O velho coronel

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Pintura junina de Ana Denise
Pintura junina de Ana Denise

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Publicada em 29/06/2014 às 01:51:00

Na última sexta-feira o prefeito João Alves Filho reuniu os membros da executiva estadual do DEM para comunicar que ele e a senadora Maria do Carmo Alves haviam feito a opção de apoiar a candidatura do senador Eduardo Amorim (PSC) ao governo do Estado. Avisou também que Maria seria candidata à reeleição, tentando alcançar o seu terceiro mandato.
Bem ao estilo dos velhos coronéis da política sergipana, João não reuniu o partido para discutir a posição a ser adotada nas eleições, apenas para comunicar a sua decisão. O DEM que já foi o maior partido de Sergipe e um dos mais importantes do país, dá hoje os seus últimos suspiros e ainda sobrevive no Estado apenas pela permanência do prefeito e a sua mulher.

Na sexta pela manhã, antes da reunião do DEM, o deputado federal Mendonça Prado, genro de João e Maria, foi a um programa de rádio repetir o que vem dizendo há muito tempo: não tem como participar da campanha de Amorim. O apresentador George Magalhães aproveitou e exibiu gravações da época da Operação Navalha, que apurou desvios de quase R$ 300 milhões em obras de saneamento do terceiro governo João Alves (2003-2006), de um diálogo entre o então conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Flávio Conceição de Oliveira Neto, e o empresário Edivan Amorim, irmão do senador Eduardo, que recomendava ações no TCE contra o atual prefeito João Alves e o seu filho, João Alves Neto.
A gravação ampliou a crise familiar do prefeito, porque o que mais ele quer é esquecer da prisão de João Neto, juntamente com Flávio Conceição, durante a Operação Navalha. Antes do encontro do DEM, João se reuniu com parte da família e também com Mendonça Prado, mas não mudou a sua posição em relação a Amorim, que já havia sido comunicada ao governador Jackson Barreto na noite de sexta-feira, 20, como informou o JORNAL DO DIA no final de semana passado.

O DEM vai para a campanha de Amorim completamente dividido, da mesma forma que aconteceria caso a opção fosse pelo apoio a Jackson. A decisão de João Alves em não disputar as eleições, anunciada em 4 de abril, e a demora no anúncio formal da aliança fez com que cada um já tivesse seguido o seu caminho. Até mesmo quem defendia a aliança firmada reclama da forma como foi conduzido o acordo, sem oferecer garantias para os demais candidatos, caso do deputado estadual Augusto Bezerra.
Nos próximos dias podem ocorrer outros impasses para dificultar o entendimento entre João e os irmãos Amorim. Caso a candidatura à reeleição de Mendonça Prado não seja incluída na chapa dos proporcionais haverá uma série de ações judiciais, já anunciada pelo deputado. Na sexta-feira, durante a entrevista coletiva em que comunicou a decisão, João Alves pediu paciência ao genro Mendonça, repetindo ensinamentos do ex-presidente Tancredo Neves.

É até provável que o deputado seja incluído na lista e candidatos, mas haverá novos embates mais à frente, durante a propaganda eleitoral gratuita, já que ele cobra seu espaço na TV e garante que não fará nenhuma gravação fazendo propaganda da candidatura do senador Amorim.
O estilo de fazer política como os velhos coronéis, como se fosse dono de tudo e de todos, mostra a forma atrasada como o prefeito João Alves ainda lidera seu bloco político. A cada eleição, o DEM fica menor e hoje ele não consegue unificar nem mesmo a sua família, quanto mais controlar os votos das lideranças e do povo sergipano.

Nomes
Além de Mendonça Prado, não acompanham João no apoio a Amorim os deputados estaduais Arnaldo Bispo e Gorete Reis e o prefeito de Estância Ivan Leite. É a metade do partido.

Na Justiça
O deputado federal Mendonça Prado afirmou ontem que não vai mudar de posição com relação a Eduardo Amorim e que vai à Justiça para requerer o direito de disputar a reeleição e o tempo de televisão, que é do seu partido. "Reconheço que estou em uma posição difícil por conta de palanque e participação no programa eleitoral gratuito. Vou fazer a campanha em cima de um tamborete e com microfone na mão, mas não vou mudar minhas convicções", diz Mendonça.

Mandato
Na última quarta-feira, João e Maria fizeram questão de prestigiar o genro durante a apresentação de vídeo relatando os 25 anos de vida pública. João e Maria sentaram no fundo do auditório do Iate, enquanto Mendonça Prado ficou ao lado ao governador Jackson Barreto e de familiares.

