JOÃO ALVES DIZ AO POVO QUE FICA

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Publicada em 07/04/2014 às 09:22:00

João Alves atravessa o tempo sem perder o aguçado tino político. Já havia avaliado as consequências de um afastamento da Prefeitura, apenas cumprido um ano e três meses de mandato, mas, resolveu fazer suspense. E o fez de forma magistral, trazendo para o cotidiano político a arte do mestre Alfred Hitchocok, que sabia manter siderada uma plateia numa sala de cinema. No caso, a plateia de João foi o mundo político e, mais amplamente, as dezenas de milhares de sergipanos que acompanharam desde o inicio a novela, o vai não vai encenado pelo prefeito de Aracaju, que, na indecisão, enxergou habilidosamente a dúvida que seria catalizadora das atenções populares, e assim, montou o seu bem sucedido marketing.
João valorizou a decisão, tornou-se por todos esses meses o centro das atenções, foi paparicado pelos políticos, virou tema de conversas e motivo para apostas. Na undécima hora convocou uma entrevista coletiva e todas as mídias sergipanas lá estavam, centenas de milhares de sergipanos o ouviram falar ao vivo, expor suas razões, os motivos que o induziam a ficar. Ao fim soltou a informação esperada de que não deixaria a Prefeitura para candidatar-se ao governo.  Guardou a revelação para as derradeiras palavras do discurso que não foi alongado, e fez isso no momento em que o rádio tem a maior audiência. Conseguiu o que mais desejava, o que, aliás, mais desejam os políticos inteligentes: uma imensa e atenta plateia a lhe ouvir, a participar e a tomar posição sobre as vantagens ou desvantagens da decisão que iria anunciar.
João sabe o exato valor da comunicação, e é isso que, tanto tempo depois do primeiro mandato o mantem politicamente vivo, e bem vivo. Por isso, a sua influencia no processo eleitoral deste ano torna-se fundamental.
Sob todos os ângulos em que se analise a decisão do prefeito de Aracaju, desde que nelas não entrem interesses eleitorais específicos, e por acaso contrariados, fica evidente que a opção foi a mais acertada, e a que também era a mais desejada pela população sergipana, mais ainda, pelos eleitores aracajuanos, que deram a João um mandato de 4 anos, com a certeza de que ele o cumpriria integralmente. O ¨diga ao povo que fico¨ pode ser traduzido razoavelmente também, assim: ¨diga ao povo que eu quero um segundo mandato na Prefeitura de Aracaju¨. Com a decisão de ontem, o significado implícito da mensagem ganhou forte consistência.
O deputado federal Mendonça Prado, genro de João e acérrimo adversário dos Amorim, aos quais classifica repetidas vezes, e publicamente, como ¨chefes de quadrilha¨, torna-se o nome mais viável, e certamente mais disputado, para uma chapa onde figure como vice-governador.