Bienal da Bahia em segunda temporada: mais espaços, mais ações, mais arte

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Publicada em 16/07/2014 às 00:21:00

A 3ª Bienal da Bahia, uma iniciativa da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-Ba), inaugura a partir do dia 16 de julho uma nova etapa, mantendo a programação diversificada com exposições, oficinas, debates e projetos especiais envolvendo artistas de renome nacional e internacional em diferentes espaços da cidade. Vale lembrar que, em função dos feriados e jogos que marcaram o período, a Bienal deixou de estrear novas mostras, mas manteve aberta ao público toda a programação iniciada no dia 29 de maio, continuando em cartaz até o dia 7 de setembro.

 Entre as novas aberturas, são destaques as exposições de três mestres baianos cujas obras e trajetórias transcendem limites regionais e nacionais: Juarez Paraíso, Rogério Duarte e Juraci Dórea. Paraíso, Dórea e Duarte, assim como Edinízio Primo e Dicinho (expostos no Museu Carlos Costa Pinto), são parte de uma geração de artistas que se manteve alijada do mercado, e que só agora começam a despertar o interesse do circuito global das artes.

Desbravador do interior baiano, o feirense Juraci Dórea vem desde os anos 1980 percorrendo a Bahia e chamando a atenção do público pelo seu trabalho escultural em madeira e couro. Dedicou-se às artes visuais desde o começo dos anos 1960 e já participou de diversas exposições no Brasil e no exterior, como as Bienais de São Paulo (1987), Veneza (1988) e Havana (1989). Trabalha principalmente em torno do tema do homem sertanejo e da literatura de cordel. Dirigiu o Departamento de Cultura do Município de Feira de Santana de 1994 a 1996, período em que idealizou o Museu de Arte Contemporânea da cidade. É o responsável pela identidade visual da 3ª Bienal da Bahia.

 Chamado de "mestre" por ninguém menos que Jorge Amado, Juarez Paraíso é reconhecido pela concepção cósmica de sua obra. Entre 1966 e 1968, idealizou e realizou as duas Bienais de Arte da Bahia junto com os artistas Chico Liberato e Riolan Coutinho. Em 1975, passou a se dedicar também a experiências com fotografia, desenho, tapeçaria e murais. Representante da segunda geração de modernistas baianos, o artista expôs no Brasil e no exterior. É marcante em sua carreira a intervenção feita no Cine Tupy. A obra foi realizada em 1968 e ocupava as paredes, o piso e o forro da sala de espera com murais e espelhos, mas foi destruída pouco tempo depois. Entre outras realizações, executou o painel da Biblioteca Central da UFBA, ilustrou os poemas Saudações a Palmares e Bandido Negro, publicados no livro Castro Alves: Poesias, e produziu diversas obras em espaços públicos de Salvador, como o mural do Hospital Roberto Santos (1979) e do Museu Geológico da Bahia (1998), além de esculturas no Parque de Pituaçú (1979) e no Parque de Esculturas do Museu de Arte Moderna da Bahia (1997).

 Mentor artístico visual do Tropicalismo, o polivalente Rogério Duarte é celebrado pelas capas de discos que fez para Gilberto Gil, Gal Costa e Caetano Veloso. Além dos encartes dos LPs, o artista tem no seu currículo a criação de pôsteres de filmes como Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha; Cara a Cara, de Júlio Bressane; e A Opinião Pública, do jornalista e cineasta Arnaldo Jabor. Um dos pioneiros do design e logotipia modernos no Brasil, Rogério é ainda poeta, músico e um dos idealizadores do histórico jornal Flor do Mal. A exposição de Duarte na 3.a Bienal da Bahia traz ainda suas coleções de numismática e mineralogia, apresentações de composições musicais de sua autoria e um torneio de xadrez de acordo com variações às regras propostas pelo artista.

 Todas as mostras desses "artistas totais" acontecem no Museu de Arte Moderna, ocupando o Casarão (Juracy Dórea e Rogério Duarte) e a Capela (Juarez Paraíso) a partir do dia 24 de julho, permanecendo em cartaz até 7 de setembro.
 
Outras linguagens - Com um formato que foge do circuito tradicional baseado apenas em exposições, a Bienal, também nesta segunda etapa, inclina-se para a integração entre as linguagens, o debate e a abertura para participação do público. Nesse sentido, as propostas surgem aglutinadas por temáticas ou universos, desdobrando-se em ações, intervenções e/ou exposições. Dentro dessa proposta, o Museu Imaginário do Nordeste ganha novas ações que ocupam espaços como Galeria ACBEU, Solar Ferrão, Palacete das Artes, Museu Náutico, Museu Costa Pinto e Museu de Arte Sacra.

O módulo Arquivo e Ficção traz a exposição Arquivo Etnográfico Estácio de Lima, que propõe intervenções artísticas a partir da questão central da Bienal: 'É tudo Nordeste?'. Com curadoria de Ana Pato, a ação ocupará o Arquivo Público do Estado, na Baixa de Quintas, e terá início no dia 17 de julho, criando uma linha de intersecção entre os profissionais da memória (arquivistas, bibliotecários, museólogos etc) e artistas da criação visual, entre eles Eustáquio Neves (MG), Omar Salomão (RJ), Ícaro Lira (CE), Rodrigo Matheus (SP), Gaio (BA), Paulo Bruscky (PE), José Rufino (PB), Maria Magdalena Campos-Pons (Cuba), Paulo Nazareth (MG) e Giselle Beiguelman (SP).

Performances, instalações, intervenções artísticas, mostras de vídeo, ciclos de cinema, encontros e seminários compõem a estrutura Noturnas. A segunda temporada também retoma o Cinema Yemanjá, seleção de filmes relacionados ao tema da 3.a Bienal, É Tudo Nordeste?, exibidos num amplo circuito de cineclubes de Salvador e do interior. Paralelamente, a Bienal traz também uma mostra de filmes dedicados a dois autores particulares: a francesa Agnès Varda e o chileno Alejandro Jodorowsky.