Sargento Edgar: "Samuel perdeu meu voto e da minha família"

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Sargento Edgar diz que vai disputar vaga para a Assembleia Legislativa
Sargento Edgar diz que vai disputar vaga para a Assembleia Legislativa

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Publicada em 22/06/2014 às 00:03:00

Decidido a colocar seu nome à disposição de um partido político para disputar mandato de deputado estadual na eleição deste ano, o sargento PM Edgard Menezes garante que sua representação diante dos policiais e bombeiros militares o credencia ao pleito. Por enquanto, por causa da legislação eleitoral referente aos militares, ele está sem partido político, mas provavelmente seu destino será o PMN.
"Entre outras coisas, irei focar (o mandato, caso eleito) na minha categoria, sem esquecer que serei deputado do povo sergipano, mas como político classista é muito normal e estarei sempre à frente das lutas pertinentes aos policiais e bombeiros militares", garante Edgard.

Ele entrou na Polícia Militar de Sergipe em 1991, tendo sido aprovado em concurso público. Em 1997 foi aprovado no concurso interno para sargento. Em 2005 fez o Curso de Aperfeiçoamento de Sargentos, e em 2007 foi promovido a graduação de 1º sargento, na qual se encontra atualmente.

O sargento Edgard já trabalhou na Cptran, Cprv, Rádio Patrulha, Polícia de Fronteiras, Gati, DPM de Tobias Barreto, e atualmente está lotado na 3ª Cia do 1º Bpm, situada no conjunto Leite Neto, em Aracaju. Leia a seguir a entrevista feita para o Jornal do Dia na qual ele fala sobre o deputado capitão Samuel, sobre o sargento Vieira e sobre a realidade da PM na atualidade.

Jornal do Dia - O senhor já diz abertamente à sociedade que pretende concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa este ano. Isso é pra valer? Já tem algum partido em vista?
Edgard Menezes - É pra valer. Meu trabalho ao longo dos anos, representando os policiais e bombeiros militares, me credenciou a colocar meu nome para apreciação.
 
JD - Na eleição de 2010 os militares sergipanos se uniram como nunca antes em torno de uma candidatura a deputado estadual e conseguiram êxito. Essa estratégia pode se repetir, agora tendo o senhor como candidato?
EM - 2010 foi um ano atípico para nós militares. Havíamos sido desrespeitados pelo governo Marcelo Déda, isso causou um clima de revolta na categoria, com isso a união em torno de um nome para deputado estadual se transformou em uma obrigação. 2014 é diferente, mas acredito que irei me sair bem, tanto na tropa quanto na sociedade civil.
 
JD - Por que exatamente tanta decepção dos militares com o mandato do Capitão Samuel?
EM - Talvez tenhamos criado muita expectativa em torno do mandato de Samuel, talvez Samuel não tenha se esforçado, então prefiro que a tropa o julgue no dia 05 de outubro. Uma coisa é certa, o meu voto e da minha família ele perdeu, pois sou pré-candidato.
 
JD - Caso seja candidato e também seja eleito à AL, o que o senhor faria de diferente em relação ao mandato de Samuel?
EM - Entre outras coisas, irei focar na minha categoria, sem esquecer que serei deputado do povo sergipano, mas como político classista é muito normal e estarei sempre à frente das lutas pertinentes aos policiais e bombeiros militares. Também pretendo criar um núcleo de assistência social e jurídica, especialmente para acompanhar a tropa militar.
 
JD - O que está acontecendo com o sargento Vieira, que era um dos mais combatentes na política de valorização dos militares, e agora anda quieto?
EM - Realmente, não sei explicar, mas prefiro lembrar dele como um companheiro de muitas batalhas contra o sistema. Não serei incoerente e tecer comentários depreciativos contra alguém que esteve muito tempo ao meu lado.
 
JD - A Amese sempre vê equívocos na condução do comando da PM. O que de fato incomoda a tropa no que diz respeito ao exercício das funções?
EM - Na verdade o problema está na legislação militar, porém entendemos que quem comanda é um ser humano, e como tal deveria agir de acordo com os princípios da cidadania. Infelizmente os gestores militares tratam a tropa como se fossem objetos que podem ser usados e descartados, isso em todo Brasil, o que é um contrassenso, pois somos responsáveis por garantir a cidadania e os direitos humanos do povo.
 
JD - Tanto o governo quanto a sociedade costumam dizer que a PM de Sergipe tem uma das melhores remunerações do Brasil. Por que existem ainda tantas insatisfações na tropa?
EM - Primeiro que essa afirmação é mentirosa, marketing do governo, para confundir a população. O salário da PM de Sergipe é o 10º do país, e estamos descendo mais, pois são quase três anos sem sequer o reajuste linear.
 
JD - Recentemente, o senhor foi preso por cometer um suposto ato de irregularidade em pleno horário de serviço. Aquilo foi justo ou houve exagero por parte dos superiores?
EM - Aquilo foi uma aberração jurídica. Eu estava na minha hora de almoço e com o meu carro particular, as refeições dos pm's, hoje em dia são feitas fora do quartel. Diferente do dia da votação do projeto da PM na Assembleia Legislativa, o qual eu fui contra, e por isso me prenderam, quando se via várias viaturas da polícia em cima da Praça Fausto Cardoso, em pleno horário de expediente, e as galerias da Alese lotadas de policiais fardados, em pleno horário de expediente.
 
JD - Qual a visão da Amese em relação ao Hospital da PM? Ele é satisfatório para as necessidades da tropa?
EM - O HPM sempre foi uma referência de local de saúde para nós policiais, infelizmente deixaram o hospital morrer aos poucos, e agora a situação é difícil. Para nós é bem melhor ficar internado no HPM, isso se for necessário, porque ninguém quer ficar doente, do que ficar no corredor do Huse.

JD - Pelo o que vocês conhecem dos principais candidatos ao governo na eleição deste ano, qual deles teria o perfil mais adequado para lidar com a tropa militar sergipana em termos de negociações e atendimentos das demandas?
EM - Não é possível afirmar quem seria o melhor. Até o momento o pré-candidato senador Amorim é o único que ainda não vimos no poder executivo.