Release party no Capitão Cook

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DivaGAndo com a cria mais nova
DivaGAndo com a cria mais nova

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Publicada em 08/08/2014 às 00:53:00

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Há razões de sobra para recomendar a apresentação do trio The Renegades of Punk, hoje à noite, no Capitão Cook. Recém chegada de uma turnê na Europa, a banda liderada pela vocalista Daniela Rodrigues - punk, vegana e feminista - tem barulho de sobra, pra dar e vender.

Velocidade e distorção, contudo, não resumem a ópera de muitos berros e poucos acordes que une os nativos do subterrâneo, mundo afora. Não é novidade para quem já conferiu uma edição do Clandestino - levante punk promovido de tempos em tempos pelos renegados, sem aviso prévio, amplis e batera no meio da rua. Para eles, é preciso partir para o ataque. "A aura do confronto faz parte do que somos, do lugar de onde viemos".

A release party desta noite conta com o violão fudido da Zeferina Bomba (PB) e é realizada sob pretexto de apresentar o vinil 'Coração Metrômeno', além do EP 'Espelho Negro' (2014), crias mais recentes da ROP, paridas na base do faça você mesmo. "Uma festa de lançamento atrasada".

Jornal do Dia - Quando alguém chega de longe, uma curiosidade natural sucede as boas vindas. Correu tudo bem com o rolezinho nas Oropa? A experiência enriquece a banda de alguma maneira?

Daniela Rodrigues - Com certeza! Correu tudo ótimo. Tocamos mais ou menos no mesmo esquema daqui, nesse cenário global punk rock faça-você-mesmo, mas tocamos em lugares onde a prática já está consolidada, com estrutura no mínimo razoável. Tocar e viajar de van todo os dias da semana é uma experiência única. Algo que às vezes beira o surreal. Foi uma viagem importante e acho que ajudou a amadurecer a Renegades como banda.
 
JD - Eu não sou pago pra rasgar seda à toa, e acho que me posso me gabar de um olhar mais ou menos criterioso sobre o que rola por essas bandas. Pra mim, a ROP é peixe grande no aquário. Vocês estão satisfeitos com a projeção alcançada até agora? Há ambição de se fazer conhecidos de uma galera maior, chegar mais longe com o som da banda, ou vocês temem "perder a ternura"?

Daniela - Nós somos mais uma banda, apenas. Tocamos por que gostamos e porque ainda vemos sentido em nos expressar dessa forma. Eu particularmente não veria problema em viver de música ou chegar a públicos maiores, mas não acho que essa é uma realidade com essa banda especificamente. Não acho que nosso som agradaria muita gente e nem acho que seríamos "vendáveis", digamos assim. Caso ocorresse de forma espontânea, natural, seria tranquilo, mas acredito que seria ingênuo pensar na possibilidade. "Perder a ternura" é algo que pensamos, sim, quando conversamos, mas, sinceramente, é algo tão remoto que nem levamos muito em conta.

JD - A ROP promoveu recentemente mais uma edição do Clandestino, uma iniciativa digna de todos os aplausos, que coloca em pauta (talvez, de maneira involuntária) a ocupação do espaço público, o lugar do exercício artístico no ambiente urbano de nossos dias, e a função social do berro. São temas muito sensíveis na percepção da própria cidade, concorda comigo? Vocês têm ciência da dimensão estética/política do Clandestino?

Daniela - Concordo. Acho que você tocou em pontos certeiros. Gostamos da ideia também de voltar a trazer um certo perigo a essa vidinha calma e assentada dos "rolês balada". E quando falamos isso não nos opomos às festas, baladas, shows de todo o tipo - diversidade é fundamental. Tampouco queremos dizer "o que é certo" em termos de abordagem "artística". Mas a aura do confronto faz parte do que somos, do lugar de onde viemos.

O punk rock, mesmo que tenha sido assimilado hoje em dia, tem toda uma história e comprometimento com a contra-cultura, o choque, o confronto. A ideia também é criar uma relação diferenciada entre os chamados "público" e "artistas"; tentamos deslocar e fundir um pouco essas barreiras quebrando a relação de mero expectador X artista e fazendo com que todos façam parte do mesmo fluxo.
Por certo que não tenho muita noção dos desdobramentos que isso acarreta. Esperamos sinceramente que sejam bons frutos, que nos faça sermos menos apáticos. Até porque, para nós, política está em tudo, inclusive na música e na forma de disseminá-la.

JD - E daqui pra frente? Quais as cenas do próximo capítulo? Tem disco novo no horizonte?

Daniela - Acabamos de lançar na turnê um novo compacto, um EP em 7'' chamado "Espelho Negro" e estamos começando a divulgá-lo. É o primeiro material inédito depois do nosso primeiro álbum, "Coração Metrônomo", que saiu em 2012. Também acabamos de pôr nossas mãos no LP "Coração Metrônomo", material que veio com atraso, pós-turnê, mas que agora vamos tentar passar para o maior número de pessoas possível. Estamos saindo de um breve descanso - merecido - e voltando às atividades. Ainda não conversamos sobre disco novo, mas deve acontecer naturalmente nos próximos meses.

The Renegades of Punk e Zeferina Bomba (PB) no Cook:
Sexta-feira, 08 de agosto, a partir das 22 horas