Zé P E I X E

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Publicada em 06/08/2014 às 00:29:00

* José Wilson Brito Couto

Você sabe quem foi Zé Peixe?  Figura folclórica de Aracaju nasceu em nossa Capital aracajuana, no dia 05.01.1927. Recebeu o nome de batismo José Martins Ribeiro Nunes.  Foi casado com Dª Maria Augusta de Oliveira Nunes, funcionária dos Correios e Telégrafos. Sua profissão: "Prático", isto é, responsável pela condução das embarcações de grande porte (navios, rebocadores, ou qualquer outra de grande "calado") que necessitassem navegar na entrada da barra, do Rio Sergipe com o Oceano Atlântico.

Sua responsabilidade era tamanha, que por lei, nenhum comandante naval poderia conduzir seu barco naquela faixa marítima. O timão passava para as mãos do intrépido, audacioso e altamente competente prático navegador.

Lotado na Capitania dos Portos do Estado de Sergipe, segundo dizem, era um dos maiores salários pagos a um funcionário daquela natureza. Após sua morte, a Marinha homenageou-o com uma estátua em bronze de corpo inteiro, hoje exposta na sede da Capitania em Aracaju.

O Governo do Estado também, em reconhecimento aos seus bons serviços, prestigiou-o, colocando seu nome em um prédio sob o título "Espaço Público Turístico Zé Peixe" no local da antiga estação hidroviária.
Pessoa de hábitos simples possuía para seu transporte pessoal, uma bicicleta velha e vivia diariamente vestido com uma bermuda "batida e gasta pelo tempo". Seu "escritório" ou local de trabalho, foi o Rio e o Mar. Conhecido internacionalmente, já foi matéria dos principais jornais do país, assim como também assunto das redes de televisão Globo, SBT, Bandeirantes, e das revistas Veja e IstoÉ.
Também conhecida com a alcunha de Rita Peixe, era sua irmã a controladora das finanças do famoso aquático

Morava na Avenida Ivo do Prado N° 704 cuja residência continua no mesmo lugar.
Sua maneira de viver, diferente dos outros mortais, "só tomava banho doce uma só vez no ano, no dia de sua madrinha Nossa Senhora da Conceição da qual era devoto, e mesmo casado com Dona Maria Augusta, por mais de cinqüenta anos, nunca a "fez mulher". Diziam que ele mantinha esse sacrifício, pois acreditava que se não cumprisse     com essa obrigação, afundaria.

Mas você sabe, hoje onde estão seus restos mortais? Depois de tantas homenagens, estátua, nome de prédio, exemplo difundido por todo o país via veículos de comunicação? Naturalmente que o pensamento humano, depois de tantas homenagens, não podia ser diferente. Responderiam. Em algum cemitério, protegido por um mausoléu revestido de mármore onde se lia as famosas frases "Aqui Jaz" e as invocações costumeiras, pedindo ao Criador iluminação para os caminhos eternos, caminhos estes que só Deus sabe conforme nos é dado por nossos merecimentos.

Eu sei onde estão!  Pasmem.  Em um "chão" simples, abandonado, sem nenhum beneficiamento, no Cemitério Santa Isabel, cujo registro é Praça do Mausoléu 1 N°30. Lá está em uma área cercada de grade metálica de um túmulo jazigo Perpetuo pertencente a Horácio Martins (*07.07.1866 +28.07.1903). O abandono é tamanho, que nem vegetação que cavalo não come nasceu lá. Sabe-se que é dele porque as mãos caridosas de um coveiro rabiscaram sobre a pedra suja a frase "Zé Peixe" Isso é apenas mais uma afirmação de "que ao pó voltaremos". A humanidade é isso aí. Não se leva orgulho, dinheiro, posição social, cor da pele, nada! Que Deus se apiede dele e de todos nós. Amem!

* José Wilson Brito Couto é professor Emérito da UFS (Aposentado)