Dia do fico 2

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 05/04/2014 às 00:51:00

O prefeito João Alves Filho (DEM) agiu com coerência e bom senso ao decidir permanecer no comando da Prefeitura de Aracaju. Ao anunciar ontem essa sua decisão, durante entrevista coletiva à imprensa, JAF realmente confirmou o seu compromisso com Aracaju, uma vez que foi eleito prefeito em 2012, ainda no primeiro turno, como aquele que seria a solução para os problemas da capital até pela sua experiência administrativa de governador e de ministro.

João teve a consciência de que fez muito pouco por Aracaju nesses 15 meses de gestão e que não seria coerente nem sensato politicamente deixar a prefeitura com apenas um ano de mandato para concorrer ao governo. Sabe que o povo não entenderia pelo fato de não ter conseguido cumprir suas promessas de campanha e de acreditar que fez da prefeitura um trampolim para tentar ser governador de Sergipe pela quarta vez.

Como o próprio prefeito disse ontem, essa decisão não foi fácil. Principalmente porque lidera todas as pesquisas de intenções de votos para disputar o governo e havia uma vontade dos amigos, e até pressão de alguns aliados, para ser candidato. Sem falar do seu sonho em ser governador do Estado pela quarta vez.

Essa posição de João em ficar na prefeitura não agradou muito aos aliados que ganhariam com a sua candidatura ao governo, mas agradou muito aos dois pré-candidatos a governador: Jackson Barreto (PMDB) e Eduardo Amorim (PSC). Os dois sonham com o seu apoio nas eleições deste ano, assim como o senador Valadares (PSB), que já anunciou que pode ser candidato para fortalecer o palanque do presidenciável Eduardo Campos em Sergipe.

É certo que o líder do DEM em Sergipe ganhou ponto junto ao eleitorado ao permanecer prefeito, por não ter sido afetado pela ambição e, principalmente, por cumprir com a palavra de que concluiria o seu mandato para poder resolver os problemas de Aracaju relacionados à saúde e a mobilidade urbana. Sem falar que ia ter que se explicar muito para a população aracajuana.

Com a decisão de JAF, o cenário da sucessão estadual fica mais claro. Isso porque um concorrente forte deixa de ser candidato, ficando os dois pré-candidatos Jackson e Amorim, com o senador Valadares correndo por fora. Ou seja, o quadro muda totalmente.
Agora, encerrada essa novela de João fica ou João sai da prefeitura, vai começar uma outra: quem João apoiará? Façam suas apostas ...

Dilema
Na entrevista coletiva que concedeu ontem à imprensa, o prefeito João Alves Filho (DEM) admitiu que uma das coisas mais difíceis da sua vida política foi decidir se permanecia prefeito ou renunciava para disputar o governo. Confessou que todos os dias orava para Deus para lhe proporcionar duas coisas: sabedoria e bom senso . "Acho que estou em paz com esses dois parâmetros. Deus, como sempre, nunca me faltou", declarou.

O peso 1
Revelou que dedicou os 40 anos da sua vida pública a serviço do povo sergipano e de Aracaju, a terra onde nasceu, e que por isso ficou dividido. "Agi de acordo com a minha consciência. Nunca abandonei uma luta enquanto não conclui. Não quero ficar com o peso de ter assumido um compromisso e não ter cumprido. Prometi melhorar a saúde e a mobilidade urbana. Por isso ficarei o tempo necessário para que possa cumprir em 100% os compromissos assumidos por Aracaju", frisou.

O peso 2
Segundo João Alves, a harmonia familiar pesou muito para tomar a decisão de permanecer prefeito. Mas o fator decisivo foi ele não querer quebrar a tradição da sua vida pública de cumprir compromissos. "Se deixasse a prefeitura, sairia com a consciência pesada por não resolver problemas graves da saúde. Vou resolver, se Deus quiser", acredita.

Apelo
Reafirmando que contrariaria a sua vida pública se deixasse a prefeitura, João apelou para que os amigos e aliados compreendessem a sua posição. "Renunciando agora à prefeitura ia parecer que estava abandonando o barco. Não sou homem de abandonar o barco", afirmou, ao olhar para o vice-prefeito José Carlos Machado (PSDB) e dizer que queria muito bem a ele, mas não poderia deixar a prefeitura.

Reconhecimento
Na coletiva que concedeu a imprensa, João Alves falou da sua relação de "bom irmão" com Machado. Disse que uma das coisas que pesou muito foi que gostaria de ter Machado como prefeito de Aracaju. Ressaltou que nesse período de definição, o seu vice teve uma "atitude nobre" ao não fazer pressão em momento algum para que renunciasse ao mandato.

Mais na frente
De João Alves, ao ser questionado quem vai apoiar nas eleições deste ano para governador, já que não será candidato: "Eu aprendi na Bíblia que cada dia com sua agonia. Resolvemos agora uma questão crucial para Aracaju. Tomarei a decisão com o mesmo objetivo: o melhor para Sergipe. Só não sei quando, mas temos tempo para o debate com os candidatos. O clima é de paz. São três candidatos. Vai pesar o melhor para Sergipe".

Por Sergipe
Ao ser questionado se o DEM vai pleitear a vice na chapa majoritária, João disse que a cada dia resolverá as dificuldades visualizadas. "Não estou preocupado com cargos, mas com o bem de Sergipe", garantiu.

Senado
Indagado se a senadora Maria do Carmo Alves (DEM) vai disputar a reeleição, o prefeito disse que ainda vai discutir isso com ela. "Maria tem personalidade forte. É ela quem vai decidir, mas gostaria que fosse candidata ao Senado".

