A HISTÓRIA QUE LOURIVAL GUARDOU E ATÉ ESQUECEU

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Publicada em 07/04/2014 às 09:23:00

Lourival Baptista foi um político extremamente loquaz. Tinha prazer imenso em conversar, sabia prender a atenção dos interlocutores narrando episódios sempre pitorescos da vida pública, dos quais ele fora participante, mas, apesar do gosto pela palavra, sabia como ninguém manter-se calado e introspectivo nos momentos em que falar poderia ser desnecessário ou inconveniente. Tinha também a rara qualidade de guardar segredos. Recebeu, no tumultuado episódio da sucessão do general-presidente Castelo Branco, a incumbência de ir a Paris convencer o amigo Bilac Pinto, então embaixador na França, a tornar-se candidato civil à presidência, uma ilusão de Castelo num processo que já lhe fugira das mãos, e era decidido nos quarteis. Ninguém soube da viagem a não ser 3 meses depois quando o general Costa e Silva já estava escolhido, e com raiva de Lourival.
Baptista era muito amigo de Lourival Fontes, sergipano que foi poderosíssimo durante a ditadura do Estado Novo, depois, chefe da Casa Civil no governo constitucional de Getúlio (1952-1954) e foi também senador por Sergipe. Já perto da morte, Fontes entregou a Lourival uma grande caixa de papelão lacrada, disse-lhe que ali estavam importantes documentos da República, pediu-lhe que os guardasse, para abri-los somente quando transcorridos 50 anos. Baptista guardou zelosamente a caixa de segredos de Estado, nunca revelou a posse a ninguém. Passaram os 5O anos, Lourival, doente, talvez se tenha esquecido da preciosidade que lhe fora confiada. Depois da sua morte, seus filhos, procurando organizar a enorme papelada, encontraram a caixa e tiveram a surpresa, manuseando mais de 700 bilhetes trocados entre o presidente Getulio Vargas e o seu chefe da Casa Civil. O médico Francisco Baptista, filho mais velho de Lourival, levou os documentos à neta de Getúlio, a pesquisadora Celina Vargas do Amaral Peixoto. Os bilhetes foram por ela considerados documentos extremamente valiosos. Classificados, contextualizados, agora devem se publicados em livro. A iniciativa será do Conselheiro Carlos Pinna, presidente do Tribunal de Contas, que, com a edição, quer também abrir as comemorações pelo centenário de Lourival Baptista, no próximo ano, patrocinadas pelo Tribunal de Contas, criado por ele quando governador. Carlos Pinna, enxergando o valor histórico dos documentos, foi expor o projeto ao governador Jackson Barreto. Jackson imediatamente apoiou a iniciativa, e garantiu a participação do estado. O professor Jorge Carvalho, presidente da SEGRASE e da editora do Diário Oficial, teve uma primeira reunião com Carlos Pinna para tratar do assunto. No final deste mês ou começo de maio, Celina, a neta de Getúlio, virá a Aracaju, e com os filhos de Lourival farão a entrega dos documentos ao governador Jackson Barreto e ao Conselheiro Carlos Pinna.