Moradores do povoado Pedreiras permanecem mobilizados

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Publicada em 04/04/2014 às 00:49:00

Já passa de 40 horas o impasse entre moradores do Povoado Pedreiras, município de São Cristóvão, e a direção da Petrobras em Sergipe. Dizendo-se cansada pela falta de qualificação dos acessos terrestres e da constante precariedade na saúde, as famílias permanecem bloqueando a principal via de acesso das carretas que transportam minérios para a unidade industrial que fica instalada na quarta cidade mais antiga do Brasil. Sem acordo oficializado para a reforma da via e demais pleitos dos moradores, a perspectiva é que o fluxo de veículos permaneça inviabilizado por tempo indeterminado. Funcionários da Petrobras que chegaram à empresa antes da manifestação iniciar permanecem impossibilitados de retornar a Aracaju com os respectivos automóveis.

Conforme cálculos das associações de moradores, em parcerias com variadas categorias profissionais, seriam necessários quatro milhões e 600 mil reais para a reforma total da pista e indenização dos habitantes que tiveram a estrutura das casas danificadas em virtude do amplo movimento de carretas carregadas de produto mineral. Estes veículos chegam a pesar até 70 toneladas e estariam contribuindo para a formação de rachaduras em paredes e pisos. Para o líder comunitário Rafael Oliveira, é inadmissível que a população continue sendo prejudicada em virtude de interesses econômicos que não são repassados para a população sancristovense.

Segundo o denunciante, a administração pública tem contribuído para o retrocesso local. "Digo isso porque desde o ano passado que a gente vem promovendo manifestação com a fé que esses desejos comunitários serão atendidos, mas a prefeita Rivanda Batalha parece que não está interessada em atender aos desejos do povo que ajudou a ela sair vitoriosa nas urnas", declarou.
No início da tarde de ontem os ocupantes da via reabasteciam a barreira de fogo quando se depararam com representantes da Petrobras a fim de negociar a desobstrução da pista. A proposta era liberar a estrada enquanto um grupo de moradores se dirigia até a sede estadual da quarta maior estatal do mundo com o propósito de articular o início da revitalização. A proposta foi 'derrubada'.
"Atuamos assim porque nesses 45 anos de Petrobras aqui no nosso povoado outras propostas dessa foram prometidas e nada mudou, nenhum progresso saiu do papel. Todos nós estamos insatisfeitos com a prefeitura e principalmente com a Petrobras que é imensamente rica. Sem acordo oficializado não existem possibilidades de deixarmos a rodovia", afirmou o taxista Robério Correia de Andrade.
Para a manhã de hoje, a perspectiva é que uma comissão de gestores da Prefeitura de São Cristóvão e da própria estatal se dirijam até o Povoado Pedreiras com o objetivo de oficializar um novo acordo. Essa visita estaria confirmada para as 10h, mas diante do histórico negativo de acordos, os moradores tendem a desconfiar da proposta.
"São 45 anos, e não 45 dias. Só acreditaremos nessa reforma e valorização do povo sergipano quando o documento oficial for assinado por todos e que possa nos assegurar judicialmente", pontuou Robério. Diante da problemática, as associações fizeram uma pesquisa informal e chegaram a conclusão que 13 famílias deixaram a região por não suportar a falta de qualificação pública principalmente na assistência do Sistema Único de Saúde (SUS). Já os moradores que insistem em permanecer residindo nos povoados próximos a indústria estatal, mais de 90% já apresentaram alguma doença ocasionada pela poeira e resto de produtos químicos arremessados das carretas.

Resposta - Após a publicação da matéria referente ao início do protesto, na edição de ontem, a Petrobras, através da Unidade de Operações de Produção e Exploração - UO-SE/AL, procurou o Jornal do Dia e esclareceu que: "No mês de março recebeu da Secretaria de Infraestrutura do Estado de Sergipe, o projeto para a recuperação da estrada do povoado de Pedreiras. Conforme procedimentos, foi realizada, no dia 20 de março, uma reunião na Sede da Petrobras, com membros da comunidade de Pedreiras, entre outras do entorno, para avaliar os pontos críticos das reivindicações, e dar encaminhamento ao processo. Na mesma reunião, ficou acordado que a Petrobras ficaria responsável em marcar outra reunião com as presenças do Governo do Estado, Prefeitura Municipal de São Cristóvão, representantes da Petrobras e membros das comunidades. A reunião está sendo marcada para próxima semana, sem dia ainda definido, quando será oficializado o apoio da empresa ao projeto".