ANCHIETA, O SANTO RECENSEADOR

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 15/04/2014 às 11:38:00

O padre José de Anchieta, nascido espanhol, é novo santo do Brasil. Maior país católico, o Brasil é injustiçado em matéria de santidades locais. Nossos escassos santos são apenas abrasileirados. Por muito tempo, a Europa, velho centro do mundo e do catolicismo, teve quase o exclusivo privilégio de possuir santos. O Vaticano, no vácuo de um poder central forte, tinha o Papa a submeter em nome da fé os senhores feudais e os reis enfraquecidos, depois, começou a abençoar e legitimar monarcas absolutistas, sagrados representantes do poder temporal de Deus na terra, fórmula mais cômoda do que administrar choques entre barões feudais bem armados e a realeza. E começaram a surgir os santos protetores em cada segmento da sociedade estratificada. Naquele tempo, Anchieta, descendo aos trópicos para misturar-se com a indiada em missão evangelizadora, não poderia imaginar que fosse merecer a santidade, ainda mais, quando se sabia que as índias, no dizer do escrivão Caminha, andavam desnudas a exibir ¨suas vergonhas¨, e os calores tropicais estimulavam a lascividade.
É bom lembrar que Anchieta poderia ser o santo padroeiro dos recenseadores. Ele foi, na Terra de Santa Cruz, o primeiro a contar a população que aumentara muito desde a descoberta. Em 1584 estimou em 57 mil almas os habitantes do Brasil, sendo 25 mil ¨brancos da terra¨, isto é, filhos de portugueses com índias, 18 mil índios e 14 mil negros. A população total indígena era desconhecida.