Albano: súbito empenho

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Publicada em 28/07/2014 às 15:42:00

Quem acompanha a política sergipana nos últimos 30 anos está impressionado com o súbito empenho que o ex-governador Albano Franco demonstra nas eleições deste ano, em relação às candidaturas de Eduardo Amorim (PSC), ao governo do Estado, e Maria do Carmo Alves (DEM), para o Senado. Albano nunca foi de se envolver diretamente em campanhas eleitorais quando não era candidato.

A única exceção até então havia ocorrido em 1986 do século passado, quando ocorreu a disputa entre Antonio Carlos Valadares e José Carlos Teixeira pelo governo do Estado. Naquela época o engajamento se deu apenas em função das mudanças na política nacional, o fim do regime militar, e Albano, na época senador, lutava para recuperar o prestígio que tinha até então junto aos governos dos generais. Com José Sarney na presidência era Jackson Barreto (PMDB) e João Alves Filho, na época PFL, que ditavam as cartas de Sergipe junto ao governo federal. A conquista do governo do Estado, que acabou ficando com Valadares, poderia reabrir espaços em Brasília.

Nestas eleições, Albano tem como representantes diretos o filho Ricardo (PTB), candidato a primeiro suplente na chapa de Maria do Carmo, e o sobrinho Augusto Franco Neto como candidato a vice de Amorim. No período pré-eleitoral, Albano teve que operar com eficiência para superar a desconfiança de João e Maria, traídos sucessivamente por ele em pleitos anteriores, abrir o cofre, prometer financiamento direto da campanha e buscar o apoio de lideranças políticas para fortalecer a chapa.

O dinheiro está saindo, mas Albano Franco passou a ser surpreendido com a preparação de campanha feita pelo deputado federal Rogério Carvalho (PT), candidato a senador na chapa do governador Jackson Barreto. Muitos dos que sempre seguiram o ex-governador, a exemplo da prefeita de Itaporanga, Gracinha Sobral (PSDB), hoje estão comprometidos com a candidatura de Rogério, em função do acompanhamento que ele dá a essas lideranças desde que se elegeu deputado estadual, há oito anos, reforçado na campanha de 2010 quando foi o deputado federal mais votado, e mais ainda em 2012, quando Gracinha teve o seu apoio para retomar a prefeitura. Hoje Albano está negociando é com pequenas lideranças que prometem 50 ou 100 votos e candidatos a vereador em eleições anteriores que, como ele bem sabe, trocam de candidato umas duas ou três vezes antes do dia da eleição e ainda acabam seguindo o seu líder municipal.

Albano Franco perdeu a eleição para o Senado em 2010 porque lançou a sua candidatura de última hora e se rotulou de 'independente' para poder surfar entre os eleitores de Marcelo Déda (PT) e João Alves Filho que disputavam o governo, conquistado pelo petista. Como ocorre este ano, na época, Albano ficou sem lideranças para poder 'operar' da forma como ele gosta porque a maioria dos seus tradicionais cabos eleitorais já estava comprometida com outras candidaturas.

Depois da derrota, Albano anunciou a sua aposentadoria política, foi banido e depois readmitido pelo PSDB e agora encontrou um caminho mais fácil de ver um Franco no Senado. Quando visita uma liderança, o ex-governador garante que João e Maria se comprometeram a, em caso de vitória, se licenciar imediatamente do cargo para que Ricardo Franco assuma o mandato e possa seguir as suas orientações em defesa do mercado e, principalmente, interferir nos processos de renovação das concessões das emissoras de rádio e TV de sua família.

Como os irmãos Amorim foram avalistas do acordo entre João e Albano para assegurar Ricardo Franco na primeira suplência da candidatura de Maria, Albano também teve que se envolver diretamente na campanha de Eduardo. Foi ele quem conseguiu convencer o irmão Walter a aceitar a indicação de Augusto Franco Neto como candidato a vice, fazendo até com que o senador Aécio Neves, candidato do PSDB a presidente, tratasse do assunto com várias ligações para Walter Franco.
Também foi Albano quem trouxe o marqueteiro pernambucano Antonio Lavareda, que sempre acompanhou os tucanos e prestou consultoria ao governo de Sergipe na época em foi governador, para a campanha de Eduardo Amorim.
Hoje, antes mesmo do início da propaganda eleitoral, no rádio e na tevê, Albano parece já ter percebido que em muitos casos pedir votos para os outros é mais difícil do que tentar se eleger. E, pior ainda, justificar alianças injustificáveis.

Suplência
O empenho de Albano Franco em consolidar a candidatura a reeleição da senadora Maria do Carmo é um exemplo claro das negociatas que ocorrem na definição dos suplentes de candidatos ao senado. Albano conseguiu a indicação do filho Ricardo com o compromisso de, em caso de vitória, Maria se afastar automaticamente da cadeira. Essa excrescência faz com que 1/3 do senado seja ocupado por políticos sem votos.

