No Chorinho do Sr. Inácio, sergipanidade aflora

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Apresentação no Chorinho
Apresentação no Chorinho

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Publicada em 22/07/2014 às 00:38:00

* Elton Coelho

Sob um Centro, aquela mesinha que geralmente colocamos na sala de entrada da casa, os músicos sergipanos que freqüentam o "Chorinho do Sr. Inácio", na rua Canadá, bairro América, depositam ali suas cervejas, água mineral e refrigerantes. Muito mais que isso. Ali estão postos um bocado de vontade, amor a musica, um verdadeiro espírito artístico de abnegação e exemplo de sergipanidade.

Acontece aos sábados e domingos, sempre a partir das 18h, no Chorinho de Sr. Inácio onde ele, o protagonista dessa serventia, brinda aos amantes da boa música com a imensidão de opções reluzentes de uma sonora cartada musical. Eles vêem de todos os cantos. Violonistas, flautistas, percussionistas, panderistas, tocadores de cavaquinho, enfim, uma mesa sem muros donde os músicos, numa confinada garagem de casa residencial transformada em palco, cantam e encantam aos que lá se dirigem.

O diálogo é simples e o Sr. Inácio anuncia: "Quem sabe faz ao vivo". Estabelecido o grupo da casa, vão se amontoando uma dezena de músicos em redor dessa cantoria e que são educadamente convidados a dar "uma palhinha". Reverberam suas poesias, entoam suas vozes em nome das boas canções, com tom forte às músicas, choros e romantismo.
O público alvo assiste a tudo graciosamente com o pagamento de um cachê ínfimo dada a diversidades cultural a que são contemplados. A casa ainda combina a velha cerva gelada, com petiscos sergipanos e iguarias que apetece aos visitantes.  

Esse cenário, cada vez menos valorizado e distante de uma moçada nova que passa indiferente a esta boemia, é o retrato de como, em Sergipe, nossa sonoridade musical precisa ganhar lastros e alcançar vôos mais justos. O Chorinho do Sr. Inácio tem que fazer parte das opções de lazer cultural da nossa gente, precisa ser divulgado em nome do que se produz, ainda que de improviso, ainda que quase amadoristicamente.

Faço o registro não por ser um apaixonado dessa cantoria, mas para despertar no seio dos meus conterrâneos, da minha gente, que aqui temos valores e músicos tão empolgantes quanto nossos vizinhos baianos, por exemplo, que despertam e fazem dum simples bater de tambor uma festa de grandes proporções.

Ainda que se afiram lucros, para dar sobrevivência aos músicos e a quem mantém casas como esta, celebre é reconhecer a disposição de quanto talentos se criam e procriam em cenários como estes, ávidos por espaços e por gente que lhes dê freguesia. Fica a dica para valorização da nossa gente, de quem se enobrece e faz "Ao Vivo" sem causar qualquer constrangimento musical a quem quer que seja. Confiram!!!

* Elton Coelho é jornalista, assessor de Comunicação, historiador.