Professores da UFS de Lagarto fazem protesto hoje

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Publicada em 08/08/2014 às 00:47:00

Cândida Oliveira
candidaoliveira@jornaldodiase.com.br

A paralisação dos docentes da Universidade Federal de Sergipe (UFS) em Lagarto completa hoje 89 dias. O campus de Lagarto enfrenta uma série de problemas estruturais que impedem o retorno das aulas.
Hoje, os professores fazem ato público em frente ao campus e seguem em caminhada, com paradas nos locais de prática (Casa da TO, Maternidade, Clínica da Nutrição, Clínica da fono e da Fisio) até a praça Filomeno Hora. Na próxima quarta-feira, 13, às 9h, o ato acontece na frente da reitoria do campus São Cristóvão.

De acordo com a presidente da Associação dos Docentes da UFS, Bracilene Araújo, não há condições para o início do período letivo. "A categoria permanece forte na luta até que a pauta de reivindicações seja atendida", destacou.  Segundo ela, a reitoria resolveu alguns problemas de infraestrutura, mas a negociação para a compra de material e equipamentos para aprendizagem em determinados cursos, como o de Farmácia e a montagem das Clínicas-Escolas não avançou. "Sabemos que existe o processo de licitação, mas esse andamento está lento, pois pedem uma documentação de cada vez, quando poderiam solicitar tudo de uma só vez, fato que agilizaria a compra dos materiais".
Apenas os professores dos cursos de Medicina e Enfermagem retomaram as atividades docentes. "A decisão foi desprovida de qualquer legitimidade, desconsiderando os espaços de discussão e deliberação pela paralisação, condução do movimento ou mesmo de retorno às atividades", avaliou Bracilene.

Lagarto - Os professores da rede de ensino da cidade de Lagarto retomam as atividades hoje, 8. A Justiça decretou a ilegalidade da greve e caso os professores continuassem paralisados a multa diária seria de R$ 20 mil. Desde o dia 21 de julho a categoria estava em greve por não concordar com a forma de pagamento do retroativo proposto pelo prefeito da cidade, Lila Fraga.
Os docentes queimaram um boneco representando Judas, ontem, 7, em frente à prefeitura. No mês de julho também ocuparam a sede do poder executivo durante quatro dias. De acordo com um dos coordenadores da sub-sede Centro Sul do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Oficial do Estado de Sergipe (Sintese), Nazon Barbosa, as conversas com o prefeito não surtem efeito. "Ele insiste em nos pagar o retroativo - a data base da categoria é janeiro - em 12 parcelas a serem iniciadas em janeiro de 2015 e o reajuste só inicia em agosto se aceitarmos a forma de pagamento do retroativo".

A rede educacional da cidade conta atualmente com 17 mil alunos e 1.160 professores. "Temos o segundo maior Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais de Educação, que terá aumento de 11% em 2014, enquanto os professores tiveram reajuste de 8,32%, então, não há motivos para tantos parcelamentos", diz o professor.
Como o prefeito alega falta de recursos, o Sintese sugeriu que fosse criada uma comissão paritária, com representantes de ambas as partes para que se realizado um estudo do impacto da folha de pagamento da prefeitura. "Eles não aceitam nossa proposta e já comunicaram que desejam negociar o pagamento do salário de dezembro. Onde vamos parar dessa forma?", questiona o sindicalista.