PMs que mataram adolescente são "bandidos ao quadrado"

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Publicada em 22/07/2014 às 00:52:00

Vladimir Platonow
Agência Brasil

O secretário de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, classificou como "bandidos ao quadrado" os dois policiais militares acusados de matar um jovem e tentar matar outro, no Morro do Sumaré, no dia 11 de junho. Os cabos Fábio Magalhães Ferreira e Vinícius Lima Vieira foram flagrados pelo sistema de câmeras instalado na viatura que utilizavam no dia, que mostra como eles agiram até o assassinato do adolescente Mateus Alves, de 14 anos.

Os policiais já estavam presos, mas as imagens foram divulgadas pela Rede Globo. As câmeras registraram a ação da dupla de policiais desde o momento em que capturaram as duas vítimas, próximo ao camelódromo da Rua Uruguaiana, no centro do Rio, além de um terceiro jovem, que havia testemunhado a abordagem.

Ao chegarem ao Morro do Sumaré, em meio à Floresta da Tijuca, os policiais mandaram os três saírem da viatura, mataram Mateus com um tiro de fuzil e atiraram contra o segundo adolescente, que foi atingido, mas sobreviveu após se fingir de morto, e, posteriormente denunciou o caso à polícia. O terceiro jovem foi liberado e ainda ganhou uma carona dos policiais, que nas imagens não aparentam qualquer remorso pelos crimes praticados.
"Infelizmente, nós temos policiais muito ruins. Policiais ligados ao crime. Pessoas que fizeram isso são verdadeiramente bandidos. E eu digo que bandidos ao quadrado. Mas, a mesma polícia que praticou essa barbárie, foi a que os prendeu", disse Beltrame, que participou ontem (21) da inauguração de um projeto social na zona norte do Rio.

De acordo com o secretário, o sistema de monitoramento por câmeras se mostrou eficiente e deverá ser ampliado. "É um projeto caro. Foram R$ 18 milhões para duas mil viaturas. Temos que ter orçamento para ir fazendo gradativamente. Vai ser feito e nós esperamos que isso ajude tanto a legitimar a ação do bom policial como, também, quando ele age errado, mostrar para a sociedade que a própria instituição criou um sistema para se autofiscalizar e cortar em sua própria carne", avaliou.
Os dois policiais militares foram indiciados pelo delegado Rivaldo Barbosa, titular da Delegacia de Homicídios, por homicídio, tentativa de homicídio e ocultação de cadáver.