Lojas franqueadas da Oi podem fechar em Sergipe

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Publicada em 23/07/2014 às 00:51:00

Milton Alves Júnior

Um impasse judicial entre a Associação Nacional dos Lojistas Oi (ALO) e a diretoria executiva do grupo de telecomunicações tem resultado em grandes prejuízos para centenas de nordestinos e demissões em grande escala nos últimos oito meses. Conforme denúncia, recentes mudanças no contrato das franqueadas e nas práticas comerciais que vêm sendo impostas pela operadora, em detrimento dos lojistas, cujos negócios vêm apontando sucessivos prejuízos nos últimos anos, já foram suficientes para a desoneração de 495 funcionários. No Estado de Sergipe 16 pessoas foram demitidas e dois estabelecimentos fecharam as portas entre outubro de 2013 e o último mês de junho.

Empresários de dez cidades, entre elas: Salvador (BA), Recife (PE), Natal (RN), São Luís (MA) e Fortaleza (CE) já registraram o acúmulo de prejuízos e não descartam a possibilidade de novas demissões até o próximo mês de setembro. Em Aracaju, caso a briga judicial não seja definitivamente cessada, o índice de desemprego também deve registrar alta nas próximas quinzenas. Na tentativa de buscar acordos que viabilizem o retorno do progresso comercial e contribuição por parte da própria administração geral da Oi, membros da ALO estão pleiteando uma reunião extraordinária e imediata com o presidente da companhia, Zeinal Bava.

Segundo o diretor da associação, Deusimar Júnior, a empresa de amplo conceito popular no Brasil vem atuando de maneira desleal e que compromete o futuro de milhares de trabalhadores que, por ventura, sempre acreditaram na coerência e missão da Oi, fundada em junho de 1998. "A situação é tão complicada que a empresa chegou a adquirir lojas ao lado das nossas em shoppings para acelerar nossa falência. Em Alagoas ocorre um dos casos que mais chama a atenção. A Oi recentemente colocou tapumes informando a abertura de uma loja própria ao lado de uma loja franqueada que há anos está estabelecida no local". Diante destes problemas na política de remuneração, o grupo apresenta retrocesso nos 75 municípios sergipanos.

Conforme dados apresentados pela Agência Nacional de Telefonia (Anatel), a Oi, que já foi apontada como a líder de vendas em todo o Brasil e apresentou baixo índice de reclamações se comparada às demais, hoje em Sergipe 'amarga' a terceira posição no ranking comercial. Preocupado com o futuro dos franqueados, Deusimar, que também é proprietário de estabelecimentos em Teresinha (PI), por telefone informou ao Jornal do Dia que a tendência em Sergipe é que as dificuldades empresariais sejam ampliadas com a instalação de loja própria da Oi. Sem ter a quem reivindicar parecer favorável, ele disse esperar pela justiça brasileira há mais de um ano.
"Em 2002 um contrato de política comercial foi criado pela empresa informando que a Oi não teria loja própria. Desde 2010 a empresa vem quebrando esse contrato, asfixiando os trabalhadores e mexendo no equilíbrio do negócio. É bem provável que uma loja da própria operadora seja aberta em Sergipe e aumente o número de desempregados das franquias", declarou. Paralelo ao descumprimento da própria Oi, a empresa permanece cobrando uma multa estipulada no valor de 500 mil reais para aqueles que deflagram falência. Na ação ajuizada em junho de 2013 a ALO exige o fim da abertura de lojas próprias, fim de mudanças no contrato sem prévio acordo com os lojistas, e extinção da multa rescisória.
"Desde que entramos com a ação ela está acelerando a construção de lojas próprias. Onde tem uma loja de 80 m², ela abre uma de 160 m² com layout moderno e maiores oportunidades de compra. Eles quebram abertamente o contrato, mas quando anunciamos o fechamento somos obrigados a pagar a multa registrada nessa mesma política de comércio", pontuou.
O Jornal do Dia tentou entrar em contato com a Central de Atendimentos, ou Assessoria de Comunicação da Oi em Sergipe, mas em nenhuma das ligações obteve êxito.