Vereador diz que médicos trocam plantões por motéis

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Publicada em 29/05/2014 às 00:20:00

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) voltaram a criticar a conduta profissional de alguns médicos que atuam nas principais unidades de saúde do Estado de Sergipe. Pacientes e familiares afirmam que, atualmente, a escala médica que deveria ser preenchida pelos profissionais em um período de 12 horas está sendo efetivamente cumprida em apenas três horas, o que tem contribuído para os alegados problemas de falta de assistência. Diante das queixas, integrantes do Ministério Público Estadual (MPE) e parlamentares fazem fiscalizações para apurar as denúncias. Ontem de manhã, o vereador Agamenon Sobral (PP) falou sobre a situação na Câmara Municipal de Aracaju (CMA), de onde disparou mais uma de suas frases polêmicas.
Ele disse textualmente que alguns médicos estariam "deixando o Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) para ir em motéis e apenas retornando no final do plantão". O vereador sustenta o que diz em informações ouvidas nas reuniões que vêm articulando nos últimos meses com associações de bairro e líderes sindicais. "Enganam-se aqueles que acham que essa história do motel não tem fundamento. Quem me passa esse tipo de denúncia são as pessoas que necessitam de um atendimento médico e quando chegam no Huse ou Nestor Piva, por exemplo, se deparam com a falta de médicos que eram para estar trabalhando", declarou.
O parlamentar relata que, na escala diária de plantão do Huse, quatro médicos são pautados para trabalhar 12 horas, mas estariam se dividindo em quatro equipes onde cada uma trabalha três horas, completando assim, as horas 12 horas previstas. Em nova visita ao maior hospital do estado, por volta das 9h de ontem, Agamenon disse ter identificado o caos no setor de Oncologia, definido por ele como "um cemitério".
Dizendo-se 'preocupado' com a atual situação da saúde pública na capital sergipana, o vereador garante que ações judiciais ou punições por parte dos governantes podem contribuir para que este tipo de problema seja solucionado. "É preciso que o Ministério Público investigue mais detalhadamente essa situação e ajuíze uma Ação Civil Pública (ACP). Além dos problemas constantes como a falta de insumos e condições de trabalho, alguns dos profissionais estão descumprindo o horário de trabalho e ninguém faz nada", pontuou.

Resposta - Pelo Sindicato dos Médicos de Sergipe (Sindimed), foi dito que a conduta médica deve ser investigada pela direção das unidades de saúde e pelos órgãos competentes de fiscalização. Em entrevista ao JORNAL DO DIA, o diretor da entidade Luiz Carlos Spina lamentou a possível irregularidade, mas exigiu que o vereador denunciante apresente provas das declarações que ele vem fazendo na tribuna e na imprensa. "Essa atitude não condiz em nada com a atitude legal e profissional dos médicos, se realmente essa irregularidade for comprovada pelo Agamenon Sobral, ou se houver denúncias no Ministério Público cabe aos órgãos competentes a punir estes profissionais conforme previsto na constituição trabalhista", disse.
Sobre a realização de apurações por parte do sindicato e conversas com os profissionais plantonistas, Spina alegou que esse assunto já foi declarado pela direção do Sindimed há alguns meses e que não existe mais a perspectiva de debate interno. Para ele, o problema inicial está na ausência de uma administração pública de qualidade em todas as unidades estaduais e municipais de saúde. "Nesse caso já não é apenas problema dos médicos faltosos, e sim dos gestores que demonstram desenvolver claramente a improbidade administrativa. Orientamos os nossos colegas, mas não temos poder de puni-los", pontuou.
Até o início da noite de ontem, os nomes dos médicos que estariam desobedecendo a escala de plantão não foram divulgados. As direções do Huse e da UPA Nestor Piva não foram encontradas para comentar o assunto.