Mobilização defende fim de financiamento privado de campanha

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A manifestação foi realizada no centro de Aracaju
A manifestação foi realizada no centro de Aracaju

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Publicada em 08/07/2014 às 00:01:00

 Representações de vários segmentos sociais realizaram na manhã de ontem uma manifestação pelas ruas da cidade em defesa da Reforma Política e contra o fim do financiamento privado de campanhas eleitorais.
Com o tema 'Por Reforma Política, Constituinte já!', o ato público ocorreu em várias capitais brasileiras. Em Aracaju, a mobilização começou na Praça General Valadão, com panfletagem pelas ruas da cidade e ato público em frente a uma conhecida empresa que os manifestantes apontaram como uma das financiadoras de campanhas do estado.
"Esta mobilização é uma das atividades programadas nacionalmente com adesão de vários atores sociais em Sergipe, sendo uma preparação para o processo de votação que ocorrerá de 1º a 7 de setembro, quando haverá a consulta popular e o povo vai poder participar do plebiscito opinando sobre a reforma política", explica Leilane Cunha, coordenadora do Plebiscito por uma Constituinte da Reforma Política em Sergipe.

Durante o protesto, os manifestantes denunciaram o financiamento empresarial das campanhas eleitorais, identificado pelas entidades que organizam o Plebiscito como um dos principais males da política nacional. Leilane mencionou que a participação de empresas nas campanhas eleitorais só tem aumentado nos últimos anos. Ela cita informações divulgadas pelo site Congresso em Foco que revelam que em 2008, 86% dos recursos totais das campanhas eleitorais do Brasil correspondem a doações de empresas junto a partidos políticos como propósito de financiarem os pleitos.
Outro dado relevante da pesquisa aponta que em 2010, o número de doações chegou a 91% e em 2012, nas últimas eleições, as empresas foram responsáveis por 95% de todo o dinheiro movimentado nas campanhas.

Leilane chama a atenção de que este tipo de participação empresarial prejudica o processo eleitoral ao haver a contrapartida dos políticos junto aos grupos que financiam as campanhas. "Apesar de termos conquistado o voto direto nas eleições, existe uma complexa teia de elementos que são usados nas Campanhas Eleitorais que ajudam a garantir a vitória de determinados candidatos. Defendendo a proibição de financiamentos de campanha por empresas privadas estamos contribuindo para acabar com a corrupção", afirmou Leilane.

Ela lembrou que o engajamento social pela reforma política é uma forma democrática de combater a corrupção. "Somente com a mobilização de toda a sociedade, a reforma política no País é possível", disse. Ela ressaltou ainda que a mobilização tem uma extensa programação durante o ano. No dia 26 de julho os organizadores do plebiscito farão o recolhimento de assinaturas.
Leilane lembrou ainda que a mobilização de ontem foi um resultado dos protestos que ocorreram nas ruas em todo o Brasil nos meses de junho e julho do ano passado, quando milhões de jovens brasileiros foram às ruas para lutar por melhores condições de vida, inicialmente contra o aumento das tarifas do transporte, mas rapidamente a luta por mais direitos sociais em defesa da saúde, educação e mais democracia.

Ela destacou que ficou claro durante as mobilizações a política atual não representa essa juventude, que quer mudanças profundas na sociedade brasileira. Ela enfatizou que as mobilizações das ruas obtiveram conquistas em todo o país, principalmente com as revogações dos aumentos das tarifas dos transportes ou até diminuição da tarifa em algumas cidades, mas que a grande maioria das reivindicações não foi atendida pelos poderes públicos por causa da estrutura do poder político no Brasil e as atuais regras de funcionamento que não permitem avanços e mudanças profundas.

A proposta da mobilização é também dar visibilidade a situações como a que envolvem candidatos eleitos que comprovadamente têm um gasto de campanha muito maior que os não eleitos, demonstrando um dos fatores do poder econômico nas eleições.
Outra questão divulgada pela mobilização é que o dinheiro usado nas campanhas tem origem, na sua maior parte, de empresas privadas, que financiam os candidatos para depois obter vantagens nas decisões políticas, ou seja, é uma forma clara e direta de chantagem.