Recomendações aos brasileiros sobre os turistas na Copa

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Publicada em 18/05/2014 às 00:36:00

* Emir Sader
www.cartamaior.com.br

O brasileiro é conhecido por sua simpatia e amabilidade com todo mundo, inclusive com os turistas. Mas é preciso tomar precauções quando nos preparamos para recebemos grande quantidade de turistas, munidos de preconceitos, clichês, taras, etc. Vamos recebê-los com a hospitalidade de sempre, mas temos que levar em conta certas normas, baseadas na nossa experiência de tratamento com os turistas, mas também em  conhecimento de coisas que acontecem hoje no mundo e que nos obriga a ficarmos muito alertas com os turistas, especialmente os da Europa, dos EUA e de outras regiões do mundo que se consideram superiores aos outros, "civilizados" que vem a um país "bárbaro".
São gente em geral com boa disposição com o Brasil mas que, colocando pra fora algumas taras pessoais, alimentando preconceitos e clichês, podem se tornar pessoas sumamente perigosas, violentas, sob o efeito do álcool, de drogas e outros estupefacientes.
Vai ser um momento mudo bom, mas também muito cheio de provas para nós, brasileiros. Podemos ter certeza de que sairemos bem dessa circunstância, mas para isso temos que obedecer a certas normas e comportamentos.
1. Muitos turistas, especialmente vindos de alguns países da Europa, já contratam em agências de turismo, programas de turismo sexual, inclusive de pedofilia. Vamos ser muito duros com eles, nos mantermos vigilantes, denunciarmos suas atitudes, acompanharmos os procedimentos policiais e garantirmos que eles sejam punidos exemplarmente aqui mesmo.
2. Muitos turistas acham que vivem aqui no paraíso das drogas, que podem consumir o que bem entenderem, entrar em contato com traficantes e aviõezinhos, fumar e cheirar o que bem entendam. Devemos cuidar para que depois não venham denunciar que caíram em algum golpe de forma inocente.
3. Muitos torcedores - especialmente europeus - costumam se comportar de maneira preconceituosa e desrespeitosa com pessoas que julgam de menor nível de vida e, especialmente, de outras etnias. Os europeus desenvolveram, ao longo da sua história, uma concepção de que "negro serve para ser escravo", para trabalhar como raça inferior para que eles se enriquecessem. Até hoje, muitos ainda consideram os negros uma raça inferior. Por isso que grita ofensas aos jogadores negros nos campos de futebol, jogam bananas para alguns deles.
 Devemos estar muito vigilantes com esses comportamentos estúpidos de alguns turistas. Discriminação aqui é crime inafiançável, previsto na Constituição. Por lá eles tendem a ser condescendentes com esse tipo de comportamento, porque é o sentimento que grande parte deles tem em relação aos imigrantes, por exemplo, fazendo com que a força política que mais cresça lá seja a extrema direita, que ataca fortemente os direitos dos imigrantes e os discrimina fortemente, desejando expulsá-los dos seus países.
4. Muitos turistas vem de países em que a mídia e mesmo meios governamentais os preparam para vir encontrar um caldeirão de conflitos e violências por aqui. Acreditam que podem ser assaltados a cada esquina, que vão encontrar macacos, cobras, em cada rua, que não podem sair à noite pelas ruas. Que, ao contrário do que Lula propalou pelo mundo afora, a miséria, a pobreza, o desemprego, só aumentam, há uma crise social prestes a explodir.
5. Na Europa em particular, os níveis de desemprego são altíssimos. Em países como a Espanha, Portugal, Grecia, mais do que 50% dos jovens são desempregados, há anos. Eles não estão acostumados mais a situações de pleno emprego. Podem estranhar. Não tem um líder popular como o Lula. Podem estranhar. Ainda mais se lerem os jornais, lembrarem do que leram nos seus países, podem achar que há um Estado policial que impede as pessoas a se manifestarem por emprego, por salário, por licença desemprego. Podem se comportar de maneira estranha.
Em suma, a Copa pode ser um momento difícil para os brasileiros, tendo que aguentar muita gente sem a mínima educação, achando que são os "civilizados", se achando os "democratas", sem saber conviver com pessoas diferentes em étnicas em comportamentos, em valores. Mas acho que vamos sobreviver, com nossa hospitalidade, nosso costuma de conviver com gente diferente, nossa forma bem humorada de levar adiante os problemas, de gozar os "gringos" que vierem metidos a besta.

* Emir Sader é sociólogo e escritor