REGINA DUARTE

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A ATRIZ EM CENA DO FILME \"CHÃO BRUTO\"(1977)
A ATRIZ EM CENA DO FILME \"CHÃO BRUTO\"(1977)

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Publicada em 01/07/2014 às 15:32:00

Desde o seu nascimento,num dia de carnaval, em 5 de fevereiro de 1947, na pequena cidade de Franca (SP), Regina seria a mais velha de cinco irmãos, filha de um sargento do exército, "seu" Jesus e de dona Dulce. Logo, ela aprendeu a compensar a vida de menina pobre com sua imaginação rica e fértil. Assim, já em Campinas,  para onde o pai se mudara com a família e abrira um armazém, ela passava horas em cima de um abacateiro, imaginando o dia em que seria a pessoa mais famosa do país.
Aos 14 anos, ainda em Campinas, fez um teste para a peça "Auto da Compadecida", de Ariano Suassuna, que seria encenada naquela cidade. Ganhou o papel de palhaço e ficou ofendidíssima. Mas, obstinada, Regina foi até o fim. Terminando por receber o Prêmio Governador do Estado como revelação, por esse seu desempenho.

Enquanto estudava, fazia de tudo. Deu até um furo de reportagem ao entrevistar Alain Dellon (na época considerado o "homem mais belo do mundo"), no aeroporto de Viracopos, para a revista Nosso Cantinho, de Campinas. Mas a sua grande chance apareceu quando resolveu aproveitar o rosto fotográfico e posar para publicidade. Arrumou as malas e foi para São Paulo, em 1965. Tinha apenas 18 anos. Seu primeiro trabalho foi o cartaz para a Kibon, que se espalhou por todas as cidades. A partir daí as portas estavam abertas  para ela. Walter Avancini lhe ofereceu um papel-chave na novela "A Deusa Vencida". Depois vieram muitas outras, todas na TV Excélsior.

O namorado Marcos era contra sua carreira artística, mas mesmo assim, eles se casaram em 21 de outubro de 1968. Ele, Marcos Franco, ainda era estudante de engenharia e Regina já tinha se tornado uma superstar. Resultado: a atriz começava a quebrar tabus. É ela quem vai sustentar o marido.
Logo depois, a Excélsior fecha suas portas e Regina é convidada a se transferir para o Rio de Janeiro e assinar contrato com a Globo e, ao mesmo tempo em que faz sua primeira novela na emissora, fica grávida. Assim, em "Irmãos Coragem", sua personagem Ritinha também é obrigada a engravidar. Em setembro de 1970, nasce André. Regina começa a se inteirar do mundo à sua volta, de sua condição de mulher-mãe. E percebe que a realidade nada tem a ver com o mundo cor-de-rosa que vive na TV. E decide mudar: pede seu afastamento por dois anos da Globo e se transforma na prostituta Janete, na peça "Reveillon". É uma outra Regina surgindo mais forte, mais consistente, mais ser humano.

Em 1976, o seu casamento com Marcos chega ao fim. Mas ela não se deixa abater. Alterna suas atuações no palco com o cinema. No filme "Chão Bruto" ela faz com muito realismo, uma sofrida sertaneja. Vive Nossa Senhora em "A Compadecida", o filme e "Lance Maior", talvez seja sua melhor atuação no cinema.
De volta à TV, faz "Nina", o seriado "Malu Mulher", "Roque Santeiro" e "Rainha da Sucata". Mas nada se compara ao sue trabalho memorável vivendo a musicista Chiquinha Gonzaga, na minissérie do mesmo nome. Gabriela Duarte (fruto do seu casamento com Marcos, nascida em 1972), é a Chiquinha jovem.
Finalmente a "namoradinha do Brasil" vira mulher de verdade.
(Resumo do capítulo 65 do meu livro inédito, "101 Ícones do Cinema que Nunca Sairão de Cena")