Crônica de uma tragédia anunciada

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Publicada em 13/07/2012 às 15:24:00

Onde falta bom senso, sobra irresponsabilidade. Ainda é cedo para apontar os culpados pela tragédia que envolveu a final da Copa do Brasil, no bairro Siqueira Campos. Espera-se que um inquérito seja instaurado para apurar as circunstâncias que colocaram em risco a vida de dezenas de pessoas. No entanto, é certo que o acidente poderia ter sido evitado.

A Superintendência Municipal de Trânsito e Transporte (SMTT) de Aracaju tinha conhecimento do evento e determinou a interdição do tráfego de veículos pela Avenida Rio de Janeiro e parte da Rua Nunes Mendonça.

Nenhum órgão tomaria medida semelhante sem a previsão de uma grande convergência de pessoas para o mesmo local, no mesmo horário. A quantidade de torcedores que estavam na parte superior do imóvel que desabou durante a partida de futebol ainda é desconhecida. No entanto, a matemática é simples: Tinha gente demais pra estrutura de menos.

Por outro lado, chama atenção a pouca idade dos vitimados pela tragédia. Entre os nomes divulgados pelos hospitais públicos, somente jovens com idade entre 17 e 31 anos. Pelo menos 56 pessoas receberam atendimento médico em unidades de saúde das redes públicas (estadual e municipal) e da iniciativa privada. Sete pessoas, segundo informações transmitidas pelas assessorias dos respectivos hospitais, permanecem internadas.

O mais grave é que essa não foi a primeira vez que torcedores se apinharam no local sob o pretexto de acompanhar as partidas de futebol. De acordo com informações colhidas na vizinhança, a baderna era constante, chegando a ponto de obrigar vizinhos a abandonar o conforto do lar, procurando abrigo entre amigos e familiares, para evitar transtornos e aborrecimentos. Os promotores da bagunça privilegiaram o acúmulo inconsequente, enquanto os entes públicos fecharam os olhos. Deu no que deu.