O que mudou nas pesquisas

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Publicada em 29/05/2014 às 00:16:00

* Rômulo Rodrigues

Logo em seguida ao noticiado nos Blogs - que já batem em audiência a mídia tradicional - de que foi proposta do seminário do final de Março, patrocinado pelo J.P. Morgan Bank, uma Metodologia de pesquisa que produzisse uma queda nas intenções de votos na Presidenta Dilma, os engajados institutos de pesquisas tipo Sensus e Datafolha caíram em campo com aplicações de questionários que enfocavam o noticiário sobre a Petrobras e associando a pergunta com a intenção de voto à Presidenta Dilma e substituindo o consagrado "Disco" por uma lista por ordem alfabética cujo primeiro nome era o de Aécio Neves.
Os resultados obtidos nas pesquisas foram compatíveis com a Metodologia empregada e apontaram quedas na preferência de Dilma e subidas nas de Aécio e Eduardo Campos, chegando a diagnosticar um segundo turno na eleição de outubro próximo, acompanhadas de orquestrados aparatos de massificação dos resultados como já estava combinado entre os Institutos e os Barões da Imprensa.
O Partido Midiático, co-patrocinador da fraude, fez a festa e massificou as notícias como o fim da era Lula-Dilma e do petismo.
Os defensores da volta do neoliberalismo, com desemprego em massa, quebradeira de pequenas e micros empresas, fim dos programas sociais, fim das cotas nas universidades, do Pronatec, do Prouni, do pleno emprego e do Brasil influenciando na agenda política mundial iniciaram uma corrida às importadoras para reservarem seus pedidos dos melhores vinhos, dos melhores whisques e das melhores champanhes para as devidas comemorações após a previsível e esperada vitória nas urnas.
Todos sabiam que os resultados eram uma maquiação da realidade mas o que interessava era contaminar a classe média durante o fogo cruzado sobre a compra de uma refinaria nos Estados Unidos mas, o objetivo era confundir a opinião pública com as notícias da opinião publicada dando conta de uma queda de Dilma e a conseqüente subida de Aécio e Eduardo Campos seguindo o mesmo roteiro de campanhas anteriores em que manipularam, descaradamente, resultados de pesquisas e de manifestações populares.
Como aconteceu em junho passado a resposta firme do pronunciamento da Presidente Dilma na véspera do primeiro de maio seguido das vinhetas da propaganda eleitoral do partido fazendo comparações entre o Brasil do neoliberalismo e o do desenvolvimento com geração de pleno emprego e aumento da renda do trabalhador, de imediato surtiram efeitos e a tática deles não deu os resultados esperados.
Mais uma vez ficou comprovada a aliança entre os tucanos, o partido midiático e o da justiça e logo as inserções do PT nos rádios e nas televisões foram suspensas, e os Partidos de oposição entraram com as costumeiras denúncias contra Dilma no PSTF, na tentativa de ganharem o jogo no tapetão deixando claro o tamanho da frente oposicionista que Dilma vai enfrentar esse ano.
Mas, como quem morre de véspera é peru, logo a farsa foi ficando evidente e um dos institutos engajados, o Ibope, volta à metodologia tradicional e a pesquisa da semana passada já indica uma recuperação de Dilma e queda dos outros dois concorrentes.
Como na política as coisas não acontecem por acaso, a recuperação da Presidenta coincide com a saturação da campanha difamatória contra a Petrobras e o que resta agora é a falsa ofensiva ética conservadora, os já manjados programas matinais dirigidos ao público feminino, apresentados por mulheres que ganham mais de um milhão e meio de Reais por mês, falando de descontrole inflacionário para aterrorizar donas de casa e os comentários negativos sobre o crescimento econômico.
Nesse contexto todo, em que os conservadores querem de volta o pertencimento do Estado, soa estranho que os veiculadores do terrorismo midiático sejam concessões públicas e que os maiores patrocinadores dos seus programas sejam a Petrobras, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e os Correios.
Parece estranho, e é.

* Rômulo Rodrigues é militante político