Preparação de campanha

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Morte e Ressurreição de Jesus,  painel de Leonardo Alencar na Igreja São José
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Publicada em 22/04/2014 às 01:24:00

A decisão do prefeito João Alves Filho (DEM) em não disputar a eleição para governador do Estado serviu para amornar o clima pré-eleitoral. Partidários do governador Jackson Barreto (PMDB) e do senador Eduardo Amorim (PSC) relaxaram e aguardam as convenções partidárias para o início da campanha propriamente dita.
A falta de decisão do prefeito parece não interferir nas campanhas, até porque com o provável lançamento da candidatura do senador Valadares (PSB) a eleição deverá ser levada para o segundo turno, o que não ocorre em Sergipe desde 2002, quando João Alves enfrentou o então senador José Eduardo Dutra (PT).
Quanto mais o prefeito de Aracaju demora a anunciar a sua posição nas eleições, mais o seu grupo fica dividido e perde preponderância eleitoral. O simples gesto de João Alves em anunciar se seria ou não candidato a governador, em 4 de abril, já dividiu naturalmente o seu eleitorado entre JB e Amorim. Se esperar as convenções partidárias, que podem ser realizadas entre 10 e 30 de junho, João Alves terá ao seu lado apenas a sua mulher, senadora Maria do Carmo, e o genro, deputado federal Mendonça Prado. Candidatos a deputado estadual e a deputado federal estarão mais preocupados na montagem dos arranjos partidários que possam assegurar seus mandatos, independente da posição a respeito da chapa majoritária.
A nível nacional, o DEM hoje representa muito pouco e pode ser a última eleição que o partido dispute antes da fusão com outras legendas de direita. Possui apenas 56 segundos de tempo na TV. Em Sergipe a força é pessoal de João e Maria que estão na legenda desde a sua criação, em 1983 com o nome de PFL. A primeira eleição de João para governador, em 1982, foi pelo PDS, sucedâneo da Arena.
Da mesma forma que Valadares passou a enfrentar dificuldades a partir da candidatura de Eduardo Campos a presidente da República, o PSC de Amorim decidiu lançar a candidatura do pastor Everaldo, que hoje aparece com 2% nas pesquisas. O senador, no entanto, parece não levar muito a sério a candidatura do pastor, tanto que ao tentar o apoio do PSDB promete apoio a candidatura do senador Aécio Neves. O mesmo diz a respeito de Eduardo Campos para tentar evitar a candidatura de Valadares a governador.
Nesse aspecto, Jackson tem uma situação confortável. O PMDB possui uma aliança nacional com o PT e deve manter o atual vice-presidente Michel Temer como companheiro de chapa da presidente Dilma. Em Sergipe, o PT deverá indicar o deputado federal Rogério Carvalho como candidato a senador. Jackson definirá o seu candidato a vice-governador, que, em caso do apoio do DEM, deverá ser o deputado federal Mendonça Prado. Caso João Alves opte por outro caminho, o governador deverá buscar um candidato a vice entre os partidos aliados.
Espaço na TV hoje não é mais uma preocupação de Jackson. Com a manutenção da aliança com os atuais partidos ele já dispõe de quase 10 minutos para a propaganda eleitoral (ver quadro). Por enquanto, seu adversário possui em torno de 4 minutos, tempo satisfatório para uma boa campanha. Como governador, Jackson tem muito a mostrar já que sua campanha será uma espécie de balanço das realizações desde o primeiro governo Marcelo Déda, em 2007. Já Amorim tentará continuar fazendo uma desconstrução do governo, vendo apenas defeitos e fazendo propostas mirabolantes e inexequíveis para a realidade financeira do Estado.
Até o final de junho, as campanhas seguirão em banho-maria, com um ou outro fato mais relevante. Hoje nem mesmo a confirmação de uma eventual candidatura de Valadares a governador ou a opção do prefeito João Aves são mais importantes. O processo eleitoral se dará mesmo entre JB e Amorim.

