A frustração do vovô Romualdo

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A COPA DE 50 DEIXOU ROMUALDO NA MÃO
A COPA DE 50 DEIXOU ROMUALDO NA MÃO

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Publicada em 22/07/2014 às 14:42:00

Romualdo broxou por causa do futebol. Na flor dos vinte aninhos, foi assistir à final da Copa de 50 no Maracanã, ainda rouco de tanto cantar "Touradas em Madri". Quando Gighia marcou o gol uruguaio que adiou por 14 anos a conquista do caneco, Romualdo sentiu um não sei o quê em não sei onde, e seu mastro, no qual tremulava, altaneira, a auriverde flama nacional, se encolheu qual guarda-chuva retrátil e nunca mais lhe deu alegrias, sem contar certos alívios depois de várias cervejinhas tinindo de geladas. Prazer que é bom, nunca mais.

Romualdo perdeu a conta das poderosas e infalíveis garrafadas que lhe eram impingidas por curandeiros e pais-de-santo. Mas, em lugar do esperado tesão, o máximo que conseguia eram umas diarréias de deixar o rabo em polvorosa. Pé-de-valsa, não perdia a oportunidade de se agarrar a uma periguete tentando despertar o gigante do torpor a que foi relegado. Mas que vexame! Era só tocar um bolero daqueles de chamar a nega na chincha, apontar a anaconda para o entrepernas da dama e lá vinha a imagem do fatal chute do Gighia e da falha do Barbosa. A bandeira se recolhia a meio-pau, e, haja birita pra afogar a frustração. Durante 40 anos, Romualdo foi broxa de carteirinha e crachá. Frequentou o terreiro da Mãe Marizete, grupos esotéricos, a Igreja Universal, se agarrando em simpatias, mas de nada adiantou. No máximo um matutino tesão de mijo, reduzido à habitual insignificância depois do primeiro jato. Até que um dia, ao abrir o jornal na página de saúde, ouviu anjos cantando aleluias e hosanas nas alturas. Tinham inventado o Viagra. Bastava engolir um comprimido e o vulcão, mais do que extinto, voltava a entrar em erupção. Depois de algum tempo, temeroso de ser reconhecido, vestiu terno, pôs chapéu, capa de chuva, óculos escuros e foi à farmácia, onde, meio gago, pediu uma caixa do tal comprimido milagroso. Foi só colocar o pacotinho no bolso e sentir uma vibração esquecida há décadas. Chegou em casa e, trêmulo, mandou um comprimido goela abaixo, assim mesmo sem mulher, só pra ver o que acontecia. Tirou a roupa, sentiu sinais de vida nos países baixos, e, para se preparar, começou a fazer abdominais para relaxar. Foi achado dois dias depois, já fedendo, engasgado com o próprio mastruço que aboncanhou sem querer, no afã de treinar os movimentos há muito esquecidos.
Resultado: o vovô viu o Viagra e se engasgou...

Geleia geral
... Sem sensacionalismo barato e sem excesso de gritaria, Cláudio Luiz está mandando bem, manhã cedinho na TV Atalaia, no comando do "Balanço Geral". Simpático e dono de um carisma incomum, Cláudio, que é baiano, já conquistou os sergipanos que curtem o seu programa. Aplausos. De pé.

... Depois de inúmeras apresentações de sucesso além-fronteiras, "O Corcunda de Notre Dame", brilhante musical infanto-juvenil pilotado por Tetê Nahas volta a ser encenado em Aracaju quando agosto vier. Quem não viu, irá ver um dos melhores espetáculos teatrais produzidos na Aldeia Serigy nos últimos vinte ou trinta anos. E pra quem já viu, vale rever.

... Se o desempenho da seleção canarinho foi desastroso na Copa 2014, o que dizer dos shows da abertura e encerramento? Um verdadeiro exemplo de mau gosto e incompetência, num investimento de milhões de reais. Cruz, credo!

Tédio
"Sei que o cinema francês adora o realismo, aquela coisa de abrir a janela e filmar a vida. Só que eu acho isso um tédio. (...) reproduzir a realidade é como tirar uma xerox." - Jean-Marie Larrieu - cineasta. Revista Preview, edição de maio/2014