Kaká
Albano parece ter aprendido a lição com Eduardo Amorim. Na eleição de 2010, Eduardo teve como suplentes o então grande empresário Laurinho da Bomfim e o engenheiro Kaká Andrade, que na época era o prefeito de fato no município de Canindé do São Francisco. Laurinho e Kaká participaram diretamente do financiamento da campanha de Amorim, da mesma forma que Albano faz agora em relação à candidatura de Maria. Com um detalhe: depois da eleição Laurinho assumiu por quatro meses, mas quebrou e hoje foge dos credores, a maioria ex-empregados, em Miami; Kaká, que assumiu semana passada, viu a sua família perder as eleições para prefeito de Canindé em 2012, vencida pelo pastor Heleno.

Explicação
Aliás, sobre a sua presença na posse de Kaká Andrade como senador suplente, na última quinta-feira, o deputado estadual Jeferson Andrade (PSD) justifica que foi a Brasília na condição de primo. Jeferson explica que em função da disputa política em Canindé, como o prefeito Heleno Silva se engajou na campanha do governador Jackson Barreto, Kaká e o ex-prefeito Orlandinho já estavam apoiando a candidatura de Amorim. "O meu compromisso é com a candidatura de Jackson e isso está mantido em todos os municípios onde sou votado", garante o deputado, que é filho do conselheiro do TCE Ulices Andrade.

O contador
É muito estranho que os assessores da família Amorim tentem atribuir 'distúrbios mentais' ao contador Max Alves dos Santos, que na última sexta-feira cometeu o suicídio ao pular da ponte sobre o Vaza-Barris no município de São Domingos. Max é o contador da família há mais de 20 anos e acompanhava Edivan Amorim desde a época da Transportadora Sergipana e dos famosos empréstimos do Banestado.
Rogério
Rogério Carvalho passou boa parte do final de semana dando orientações a assessores para colocar a campanha nas ruas a partir desta segunda-feira. Desde as convenções, o candidato a senador vem participando de atos promovidos pelo candidato a governador Jackson Barreto e se reunindo com lideranças políticas. A partir de agora a campanha vai tomar as ruas.

Equipe
Rogério mesclou a sua equipe de campanha com profissionais de Sergipe e Brasília. Ele trouxe especialistas de fora para cuidar principalmente das mídias sociais, hoje fundamentais numa campanha eleitoral. Rogério já está expondo suas propostas em todas as mídias. O programa no horário gratuito na TV terá também a coordenação de Carlos Cauê, que cuida da campanha de Jackson.

Mesmo dono
As campanhas de Jackson Barreto e Eduardo Amorim estão sendo produzidas em produtoras pertencentes ao mesmo empresário, Wilson Góis. A WG, que ocupa o novo prédio na avenida em frente aos mangues da Coroa do Meio, é o "QG" da campanha de Jackson; a antiga produtora, atrás do farol, agora com nova razão social e batizada de MK, cuida da campanha de Amorim. Será que uma socorre a outra em caso de pane num equipamento?

Jackson
Depois do sucesso de público na festa de inauguração do comitê central de sua campanha à reeleição, o governador Jackson Barreto fará caminhadas, carreatas e outros atos para manter a campanha nas ruas. Hoje tem carreata no Rosa Elze e Eduardo Gomes, em São Cristóvão, primeira ofensiva da campanha depois que Armando Batalha abandonou o grupo.

Milionários
No discurso durante a inauguração do comitê, Jackson foi enfático: "Não podemos permitir que o estado de Sergipe seja uma banca de negócios para os interesses dos milionários". Jackson viu na manifestação a certeza da vitória em 5 de outubro. "É a campanha que vai marcar Sergipe como no passado, é a campanha do povo contra os milionários que se juntaram do outro lado. É o povo enfrentando a maior cadeia de comunicação do Estado. Mas o povo vai derrotá-los", afirmou.

Comitês
Enquanto Jackson optou por um comitê tradicional na Avenida Barão de Maruim, na área central, aberto ao público, Amorim vai inaugurar o seu comitê na próxima sexta-feira, 01, no bairro Jardins, símbolo da nova burguesia sergipana. E usando tecnologia de ponta.

Mais um
Na quarta-feira, 23, chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o pedido de registro do Partido Novo. O partido em formação pede para usar a sigla NOVO e ser identificado com o número 30. De acordo com o pedido, já foram atendidos todos os requisitos de criação, inclusive a assinatura de 493.316 eleitores que apoiam a formação da legenda. Atualmente existem 32 partidos políticos devidamente registrados no TSE.