Avaliação
N última quarta-feira, Jackson teve uma demorada reunião com o presidente estadual do PT, deputado Rogério Carvalho. Estão acertando detalhes da campanha eleitoral. Rogério nega que o PT esteja exigindo novos cargos no governo. "O PT está se preparando para o processo eleitoral e já está representado no governo. Jackson é quem tem que conciliar a campanha com a administração do Estado", entende.
Resistência
Rogério garante que são pouquíssimas as resistências de aliados a sua candidatura ao Senado e considera superficial uma suposta crise em função da candidatura do deputado estadual João Daniel a deputado federal. "O PT vai apresentar quatro candidatos a deputado federal - além de João, Márcio Macêdo e os vereadores de Aracaju Iran Barbosa e Dr. Emerson -, enquanto os partidos aliados devem apresentar, cada um, apenas um nome. Quem pode ter maior prejuízo é o próprio PT, já que seus votos serão divididos entre os quatro candidatos, não os aliados" argumenta.

 Natural
Rogério explica que a candidatura de João Daniel a deputado federal atende a pleitos de lideranças tradicionais do PT, a partir do momento em que foi confirmada a sua candidatura ao Senado. Segundo ele, as lideranças que apoiaram a sua candidatura em 2010 se dividiram entre João e Márcio Macêdo. "Fo um movimento natural e legítimo", opina.
Muita conversa
Jackson Barreto continua conversando com dirigentes de partidos que ainda não se definiram para as eleições de governador. Considera viável a aliança com o prefeito João Alves Filho e ainda acha possível um entendimento com o senador Valadares. Nos últimos dias passou a pleitear também um entendimento com o PDT, agora liderado pelo prefeito de Nossa Senhora do Socorro, Fábio Henrique, que até agora era considerado como aliado do senador Amorim.
Ritmo
O governador mantém um ritmo acelerado e pretende inaugurar e autorizar obras até o último dia permitido pelo calendário eleitoral brasileiro. Na última segunda-feira, em Lagarto, conseguiu reunir em seu palanque praticamente todas as lideranças importantes do município.  

Chapa
Valadares só deverá ser candidato a governador se receber o apoio do DEM do prefeito João Alves. Oferece as vagas ao Senado e de vice-governador. O PCdoB que nos últimos meses mantinha uma aproximação com o senador já se recompôs com Jackson Barreto.

Surpresa
Durante os feriados da semana santa, através das redes sociais, o senador Valadares disse que não está parado e que prepara uma surpresa para as eleições de outubro. "Quantas vezes tivemos que esperar! Enquanto esperamos não deixamos de agir, pois enquanto esperamos preparamos ação e surpresa. Então, dependendo da conjuntura, ou das circunstâncias, será melhor conjugar o verbo esperar".

Divididos
Esta poderá ser a primeira eleição em que o prefeito João Alves e o vice-prefeito José Carlos Machado (PSDB) estarão em palanques diferentes. Enquanto Machado já anunciou que pretende apoiar a candidatura de Amorim, João caminha para um acordo com Jackson.

Edvaldo
O ex-prefeito Edvaldo Nogueira diz que mantém a sua pré-candidatura ao Senado e mira o PT como principal adversário. Curiosamente, em 2004 o PT apoiou a sua candidatura a vice-prefeito de Aracaju, em 2008 bancou a sua candidatura a prefeito. Em 2010, como prefeito, viu Déda perder para João Alves na capital e, em 2012, impôs a candidatura de Valadares Filho à sua sucessão, forçando um recuo do PT diante da ameaça de rompimento. Amargou nova derrota em seu único 'reduto' eleitoral.

Proredes
Apesar da ordem judicial e da aprovação do requerimento de urgência proposto pelo deputado Francisco Gualberto, o projeto que pede autorização para contratar empréstimo de R$ 250 milhões para o financiamento da saúde, segue tramitando lentamente. Os deputados controlados pela família Amorim não querem a aprovação do projeto por beneficiar o governo Jackson Barreto, mas como 14 deputados já avisaram que são a favor, vão acabar aprovando por unanimidade.

Um parto
Só pra lembrar: o projeto passou oito meses na gaveta da presidente, deputada Angélica Guimarães (PSC), e só saiu depois que o governo conseguiu decisão judicial determinando a sua tramitação.

Luto
Poucas horas depois da morte do escritor colombiano Gabriel Garcia Márquez, na Cidade do México, na última sexta-feira foi anunciada em Aracaju a morte de Santo Souza, considerado o maior poeta sergipano. Um detalhe: antes mesmo do enterro de Santo Souza dois candidatos à sua vaga na Academia Sergipana de Letras já estavam pedindo votos.