Suspeito de matar a companheira em apartamento morre no Huse

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Publicada em 16/07/2014 às 00:17:00

O eletrotécnico José Carlos Santos Júnior, 30 anos, apontado como suspeito pelo assassinato da técnica de enfermagem Maria José Menezes Vieira, 56, morreu ao início da madrugada de ontem no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), onde estava internado em estado grave na Ala Vermelha. Os dois foram encontrados feridos a faca na tarde de anteontem, dentro de um apartamento do Condomínio Residencial Santa Fé, no Conjunto Santa Lúcia, Bairro Jabotiana (zona sul de Aracaju).

A morte de José Carlos foi confirmada por volta das 3h, quando o corpo foi enviado para o Instituto Médico-Legal (IML). Segundo o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), o técnico apresentava um profundo ferimento no pulmão e outros cortes na altura dos braços e do abdômen. Maria José, por sua vez, foi encontrada morta em um dos quartos, igualmente estaqueada no peito. Os corpos foram velados e sepultados ontem de manhã em locais diferentes da capital.

As versões diferentes para as circunstâncias e os motivos da tragédia permaneciam em conflito no dia de ontem, conforme os depoimentos de familiares das vítimas. Segundo a polícia, José Carlos tinha um relacionamento amoroso com a técnica, que trabalhava no próprio Huse, e teriam brigado antes de morrer. Parentes do eletrotécnico confirmam que ele namorava Maria José há pelo menos oito meses. Já os filhos da servidora afirmam que não sabiam deste romance e que pouco conheciam o rapaz. Esta contradição também surge quando a autoria do crime é questionada.

Um irmão de criação de Maria José, Shalom Santos, falou em nome da família e confirmou que o crime foi presenciado por um neto da vítima, que tem seis anos de idade e ficou em estado de choque. De acordo com ele, o crime foi cometido apenas por José Carlos, sem a presença de outra pessoa. "Não temos dúvida que foi esse rapaz, porque ele chegou no apartamento e falou para a criança que iria matar a avó dela. Segundo o que foi dito pela criança, o rapaz chegou já nesta intenção, depois houve uma ligeira conversa, ele já começou a desferir golpes de faca nela [Maria] e depois ele mesmo se esfaqueou. Ainda não estamos entendendo o que aconteceu, o que levou ele a fazer isso", disse Shalom à rádio 930 AM.

A família de José Carlos não acredita nesta versão e reafirma que uma terceira pessoa teria entrado no apartamento e matado o casal. "Como é que o meu filho iria matar uma pessoa? Ele está aqui todo esfaqueado. Dizem que a mulher pegou umas 40 facadas no peito. Meu filho levou mais de 100 perfurações. Você acha que ele iria matar ela e fazer isso com ele próprio?", questiona a mãe do rapaz, Gisélia Ferreira, afirmando que ele costumava almoçar com a namorada e ainda não tinha assumido totalmente o relacionamento, por causa da oposição dos filhos dela.

As mortes estão sendo investigadas pela 5ª Divisão do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). A diretora da unidade, delegada Thereza Simony Nunes Silva, disse ontem que a polícia aguarda os resultados dos laudos de necropsia do IML e das perícias do Instituto de Criminalística, os quais irão apontar quantas facadas foram dadas contra cada uma das vítimas, se existem ou não lesões características de lutas corporais e se há ou não vestígios da presença de uma terceira pessoa no local do crime.