na saúde, e Angélica submete-se a Edivan, enquanto mantiver trancada a sua gaveta, usando para isso as chaves equivocadas de um desatinado ¨projeto político¨ onde os fins justificam os meios, por mais absurdos que sejam.  Na gaveta fechada, há seis meses está esquecido o pedido de autorização feito pelo governo do estado. O que a doutora Angélica precisaria como presidente do Legislativo fazer? Apenas, retirar um papel da gaveta e determinar ao primeiro secretário que dele faça a leitura, dando conhecimento do seu teor aos deputados, e assim possa começar o ritual da analise e da votação do projeto. A atitude da presidente, além de antidemocrática, é vergonhosa para o Legislativo, palco de uma chantagem, com os deputados sendo impedidos de analisar e votar um projeto porque a doutora Angélica teria recebido ordens externas para que a votação não se realize.

Isso é um comportamento que fere os princípios da médica zelosa que sempre foi Angélica, e é acintosamente desrespeitoso, tanto ao povo como às nossas tradições de civilidade.  Em consequência, os deputados ficam refém de uma mesquinharia que poderá desmoralizá-los perante a sociedade sergipana, e fica humilhada e subalterna a Casa do Povo, na qual registram-se divergências e embates, mas, onde nunca deixou de prevalecer o interesse publico .

O senador Amorim, algologista, e a deputada Angélica, pediatra, trocam os ensinamentos humanistas de Hipócrates, pai da medicina, e adotam o jogo bruto da guerra pelo poder, seguindo a esperteza cruel de Maquiavel , para que se faça a vontade do Príncipe.  No caso, o Príncipe se chama Edivan.
E onde ficam, nessa novela malfadada, os interesses de dois milhões e duzentos mil sergipanos? É bom que eles, Angélica e Eduardo, doutores hipocráticos e políticos agora maquiavélicos, não esqueçam que na Florença do fim da Idade Média, onde viveu o pensador que ensinava príncipes a conquistar e a permanecer no poder, não havia duas coisas: voto livre e opinião pública.