Sem segundas intenções

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Publicada em 03/07/2014 às 00:40:00

A Assembléia Legislativa de Sergipe nunca foi morada de santos. Poucas legislaturas revelaram de maneira tão declarada, no entanto, o casuísmo puro e simples que orienta a postura de muitos entre os seus atuais integrantes. A novela sem graça na qual o grupo político liderado pelos irmãos Amorim transformou a aprovação do Proinvest não foi caso isolado, nem superado. A obstinação da presidente Angélica Guimarães, que protelou a votação do Programa de Fortalecimento das Redes de Inclusão Social e de Atenção à Saúde (Proredes) o quanto pode, demonstra que ultimamente o interesse público não tem vez na Casa do povo.

Ontem, aos 45' do segundo tempo, justamente quando o semestre legislativo foi encerrado, foram mantidos os vetos do governador ao projeto. A aprovação foi contestada pela oposição, responsável pelos nove votos contrários aos vetos, que lamentou a rejeição das emendas.

Tanta relutância não tem o menor cabimento. O Proredes tramita na Assembleia há quase onze meses e seu conteúdo era conhecido de todos. Isso, pra não mencionar o risco de as emendas acabarem rejeitadas pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O seguro morreu de velho.

 Apesar das tentativas da oposição, que insistiu num esforço estéril de melar a tramitação do Proredes, insinuando segundas intenções, não há como condenar as motivações do documento. O Projeto de Lei não faz mais do que autorizar a contratação de operação de crédito externo junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Uma bagatela de R$ 100 milhões que deverá minimizar as dificuldades materiais enfrentadas pela rede pública de saúde. Demanda para o investimento é o que não falta.