ESSA ADMIRAVEL COSTA RICA

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Publicada em 22/06/2014 às 00:07:00

Nos anos 50, bimestralmente, pequeno jornal tabloide chamado El Sol, era lido por um limitado grupo de pessoas em Aracaju. A assinatura era oferecida pelo El Sol ao Sergipe Jornal e os editores costarriquenhos apenas solicitavam se alguma matéria fosse aproveitada que a eles fosse remetida uma cópia da publicação. O jornalista e promotor público Paulo Costa, proprietário do jornal, era entusiasmado com aquele periódico proveniente de um país distante e muito pouco conhecido, a Costa Rica. O jornal editado na cidadezinha de Alajuela tinha uma característica especial: era uma publicação anarquista, e o seu editor responsável um médico cujo nome o tempo já teria embotado na memória do escrevinhador. Paulo Costa, um livre pensador, guardava distância asséptica das ideologias, que, segundo ele, castravam a liberdade de pensar, mas sentia-se fascinado pela aventura ousada de um médico e seus parcos seguidores num quase povoado das selvas da América Central dedicando-se ao esforço intelectual de divulgar uma ideia cuja denominação na sua origem grega significando ¨ausência de governo¨, passara pela corruptela certamente difamante, de sinônimo de bagunça, desordem, tumulto.
Quando por aqui, mesmo em governos regidos por constituições, ainda se empastelavam jornais que faziam oposição, ou mais ainda se suspeitos de comunistas, na miúda república da Costa Rica , havia liberdade plena de expressão e governos democraticamente eleitos, enquanto pela américa latina proliferavam as ditaduras sustentadas pelo ¨liberalismo¨ do poderoso ¨irmão¨ do norte. O El Sol era anti-clerical, anti-imperialista, radicalmente libertário, e naqueles anos já distantes, tratava de questões como a preservação das florestas, a modernização do sistema educacional, insistindo na ideia que teve em Platão o seu precursor, de que a educação é um processo que começa no nascimento e só deve terminar com a morte. Algumas dessas matérias do El Sol foram reproduzidas pelo Sergipe - Jornal onde o novo editor, o jornalista Hugo Costa, definia-se como um anarquista desarmado. O El Sol defendia a libertação das massas pela educação, reprovando a característica da violência terrorista de muitas organizações anarquistas, entre elas as espanholas e eslavas, que já haviam, a tiros e bombas, reduzido a boçal população europeia de gente coroada. A Costa Rica espremida entre o Panamá e a Nicarágua, o primeiro transformado em cassino americano ,a segunda numa inviabilidade entre ditaduras de direita e experiências desastradas de uma esquerda sem rumo, foge ao modelo tradicional do subdesenvolvimento latino-americano. Tem estabilidade política, escapa da radicalização, faz um modelo de economia que não despreza o social, e consegue a proeza de preservar o meio ambiente numa região onde as multinacionais americanas espalharam as suas monoculturas devastadoras.
A Costa Rica conseguiu acabar o militarismo inútil para países da sua dimensão e da sua limitação de recursos, assim, extinguiu exército, marinha e aeronáutica, que seriam apenas ficções de um sistema de defesa e abrigo permanente para generais golpistas. Protegida na sua pequenez digna por acordos internacionais a Costa Rica leva para a educação e saúde o que iria gastar inutilmente em obsoletos jatos, tanques, barcos e navios.
E a Costa Rica produz exemplares resultados, espalha bons exemplos, como o da sua aguerrida seleção, que faz sucesso nesta nossa exitosa Copa do Mundo. Que bom se tivéssemos uma final entre o Brasil e a Costa Rica, claro, com ela ficando no honrosíssimo lugar de vice campeã do mundo.
Conhecer Alajuela aquela cidadezinha onde se editava o jornal El Sol, tem sido para o escrevinhador um objetivo, todavia ainda não realizado.