Álvaro Villela lança livro no PMOC

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Caras e bocas no Carnaval de Maragojipe
Caras e bocas no Carnaval de Maragojipe

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Publicada em 28/05/2014 às 00:11:00

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

A beleza e o colorido das máscaras e o segredos dos caretas do Carnaval de Maragojipe são revelados nas imagens que o fotógrafo Álvaro Villela reúne no livro 'Careta, quem é você?', que será lançado nesta quarta-feira, 28, a partir das 19 horas, no Palácio Museu Olímpio Campos. Com tiragem de 2.000 exemplares, o livro reúne 108 registros realizados de 2006 a 2012, durante o famoso Carnaval promovido na cidade do recôncavo baiano.

Não é a primeira vez que Álvaro coloca a experiência de suas lentes a disposição da curiosidade dos sergipanos. Em 2005, o fotógrafo nos visitou com a exposição "A Cuba dos cubanos". Naquela oportunidade, um estagiário atrevido lhe propôs uma entrevista na redação do Jornal do Dia. Ele não se fez de rogado, como o leitor pode conferir abaixo.

Jornal do Dia - Como foi que você percebeu as possibilidades artísticas que poderia extrair da fotografia? Você já lidava profissionalmente com esse suporte quando realizou suas primeiras experiências artísticas?

Álvaro Villela - Os anos 80, pra mim, foram marcados por uma intensa atividade política ao lado dos movimentos populares e democráticos, tempo de conquistar os espaços políticos que temos hoje. Foi quando em 86 assisti ao filme "Sob fogo cerrado", que trata do trabalho de um fotógrafo de um grande jornal americano, que foi cobrir a guerra entre os revolucionários Sandinistas e o exército de Somoza, na Nicarágua. Ao perceber como as fotos estariam sendo manipuladas por interesses claramente anti-revolucionários, o fotógrafo tomou partido pelos sandinistas e começou deliberadamente a construir uma narrativa visual pró-revolucionária. Naquele momento, tive a exata noção da contundência da linguagem não verbal.

Jornal do Dia - Existe alguma espécie de conflito entra a atividade fotográfica na publicidade e no desenvolvimento de projetos pessoais? Como é possível conjugar essas duas vertentes?

Álvaro - No que pese a fotografia publicitária ser uma atividade feita por encomenda, quase sempre o fotógrafo recebe um layout com pouca margem para criar, há sempre a possibilidade de sermos autorais através da manipulação da luz. Já no desenvolvimento de projetos pessoais, é o discurso do fotógrafo, através de uma narrativa visual sobre o tema escolhido, que estará sendo apreciado pelas pessoas. Portanto, acho que a fotografia autoral contribui para um exercício cotidiano de descondicionamento do olhar, elevando assim, as possibilidades para o fotógrafo realizar uma foto de encomenda, como a publicitária, em um nível mais alto.

Jornal do Dia - Os acenos do Estado têm respondido às urgências do mercado criativo? É fácil encontrar apoio dos órgãos responsáveis pelo fomento da Cultura no Brasil e, em especial, no Nordeste?

Álvaro - É verdade que o apoio do estado estará sempre aquém das nossas necessidades. No entanto, não posso deixar de reconhecer o incentivo ao desenvolvimento cultural do país que o governo federal vem dando através de empresas como a Petrobrás, Eletrobrás, Banco do Brasil, CEF, CHESF, entre outras. Posso, inclusive, destacar o patrocínio que a CHESF vem me dando para o desenvolvimento do projeto de um livro de fotografias sobre a natureza humana do Raso da Catarina. Trabalho que já iniciei, e tenho oito meses para concluir. Portanto, quero concluir dizendo que mesmo que parcos, os recursos existem. Cabe ao artista descobrir os mecanismos necessários para viabilizar os seus projetos.

Em salvador, onde moro, existe o "Faz Cultura", no que pesem as críticas, muitas vezes justas, que possam existir, o projeto do governo do estado incentiva e viabiliza uma série de projetos e iniciativas de artistas de diversas linguagens. No plano nacional, existe a Lei Rouanet. Que também, é um instrumento que pode possibilitar a realização de projetos. Por outro lado, cabe à iniciativa privada perceber a importância de associar a sua marca a projetos fotográficos, como exposições, pesquisas, livros que estejam contribuindo para elevar a auto-estima do seu povo.

Jornal do Dia - Você pretende realizar outras exposições em Sergipe? Que projetos relacionados ao Estado você desenvolve atualmente? Quais suas expectativas em relação ao público sergipano?

Álvaro - Claro que sim! Tenho um carinho especial por Sergipe, particularmente por Aracaju. Sou de Salvador, mas vivi muito tempo em Aracaju, e me orgulho de falar que comecei minha carreira como fotógrafo aqui. Hoje, quando meu trabalho começa a ser reconhecido nacionalmente, vir a Aracaju, trazendo esta exposição, me enche de orgulho ao dividir com o público sergipano o resultado do meu trabalho.

Tenho vários projetos para Sergipe. O que posso falar... é o Livro de imagens de Sergipe chamado "Paralelo 11". O nome do livro alude à localização geográfica de Aracaju na cartografia do território brasileiro. Este livro reúne 100 fotografias feitas ao longo da minha passagem por este estado. São imagens feitas entre os anos de 1994 e 2005, reunidas em 04 eixos temáticos: O imaginário da cidade;  O homem e a natureza em diálogo; A busca pelas raízes ancestrais; Eu vejo, tu sonhas. Trata-se portanto, de uma documentação que pontua a paisagem física e humana de Sergipe. O livro está pronto, precisa apenas de patrocínio para ser publicado.