A HISTÓRIA DO CANAL COMEÇA NOS ANOS 80 EM PAULO AFONSO

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Publicada em 29/06/2014 às 01:53:00

No final da década dos 80 o engenheiro italiano Ferdinando Facenda, especialista em recursos hídricos e ligado aos movimentos sociais, procurava, em Paulo Afonso, uma solução para levar água a uma comunidade tangida para a aridez do Raso da Catarina depois de deixar suas terras às margens do São Francisco, onde a CHESF fizera mais uma barragem. O italiano imaginou um canal de reduzida dimensão, mas ele bem conhecia a carência de água dos que, paradoxalmente, viviam quase à beira do grande rio, que, para aumentar as dificuldades corria entre Paulo Afonso e Canindé no fundo de um canion com paredões de mais de duzentos metros de altura. O gado morria de sede olhando a agua inacessível lá embaixo. O engenheiro idealizou um projeto mais ambicioso, um canal nascendo em Glória, na Bahia, atravessando Paulo Afonso, Santa Brigida, Canindé, Poço Redondo, Monte Alegre, Nossa Senhora da Glória até Ribeirópolis, e pelo caminho perenizando vários rios intermitentes. A agua desceria quase em todo o trajeto por gravidade. O projeto recebeu o nome de Canal Dois Irmãos. Em alguns pontos até seria navegável, e possibilitaria a criação de peixes. Um jornalista de Aracaju que assistia em Paulo Afonso a exposição feita pelo engenheiro sobre o projeto, solicitou-lhe uma cópia, dizendo-lhe que tentaria levá-la ao Ministro do Interior João Alves Filho. Um amigo que o acompanhava, o empresário Julival Gois, irmão do deputado Joaci Gois, proprietário do Jornal da Bahia, que fazia cerrada oposição a Antônio Carlos Magalhães, pediu-lhe: ¨leve logo esse projeto para João Alves antes que ACM o descubra e o entregue a Sarney dizendo que é ideia dele. ¨Chegando a Aracaju, o jornalista foi encontrar no aeroporto o chefe do gabinete de João Alves, o exemplar cidadão João Barreto, e pediu-lhe que entregasse o projeto ao ministro.  João teria achado o projeto superdimensionado, e começou a trabalhar num sucedâneo, mas , o governo de Sarney acabou, antes mesmo de acabar. Por aquele tempo Valadares, governador, concluía o Perímetro Califórnia, projetado e iniciado por João, e o seu secretário Paulo Viana achava que aquele canal, se menos ambicioso, talvez pudesse ser construído, e até resolveria a inviabilidade econômica do perímetro Califórnia, enquanto estivesse a bombear água do São Francisco a uma quota de 170 metros, o que viria a acontecer depois, quando, iniciado por Albano o Projeto Jacaré-Curituba em Poço Redondo receberia a água descendo por gravidade da barragem de Xingó, e antes alimentando, em Canindé, o Califórnia.
Marcelo Déda, que enfrentou secas e ampliou assentamentos no sertão, fortaleceu a agricultura familiar e viu Sergipe chegar a produzir um milhão e meio de toneladas de milho, tornando-se segundo produtor do nordeste, compreendeu que sem um grande projeto de irrigação não haveria maiores perspectivas de desenvolvimento para o semiárido. Começou a luta pelo Canal de Xingó. Ainda substituindo Déda, durante sua longa enfermidade, Jackson Barreto concentrou-se no projeto. Foi conversar com ministros, usou as amizades feitas ao longo da vida pública, esteve com a presidente Dilma, pediu apoio à bancada sergipana. No Senado, Valadares entrou na luta, em Sergipe, em torno do projeto juntaram-se os movimentos sociais, à frente o MST, os prefeitos da região, também deputados. Jackson mostrou à presidente que Alagoas inaugurava a primeira etapa do Canal do Sertão, que vai dar novo ritmo à avançada pecuária de leite alagoana, e já chega à Arapiraca, cidade que quer, em vinte anos ultrapassar a capital, Maceió. A presidente garantiu a Jackson que o Canal de Xingó seria construído. Com Jackson o semiárido sergipano tem começado a mudar com grande e dinâmica rapidez, ele possui a característica incomum de ir a todos os locais e ouvir a todas as pessoas. Assim, surgem projetos como por exemplo o Gualter, em Canindé do São Francisco onde a COHIDRO em menos de 2 meses perfurou 12 poços dos quais 11 produtivos, e com água de excelente qualidade. No Gualter está uma ponta do Aquífero Tucano ,e Jackson decidiu que ali, em parceria com a prefeitura surgirá um projeto de pecuária leiteira com a COHIDRO perfurando mais pelo menos vinte poços.  O prefeito Heleno Silva fez uma parceria com o BANESE. Vai criar um Fundo de Aval, e no Gualter os assentados terão financiamento para adquirirem um rebanho leiteiro. O Secretário da Agricultura Chico Dantas quer ampliar o projeto de incentivo à pecuária leiteira levando-o a todos os perímetros irrigados. Assim, enquanto o Canal de Xingó não for concluído, outros projetos de menor porte estão sendo iniciados, tais como a reforma do Perímetro Califórnia, que terá canais cobertos e recuperados, um novo sistema de bombeamento, tudo com recursos do PROINVESTE, que o grupo Amorim sabotou até quando constatou que as lágrimas derramadas por Déda que morria e lutava pelos recursos, já deixavam um sentimento de revolta contra o que faziam na Assembleia contra o povo sergipano, e o senador Amorim dava as ¨explicações¨ beirando o cinismo. O tempo mostra que Sergipe está ganhando com os recursos do Proinveste e já teria obras inauguradas, e mais empregos gerados , se não tivesse acontecido o emperramento de quase um ano, que na época o prefeito João Alves classificou como nocivo, afirmando que não se faz oposição prejudicando o estado.