LAURO CORONA

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O ATOR, DE BAIXA ESTATURA, ERA BONITO  COMO UM DEUS-MENINO
O ATOR, DE BAIXA ESTATURA, ERA BONITO COMO UM DEUS-MENINO

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Publicada em 17/06/2014 às 00:59:00

Lauro Del Corona nasceu no Rio de Janeiro, em 6 de julho de 1957, em Copacabana. Filho do cantor André Luís e Maria Alice, tinha uma irmã, Luciana que, como ele, também foi modelo fotográfico. Lauro começou a trabalhar aos 15 anos, como vendedor de roupas, no balcão da confecção de sua mãe. Sua primeira imagem na TV foi veiculando comerciais até que, de tanto fazê-los, acabou chamando a atenção do meio artístico, que logo o convidou para fazer teatro infantil. Seu trabalho sensibilizou Ziembinski e Paulo José, que o chamou para o especial "Ciranda, Cirandinha", mais adiante transformado em seriado. Ao especial seguiu-se "Dancin'Days" novela em que formaria com Glória Pires uma dupla que se repeteria em outros folhetins globais.O trabalho em comum gerou uma sólida amizade, a ponto de os dois se considerarem autênticos irmãos.

1982 registrou a estreia de Laurinho no cinema, com "O Sonho não Acabou", de Sérgio Rezende, atuando ao lado de Lucélia Santos. O longa discutia a juventude que viveu aos anos seguintes ao 1964, ano em que aconteceu o segundo golpe militar no Brasil (o primeiro teria sido a Proclamação da República), de triste memória. Incursionava pela música e gravou o tema do filme, "Não Vivo Sem Meu Rock", incentivado pelo autor da letra, Paulo de Castro. O disco deu certo e a EMI-Odeon o contrataria mais adiante para um outro tema musical da fita, "Tem Que Provar", logo incorporado à trilha sonora de outra novela, da qual também participou, mais uma vez ao lado de Glória Pires,"Louco Amor", como Lipe. Daí saltou para Gil, de "Elas por Elas".
Com o sucesso na TV e nos discos, Lauro foi designado pela Globo para apresentar dois programas musicais: "Cometa Loucura" e "Globo de Ouro". O rock sempre esteve presente na vida do ator-cantor e ele mandou bem no filme "Bete Balanço", de Leal Rodrigues, cuja música-tema era defendida por Cazuza, então band-leader da banda Barão Vermelho. Em seguida, atuou em "Corpo a Corpo" e nos primeiros capítulos de "Vereda Tropical". No ano seguinte, reapareceria em um dos seus trabalhos mais elogiados, o gigolô Mariano, de "Memórias de Gigolô", junto com Bruna Lombardi. Lauro realizou seus dois últimos trabalhos na TV, com a competência de sempre: "Direito de Amar" e "Vida Nova", seu canto de cisne.

Os problemas de saúde de Lauro Corona começaram quando ele ainda estava gravando "Vida Nova", em fevereiro de 1988. Ficou dez dias sem gravar e, junto com o seu afastamento, surgiram os primeiros comentários de que o ator estaria com Aids. Logo, ele se recuperou e voltou a gravar suas cenas, vivendo o personagem Manoel Victor, o que foi uma surpresa para o público, pois o ator apresentava sinais visíveis de debilidade física. Mais magro, com acentuada queda de cabelo e muito abatido, ele deu continuidade ao trabalho, mas sua participação na novela foi diminuída para que pudesse se recuperar.

Terminadas as gravações da novela, o ator aproveitou para descansar e cuidar da saúde. Chegou a ser visto, mais tarde, na festa de entrega do Prêmio Sharp, acompanhado pela irmã, bem disposto e alegre, mas não voltou a fazer planos sobre possível volta às novelas ou ao cinema. No dia 12 de junho de 1988, ele foi internado na Clínica São Vicente (Rio), por estar com febre alta. Por medida de precaução a família decidiu interná-lo, mas se negava a dar informações detalhadas sobre o seu estado clínico, insistindo que o problema do jovem ator não era grave. Na tarde do dia 17, no entanto, ele foi transferido para a UTI do hospital, em estado grave, vindo a falecer na madrugada do dia 20 de julho de 1988.
De nada adiantou lutar contra a morte em tempo de vida nova. Esta, traiçoeiramente, ceifou de forma prematura a vida do menino bonito e talentoso. Como poucos.   
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(Resumo do capítulo 64 do meu livro inédito, "101 Ícones do Cinema que Nunca Sairão de Cena")