Senado fortalecido

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Publicada em 12/07/2012 às 14:21:00

Demóstenes Torres foi cassado ontem por seus colegas senadores, sob a acusação de ser parceiro do bicheiro Carlinhos Cachoeira na exploração de jogos ilegais. O placar da votação (56 votos contra 19, além de cinco abstenções) traduz a pressão realizada pela opinião pública. Político gosta de jogar para a plateia.

Não que as acusações que pesam sobre o senador cassado sejam brandas. A ausência de compromisso com a verdade, flagrada em discurso proferido no último dia 6 de março, quando negou qualquer ligação com Cachoeira, além de uma antiga amizade, e de nunca ter defendido interesses do negócio dos jogos ilegais, é realmente incompatível com o exercício de qualquer cargo público. No entanto, o corporativismo observado no cotidiano do parlamento já salvou o pescoço de muito criminoso em pele de homem público.

Nos 186 anos de história do Senado, Demóstenes foi o segundo senador a perder o mandato. O primeiro foi Luiz Estevão de Oliveira (PMDB-DF), em 2000. Com a perda do mandato, Demóstenes fica inelegível por oito anos contados a partir do fim do mandato para o qual havia sido eleito. Ou seja, só poderá concorrer a um cargo político em 2028. No entanto, para que o episódio ganhe a importância de evento histórico, é preciso que ele seja acompanhado pela apuração e julgamento rigorosos sempre que a credibilidade das instituições seja colocada em risco por desvios éticos individuais ou de agremiações partidárias. Quando concluído, o julgamento do caso do Mensalão, por exemplo, poderá ser tomado como uma espécie de diagnóstico a respeito da tolerância nutrida pelas nossas instituições democráticas em relação aos atentados que as ameaçam.

No fim das contas, ao menos por enquanto, interessa o fato de o parlamento ter deixado claro que certos comportamentos, quando descobertos, não podem ser subestimados. Como instituição, o Senado sai engrandecido desse embate.