FAZ CINQUENTA ANOS AMANHÃ OU NO DIA PRIMEIRO DE ABRIL?

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Publicada em 30/03/2014 às 00:16:00

Foi para uns a Revolução redentora e gloriosa de 31 de Março de 1964. Para outros, foi o golpe militar de primeiro de abril. Divergem ainda hoje, meio século depois, as versões de vencedores e derrotados. Na verdade não houve vencedores nem derrotados. Perderam todos. E seria bom que agora, passados 50 anos, os dois lados entendessem bem porque ambos saíram perdendo.

Mas não será possível ainda chegar a esse entendimento. Terá de ser obra para as próximas gerações, quando protagonistas de 64 não estiverem mais vivos, (já são aliás muito poucos) e seus descendentes não guardarem lembranças dos sofrimentos dos antepassados, seja pelas marcas de perseguições e violências, seja pelo inconformismo de não terem sido reconhecidos como heróis e salvadores da pátria ,retirada das ¨garras do comunismo¨. E o comunismo nem mais existe. É peça de museu em Cuba, ou virtual enfeite para amenizar a face brutal de uma China que adotou a religião do lucro.

Perderam as ilusões os que imaginavam poder construir um mundo novo por meio da violência das revoluções populares, mas isso só aconteceu depois, quando não restou pedra sobre pedra no demolido Muro de Berlim, e Stalin deixara de ser ¨o guia genial dos povos¨ e exposta a face cruel que o assemelhava a Hitler.

Perderam a dignidade os que acharam que torturando e matando, eliminavam os ¨traidores da pátria agentes de um inimigo externo¨ e levaram o aparato do Estado para as masmorras, misturando-o com a escória de tipos como o delegado Sérgio Paranhos Fleury, e a essa escória tanto homenagearam, com medalhas que deveriam somente ornar o peito de heróis, como aqueles, que foram aos campos de batalha italianos. Saíram supostamente vitoriosos, mas perderam, porque se desonraram, e continuam perdendo, porque publicamente não reconhecem o erro, e teimam em não pedir desculpas à Nação.

5O anos depois, persistem essas questões, que somente serão definitivamente superadas, quando de um lado for reconhecido que não existem ¨salvações¨ feitas à baioneta, e do outro, que não há mundos novos e homens novos, construídos a custa de rajadas dos fuzis Kalaschnikov.
Sem o culto firme e inarredável ao roteiro da democracia, que costuma ser tortuoso e as vezes decepcionante, não há outros caminhos ou atalhos para que as sociedades humanas possam existir livres, e com liberdade construírem as arquiteturas sociais que a elas melhor se adaptem.