Arthur Matos lança 'Accidental Light'

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Uma espécie de Nick Drake extemporâneo
Uma espécie de Nick Drake extemporâneo

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Publicada em 24/07/2014 às 00:45:00

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Arthur Matos é um cultor da forma. As canções reunidas no recém lançado Accidental Light (2014) - terceiro rebento de uma discografia rara, indispensável à compreensão do lugar ocupado pela música parida no coração da aldeia na cartografia sensível do resto do mundo - valem-se mais uma vez de um registro impecável, atento aos detalhes e miudezas da produção, para tomar o pulso sob os propósitos do compositor.
Arthur não fez segredo do astral pretendido para o disco. Dessa vez, a artilharia apontaria "pra cima". Dito e feito. Convém mencionar, contudo, que o folk/pop upbeat encarnado nas 11 faixas em questão não promove divórcio, nem ruptura com a sonoridade dos primeiros registros. Poucos artistas são tão constantes e regulares. Na alegria e na tristeza, em bom português ou na língua do Tio Sam, interessam-lhe timbres, texturas, ambiências e nuances.

Importante ressaltar a parceria já duradoura com Fabrício Rossini, que mais uma vez coloca a mão na massa e solta a munheca em baixos e guitarras, além de assinar a produção. Outra figura recorrente, que ataca de teclados, harmmonium e glockenspiel é o músico Rafael Ramos. Os três formavam o núcleo criativo da saudosa Nantes e aprenderam a trabalhar as influências declaradas de Arthur para dar vazão aos impulsos assinados pelo seu violão acústico - esteio harmônico de todas as canções.
Se antes o trabalho da banda pecava pela reverência excessiva às viagens de Brian Wilson, no entanto, hoje Arthur é mais ele mesmo - uma espécie de Nick Drake extemporâneo. E Accidental Light testemunha o quanto tal encontro lhe fez bem.

O seu lugar (2012) - Para fincar bandeira no cancioneiro local, reivindicando a parte que lhe cabe nesse latifúndio, Arthur Matos não precisou, contudo, negar os seus. "Seu lugar" (2012) não foi apenas o primeiro lançamento daquele ano. Em sua estreia solo, Arthur reafirmou a visão do exercício musical como profissão de fé, convicção já muito evidente nos trabalhos lançados pela extinta banda Nantes. Nenhuma concessão.
Pacífico Atlântico (2013) - Um disco ensolarado. A base acústica das composições reunidas no registro poderia sugerir um pendor para a melancolia, mas aqui o músico escancara portas e janelas. Um otimismo bucólico, traduzido nas fotos promocionais de Marcelinho Hora, aflora também em versos dedicados a uma afirmação de maturidade. Os arranjos assinados por Fabrício Rossini (que toca de tudo um pouco e ainda assina a produção de Pacífico Atlântico) derramam uma alegria tranquila ao longo das 11 faixas do disco.