RETRATO DE UMA CAMPANHA

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Publicada em 31/08/2014 às 15:08:00

Um candidato a deputado federal transportou para Canindé a bela quantia de 200 mil reais, em espécie, para ser entregue a uma liderança local em troca de algo próximo a mil votos. A liderança que recebeu o pacotaço de dinheiro daria uma parte dele a uma liderança menor, que teria embolsado a grana, mas diz que não a recebeu, e está livre para arranjar votos para outro candidato. Já está sendo chamado de ladrão pela liderança de maior porte a quem foi confiada a bolada. Enquanto o sangangu não se resolve os envolvidos na trapalhada estão recebendo cobranças do candidato que deu o dinheiro e quer os votos pelos quais pagou. E o eleitor, coitado, nunca adquire consciência política e vai sendo ludibriado com as migalhas que sobram do festim dos ricos que se transformam em políticos, e dos seus cabos eleitorais, malandros, que lucram à custa da vulnerabilidade do povo causada pela pobreza e pela desinformação. Numa democracia assim, capenga como a nossa, na qual o poder econômico tudo decide, cria-se o espaço enorme onde prosperam os políticos fabricados, que, eleitos, irão servir a interesses particulares.