Polícia ouve parentes de meninas violentadas em Itaporanga

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 17/07/2014 às 00:51:00

As autoridades sergipanas já começaram a se mobilizar em torno do caso das quatro crianças que foram possivelmente violentadas em uma fazenda da zona rural de Itaporanga D'Ajuda (Sul). O caso já começou a ser investigado pela Delegacia de Polícia da cidade, que ouviu ontem depoimentos de familiares da mãe das meninas, uma técnica de enfermagem que mora em Aracaju e é acusada de ter "alugado" as filhas para homens que realizavam orgias sexuais com crianças e adolescentes, por intermédio do seu atual companheiro. Elas são irmãs e têm entre seis e 11 anos de idade.

O caso foi denunciado pelo ex-marido da acusada, que mora em Maceió (AL) e procurou o Conselho Tutelar da 7ª Região da capital alagoana. As quatro irmãs já estão morando com a família paterna e, por força de uma decisão judicial já expedida, não retornarão mais a Sergipe. Segundo o conselheiro Fernando Silva a medida se justifica por questões de segurança, pois a família delas teme represálias. Ele garante ainda que as vítimas passam por tratamento médico, estão sendo assistidas por psicólogos e assistentes sociais da Prefeitura de Maceió e já estudam em escolas da cidade.  

A delegada Mariana Amorim, responsável pela Delegacia de Itaporanga, disse que os parentes da mãe das vítimas não tinham conhecimento das denúncias e até se surpreenderam com elas. Ela já procurou o Conselho Tutelar e requisitou os relatórios já realizados em relação ao caso. Eles incluem exames periciais que, segundo o Conselho, comprovam que houve abuso contra as garotas e que a menina mais nova, de seis anos, chegou a contrair uma doença sexualmente transmissível (DST). Ela disse também que, inicialmente, a polícia sergipana ainda não tinha registrado nenhuma queixa formal sobre estes abusos, mas começou a fazer o levantamento após a grande repercussão deste caso na imprensa.

O conselheiro alagoano também disse que, após a divulgação das denúncias, foi contatado por telefone pelo Conselho Tutelar de Itaporanga e pelo secretário estadual de Direitos Humanos, Antônio Bittencourt, colocando o órgão à disposição para acompanhar o caso. "Nós estamos tendo um retorno muito bom das autoridades de Aracaju, e temos a certeza de que elas irão trabalhar para que estes bandidos sejam identificados e presos", disse Fernando, confirmando que pretende vir a Aracaju para entregar os relatórios já existentes às autoridades.

As meninas relataram, em depoimento aos conselheiros e a uma psicóloga, que, quando moravam com a mãe em Aracaju, eram levadas de carro pelo namorado dela até uma fazenda onde se concentravam vários homens e várias crianças. Segundo o relato, elas teriam sido amarradas e anestesiadas com injeções aplicadas nos órgãos sexuais. Em seguida, foram agredidas e estupradas. "Em um dos casos, a menina mais nova chegou a passar mal, porque foi obrigada a engolir a urina de um dos abusadores. As irmãs contaram que, quando ela chegou em casa nesse estado, a mãe teria ligado para um desses homens e dito a elas que 'podia abusar delas, mas não matar'. É uma situação terrível, completamente absurda, que revoltou a todos", disse o conselheiro. A suspeita é de que os autores do crime sejam ligados a uma quadrilha de pedófilos.