Senhora dos Restos no Teatro Atheneu

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Merecedora de taodos os aplausos
Merecedora de taodos os aplausos

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Publicada em 13/08/2014 às 00:09:00

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Por enquanto, eu tenho apenas um motivo para recomendar o espetáculo Senhora dos Restos, monólogo interpretado pela atriz Isabel Santos que estreia esta semana no Teatro Atheneu: A assinatura de Euler Lopes. Não faltam personagens de grande vulto no teatro realizado em Sergipe. A própria Isabel Santos é merecedora de todos os aplausos. Poucos autores conseguem destrinchar uma ladainha com tanta fluidez, no entanto, quanto o jovem dramaturgo mencionado.

Jovem, aqui, é a palavra chave. Euler Lopes vem engendrando um discurso completamente amparado pelas angústias do ser contemporâneo. Foi assim na montagem recente de 'Ela esteve aqui', na Casa Rua da Cultura. Um sopro de renovação necessário, fundamental para provocar a empatia das platéias, sem a qual nenhuma bilheteria se sustenta.
Eu devo voltar ao espetáculo em artigo mais demorado, depois de conferir a estreia. Por enquanto, fica a dica.

O espetáculo - Dos restos do Mercado Municipal, sobrevive uma velha, conhecida como Senhora dos Restos. Abandonada há anos, ela tem se tornado atração da cidade por ser a única que consegue ver a cidade com lucidez.
A Senhora dos Restos é a representação viva da miséria, do abandono, da marginalização. É a porta-voz dos despossuídos, que questiona o crime, o amor, a vida. Através de sua história somos guiados para um mundo desconhecido, o mundo dos miseráveis, que são privados de qualquer e todo tipo de direito. A Senhora dos Restos nos leva a uma reflexão sobre o que é viver em sociedade, e sobre a nossa participação na forma que ela é construída, marginalizando, oprimindo, destinado pessoas aos raestos.

A contemporaneidade da narrativa nos remete a questões pujantes da sociedade brasileira, como a fome, miséria, educação básica e de qualidade para todos, igualdade entre os seres humanos, valorização da mulher, redução da mortalidade infantil, qualidade de vida e respeito ao meio ambiente. Temas dos Objetivos do Milênio da Organização das Nações Unidas- ONU, ecoam pelos brados da velha mulher, que vivendo de restos, não permite que nossa consciência silencie.

O cenário é uma construção a partir de material reciclado e doado à Dicuri Produções. Os figurinos, uma revelação de inúmeros seres humanos andarilhos, retrata os resultados da desigualdade social e os diversos problemas enfrentados pelos moradores de rua, as humilhações e submissões para se adquirir alimento e, principalmente, os casos de violência praticados pelos jovens e ricos seguidos da impunidade, comum em tantos casos.
Senhora dos Restos nos revela conteúdo para além de signos, transcende cenas que nos ligam a brasileiros e brasileiras como o índio Galdino, o artista Bispo do Rosário, o sociólogo Betinho, de Chico Mendes, Margarida Alves e Maria da Penha.

Senhora dos Restos
Teatro Atheneu, 14 de agosto (quinta-feira), às 21 horas.