Curto e grosso, como sempre

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\"Contra os pilantras, a política\"
\"Contra os pilantras, a política\"

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Publicada em 10/07/2014 às 00:53:00

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

"Contra os pilantras, a política". Foi assim, curto e grosso, que Plínio de Arruda Sampaio, candidato à presidência da república derrotado nas últimas eleições, defendeu o engajamento dos setores populares da sociedade. Em visita proporcionada pelo lançamento do livro "Por que participar da política?", há três anos, o dirigente do PSOL recebeu os jornalistas sergipanos para reiterar o compromisso do partido com a luta dos trabalhadores e aproveitou a ocasião para mandar um recado aos militantes do referido bloco político. Segundo ele, e a sucessão dos dias lhe daria razão, a esquerda teria de curtir um período de dificuldades, atravessar o deserto, passar fome e frio para reencontrar o próprio rumo. "Lá fora, está tudo pegando fogo".

A referência ao momento turbulento pelo qual a Europa passava não foi aleatória. Para Plínio, a intensa mobilização popular que assaltou o velho mundo refletia os efeitos perversos da última crise econômica. "A economia é determinante. Se enfrentássemos alguma alteração no quadro econômico e a crise finalmente respingasse na gente, o retrocesso social teria colocado o povo na rua". Profético define.

O livro lançado no auditório do Sindiprev discorre sobre a formação do Estado brasileiro, os sistemas de governo parlamentarista e presidencialista, a Nova República e os impactos cotidianos da ação política na vida dos brasileiros. Na conversa franca que manteve com a imprensa local, Plínio falou muito claramente sobre o quadro político de então e resgatou o debate travado na última campanha, lamentavelmente marcada pelo baixo nível da discussão.
Plínio argumentou que não é possível jogar uma partida de futebol limpa sem jogadores leais e qualificados.

O dirigente do PSOL concluiu que, sem candidatos dispostos a um debate honesto, despido de segundas intenções, qualquer embate eleitoral redunda no levante reacionário que assistimos todos pela televisão. "Quando eu falei em aborto, em legalização da maconha, cheguei a provocar desmaios".
Jornalista gosta de colocar lenha na fogueira e Plínio nunca se fez de rogado. Numa sala reservada do Hotel da Costa, onde ficou hospedado, o dirigente octogenário não se amedrontou diante das provocações. Questionado a respeito da conduta criminosa do ex-presidente Lula durante a campanha e a sua adoração popular, Plínio não vacilou. "O comportamento de Lula feriu a Constituição brasileira. Infelizmente, a idolatria sempre resulta no comportamento irracional e irrefletido registrado pelas urnas".

As ressalvas em relação ao PT, contudo (que na opinião de Plínio está muito longe da verdadeira esquerda), não turvou o seu senso de justiça. Em relação à declaração da professora Avilete, candidata derrotada ao governo de Sergipe pelo PSOL, que condenou a militância da presidente Dilma Roulssef, Plínio defendeu uma punição rigorosa. "O passado de guerrilheira é o único traço simpático na biografia dessa senhora".

Uma nota triste - O ex-deputado Plínio de Arruda Sampaio, 83, morreu na tarde desta terça-feira, 8, em São Paulo. O ex-candidato do PSOL à presidência da República em 2010 tratava um câncer ósseo no hospital Sírio-Libanês, onde estava internado há um mês. No dia 26 de julho, Plínio completaria 84 anos de idade.