Unanimidade
familiar
Maria do Carmo admitiu ontem que ela e os três filhos foram contrários a João Alves deixar a prefeitura. Disse que o entendimento é de que ele precisa primeiro consolidar o que prometeu na campanha e, feito isso, decidir o que tiver vontade de fazer.

Candidato
Com a decisão de João Alves em permanecer prefeito de Aracaju, o vice Machado disse ontem que vai ver a possibilidade de concorrer às eleições deste ano diante da legislação permitir que o vice dispute qualquer mandato sem renunciar. "De zero a 10 a possibilidade é de nove para eu ser candidato. Posso ser candidato a deputado federal, estadual, senador e até governador. Só que para governador, dependerá do agrupamento".

Primeira medida
Já ontem, como manda a legislação eleitoral, Machado se afastou dos conselhos administrativos do município para que possa ficar habilitado a disputar um mandato eletivo. Ele deve ser candidato a deputado estadual, no bloco liderado pelos irmãos Amorim.

Bem concorrida
O auditório da CDL ficou pequeno para a quantidade de lideranças políticas e imprensa que compareceu para a entrevista coletiva de João Alves. O prefeito chegou acompanhado da mulher, a senadora Maria do Carmo, e da filha Ana Alves. Ainda entre os presentes José Carlos Machado, o presidente da Câmara Vinícius Porto (DEM), vários vereadores e secretários municipais.
Operado
O genro de João Alves, o deputado federal Mendonça Prado (DEM), que defende o apoio do seu partido ao governador Jackson Barreto, não compareceu a coletiva do sogro. É que na manhã de ontem se submeteu a uma cirurgia para retirada de três lipomas benignos.

ProRedes
Do governador Jackson Barreto (PMDB), ontem, à coluna, ao ser questionado como viu a decisão do prefeito João Alves: "A minha agonia não é João Alves sair nem ficar, mas com o dinheiro para a saúde. É preciso entender que após análise de uma crise que ia se aprofundar na saúde enviamos em agosto do ano passado, para a Assembleia, o ProRedes, mas o Amorim pressiona para ele não tramitar".

Indignação 1
Disse ainda JB: "Amorim diz que não é para aprovar o projeto da saúde para não melhorar para Jackson Barreto. Não melhora para mim não porque não estou doente, mas melhora a saúde do povo que está precisando. Fico triste por ser essa a posição de dois médicos (Angélica Guimarães e Eduardo Amorim)".

Indignação 2
Agora, segundo Jackson, com a decisão do desembargador Ricardo Múcio em conceder liminar obrigando a Assembleia a votar o ProRedes, a presidente Angélica Guimarães (PSC) "se esconde" para não ser notificada pela Justiça e ser obrigada a votar o projeto, pelo fato de acabar na segunda-feira o prazo para aprovação na Assembleia. "Ela (Angélica) quer até desrespeitar o Poder Judiciário".  

Unanimidade 1
Após muita polêmica, os deputados estaduais aprovaram ontem, em sessão extraordinária, os Planos de Cargos e Salários dos Servidores Públicos encaminhados à Assembleia pelo Poder Executivo. Os projetos serão sancionados na próxima segunda-feira pelo governador Jackson Barreto e publicados no Diário Oficial do Estado da terça-feira.

Unanimidade
Os planos foram aprovados por unanimidade para as categorias da saúde, engenheiros e administração pública, diante de uma galeria cheia de servidores. A única ausência no plenário foi do deputado estadual Zé Franco (PDT).

Detran
Ao invés do ex-prefeito Orlandinho Andrade (Canindé do São Francisco), o sobrinho de Bosco Costa, Humberto Costa, pode sucedê-lo na presidência do Detran. Bosco deixou ontem o cargo para disputar mandato de deputado federal nas eleições deste ano.

De volta
Quem também se desincompatibilizou da secretária municipal de Cultura foi o vereador Nitinho (DEM). Ele reassume na segunda-feira o mandato na Câmara e disputará eleição de deputado estadual. 

Veja essa...
Informações chegadas à coluna dão conta que a presidente Angélica Guimarães (PSC), já na expectativa da chegada de oficiais de Justiça para notificá-la da decisão do desembargador Ricardo Múcio de que tinha de discutir e votar na sessão de ontem o ProRedes, orientou funcionários que assim que chegassem à Casa fossem conduzidos até o seu gabinete, no 7º andar, e a informassem. Tão logo isso aconteceu, Angélica saiu pela garagem da Assembleia para evitar a notificação. Ela também não foi para casa para não ser encontrada.

Curtas
Jackson Barreto encaminhou ontem, ao ministro Celso Amorim (Defesa), um ofício pedindo para incluir o 28º Batalhão de Caçadores de Sergipe na relação dos centros de torturas durante a ditadura militar, em dependências militares, que serão investigados nos próximos 30 dias pelas Forças Armadas.

No ofício, o governador explica que nas dependências do 28º BC se desenrolou uma das páginas mais dramáticas da história política de Sergipe, escrita com a prisão, estupro, tortura e cegueira de militantes de esquerda de Sergipe. Tudo sob o comando do general Fiúza de Castro, da 6ª Região Militar.
Entre os sergipanos vitimados pela ditadura militar o ex-vereador Marcélio Bomfim e Milton Coelho, que inclusive ficou cego, após as torturas.

Jackson, inclusive, pediu uma audiência com o ministro Celso Amorim para discutir a questão.   

Tão logo João Alves anunciou que permaneceria prefeito de Aracaju, o palanque do governador Jackson Barreto ontem de manhã em Dores, Cumbe e Feira Nova, para o lançamento de obras, se encheu de prefeitos. Foram mais de 15.