ESCOLA, UM LUGAR PERIGOSO

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Publicada em 31/08/2014 às 15:06:00

Está gravemente ferido, lutando pela vida num hospital, o professor que numa escola aracajuana foi atingido pelos tiros disparados por um aluno. O criminoso adolescente confessou depois, que, não satisfeito com a nota que lhe dera o professor decidiu matá-lo. O Brasil, sabe-se agora através de um relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) é o país que ocupa a triste condição de ter as escolas mais violentas.
Já houve tempo entre nós em que o professor era uma figura respeitada, quase reverenciada. Esse tempo não está historicamente distante, aqueles, com mais de 60 anos lembram-se dele, porque sabem como funcionavam as escolas, o sentido de ordem e disciplina que nelas existia, um culto a valores, que, poderão dizer alguns, é um sentimento ultrapassado. Mas não eram apenas valores morais, que sem duvidas mudam, se adaptam à evolução social, os valores aos quais nos referimos são valores humanos, e esses nunca se tornam velhos, obsoletos, porque são eles que conferem dignidade à condição humana.
Aracaju era cidadezinha atrasada, sufocada por preconceitos, pelo falso moralismo, e havia enorme exclusão social, mas, nas escolas públicas e particulares se insistia em inculcar nas cabeças em formação o conceito indispensável de direitos e deveres.
No Atheneu acontecia uma permanente agitação cultural, organizavam-se grêmios, ocorriam embates de ideias. O procurador hoje aposentado, Iroito Dória Leó, criou a Arcádia Estudantil onde os árcades eram admitidos depois de comprovarem cultura, saber, em algum ramo do conhecimento humano. Por muito tempo publicou-se O Áracade, sacrificadamente mimeografado. Existia um sentimento de valorização do saber e tudo isso contribuía para a formação de valores. Mas existia um clima propício à convivência respeitosa entre o alunado e entre alunos e professores.
Talvez esse ambiente fosse um antídoto contra a irresponsabilidade, o desrespeito e a violência.
É preciso não se esquecer dos tiros que atingiram um professor numa escola pública. Não deixar que o episódio terrível venha a ser minimizado ou desprezado.
É preciso que não aceitemos a convivência omissa ou covarde com a violência. As pragas sociais são bem piores do que epidemias como o vírus ebola. Para elas só existe um antídoto, que é a desprezada cultura da paz. Precisamos reconstruí-la.