Convenções
Até o final da tarde desta segunda-feira, 30, quando serão fechadas as atas das convenções partidárias, poderão ocorrer mudanças nos rumos dos partidos. Na noite de sexta-feira, por exemplo, voltaram a surgir comentários de que o PDT, que já anunciou apoio à reeleição do governador Jackson Barreto, poderia apoiar a candidatura de Amorim, indicando inclusive o candidato a vice-governador. Por enquanto, tanto o prefeito de Socorro, Fábio Henrique, quanto o deputado estadual José Franco, negam o novo acordo.

Proposta
Na última quarta-feira, José Franco garantiu que o PDT não levaria em consideração a nova proposta feita pelos Amorim em relação a vice. E demonstrou até mágoas pela sua condição de vice-presidente da Assembleia Legislativa que não tem chances de assumir. E ainda falou da firmeza de posições da família Franco. Isso de fato acontecia, mas em relação a outros Franco, não o deputado estadual.

Valadares
O PSB do senador Valadares deverá ficar mesmo com Jackson Barreto, indicando o ex-deputado Belivaldo Chagas como candidato a vice-governador. O partido vai montar um palanque próprio para tocar a campanha do candidato a presidente da República, Eduardo Campos. A tentativa de apresentar uma chapa alternativa não prosperou, porque o senador só topava a aventura tendo o apoio do prefeito João Alves.

Chapinhas
Jackson e Amorim poderão ter dificuldades na formação das chapas proporcionais (Câmara Federal e Assembleia Legislativa). Muitos partidos querem a formação de chapas únicas, envolvendo os candidatos de todos os partidos. As chamadas 'chapinhas' podem permitir que candidatos com poucos votos conquistem mandatos com menos da metade dos votos dos eleitos pelas grandes coligações. Por isso Edvaldo Nogueira (PCdoB), Gilmar Carvalho (SDD) e Nilson Lima (PPS), entre outros, só pensam nisso.

Fugindo
Na semana passada, a presidente da Assembleia Legislativa, deputada Angélica Guimarães (PSC), voltou a fugir da sede do legislativo para evitar ser citada pelo oficial de justiça. Agora ela é procurada para apresentar defesa prévia na ação movida pelo PCdoB que exige o seu afastamento do legislativo, já que foi eleita conselheira do Tribunal de Contas do Estado. Há dois meses, a presidente da AL já havia fugido pelos fundos para evitar a citação na ação movida pelo Estado que forçou a tramitação do Proredes. Angélica não pode ver um oficial de justiça que desaparece.

Inquérito
O presidente do TCE, Carlos Pinna, mandou instaurar uma comissão de inquérito para apurar se foi algum funcionário do órgão quem forneceu os documentos que motivaram reportagem publicada pelo JORNAL DO DIA, nos dias 08 e 09 de junho, denunciando pagamentos milionários feitos sem licitação pela Assembleia Legislativa. Os documentos podem ser obtidos por qualquer cidadão pelo site de transparência do próprio TCE, mas para prestar serviços ao comando da Assembleia, Pinna quer é saber se foi alguém do tribunal que orientou a equipe de jornalistas.

Convite
Aliás, o editor do JD e titular desta tribuna chegou a ser convidado pelo presidente da comissão, Sidney de Melo Tavares, a prestar informações sobre a forma como o jornal obteve os documentos publicados. Ao ficar sabendo que o jornalista não levaria em consideração o imoral pedido, o conselheiro Carlos Pinna mandou encaminhar outro ofício tornando sem efeito o anterior.

Prius
Carlos Pinna mandou cancelar o edital direcionado para a compra de um carro híbrido da Toyota, no valor de R$ 140 mil, mas não desistiu totalmente da ideia. Sua assessoria tem distribuído notas mostrando a importância para a natureza da utilização de tais veículos. Comprar pode, só não é legal direcionar a licitação para a aquisição da marca preferida do presidente.

Senado
O deputado federal Rogério Carvalho (PT), candidato a senador na chapa de Jackson, acha que a formalização da candidatura à reeleição da senadora Maria do Carmo Alves (DEM) será benéfica para o eleitorado. "A disputa será ideológica e tão intensa quanto a eleição para governador", entende o presidente do PT, que diz estar preparado para a campanha.

Sukita
Além da definição de alianças e candidaturas, o PSB sergipano terá um problema a mais a resolver na segunda-feira: o ex-prefeito de Capela Manoel Sukita, que se encontra preso no Copecam acusado de desvio de verbas públicas, quer que o partido registre a sua candidatura a deputado estadual. Como ainda não foi condenado, ele pode ser candidato. Mas para o partido seria constrangedor discutir uma situação dessas.