Reta final

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto
Quadro de Walter Góis
Quadro de Walter Góis

Clique nas imagens para ampliar

Publicada em 14/09/2014 às 00:45:00

gilvanmanoel@uol.com.br -  gilvanmanoel@jornaldodiase.com.br

Nos últimos dias o prefeito João Alves Filho, finalmente, resolveu se voltar para a administração da cidade de Aracaju. A sua licença de 45 dias foi pro beleleu diante das inúmeras críticas e ele percebeu que, se não abrir bem o olho, a candidatura da sua mulher à reeleição ao Senado, Maria do Carmo (DEM), corre riscos, inclusive na capital.

Ontem ele programou um "Pró-Mulher" no Conjunto Bugio, uma das áreas da cidade onde a sua administração é também critica. E depois de constatar que Aracaju está, de fato, como uma "Beirute sem bombardeio", decidiu investir em operações para tapar os buracos que tomam conta da cidade, de norte a sul. Passando inclusive pela importante Avenida Beira Mar, onde, ao lado do Parque dos Cajueiros uma cratera já está alcançando a segunda faixa da pista.

João Alves dá demonstrações claras de que se sente incomodado na função de prefeito, não gosta das cobranças da população e retomou campanha publicitária com a divulgação do BRT, sistema de transporte mais rápido e que está em cartaz desde a sua campanha eleitoral em 2012. Nas entrevistas, o prefeito fala como se fosse o governador do Estado, lembrando os seus já três remotos mandatos.
João Alves havia largado o comando da Prefeitura de Aracaju nas mãos de alguns secretários para cuidar da campanha à reeleição da sua mulher, mas acabou recuando, e aparece em eventos pontuais. Ontem mesmo, a previsão é de que ele só iria ao Pró-Mulher no final da tarde, porque estava participando de uma carreata com a mulher.

É João quem discursa nos comícios do interior em nome de Maria e é também ele, juntamente com o ex-governador Albano Franco, pai do candidato a primeiro suplente na chapa, Ricardo Franco (PTB), quem negocia apoios com prefeitos e lideranças do interior.
Na quarta-feira, uma desastrosa intervenção de Ricardo Franco num programa de rádio causou perplexidade pela forma arrogante e despreparada como se comportou. Deixou claro que se George Magalhães ousasse dizer o que disse sobre o seu pai numa das emissoras de sua família seria sumariamente demitido. Talvez até com agressões físicas.

Hoje João Alves continua tentando convencer a população de que Maria tem mesmo condições de saúde para exercer um novo mandato, caso seja eleita, e de que não negociou o seu afastamento - se eleita - em favor do filho de Albano. Maria se apresenta de forma muito debilitada, fala com dificuldade e nas reuniões políticas aparece sempre sentada, como na reunião da terça-feira no comitê de Eduardo Amorim, quando aliados foram cobrar mais disposição para a campanha eleitoral.

Diante da sangria de votos da mulher que vem sendo demonstrada nas seguidas pesquisas realizadas nos últimos dias, João tenta criar uma agenda positiva na prefeitura, mas esbarra nos empecilhos criados por ele mesmo. Até agora não conseguiu iniciar uma única obra em sua gestão. Tudo que entregou foi programado e iniciado na gestão do ex-prefeito Edvaldo Nogueira, a exemplo do condomínio do Lamarão entregue na semana passada. Da mesma forma que o viaduto da Tancredo Neves, o Mercado do Augusto Franco e, nos próximos dias, o Centro Cultural no prédio da antiga Receita Federal.

Na TV, Maria do Carmo tenta mostrar que tem condições de exercer um novo mandato e considera um 'preconceito' de seu principal adversário, o deputado federal Rogério Carvalho (PT), mostrar que os seus dois mandatos como senadora foram inexpressivos e que significaram muito pouco para o Estado de Sergipe. Rogério faz questão de comparar o seu único mandato de deputado federal com os 16 anos de Maria no Senado e exibe números bem vistosos.

Em 2006, quando conquistou o seu segundo mandato, Maria do Carmo começou a campanha numa situação mais confortável do que a atual. Ganhou de José Eduardo Dutra por uma pequena margem de votos, mesmo assim em função de manobras judiciais que impediram a divulgação de pesquisas às vésperas do dia do pleito mostrando um empate técnico.
Este ano Maria demonstra problemas ainda mais graves do que em 2006 e tem como adversário um político bem mais vigoroso do que Dutra e que montou uma base muito sólida na maioria dos municípios sergipanos e começa a conquistar a simpatia dos aracajuanos.
A reta final da campanha promete.

Não foi
Jackson Barreto faltou à sabatina Cinform Convida, evento promovido pelo jornal semanário com os candidatos a governador. A participação do candidato à reeleição seria na última quarta-feira, dia 10, mas outros compromissos o impediram de comparecer. Na véspera, o assessor de comunicação da campanha de Jackson, o jornalista Marcos Cardoso, procurou o editor do Cinform, Jozailto Lima, e comunicou que o candidato não iria. Primeiro tentou falar pelo celular, mas não conseguiu, então enviou uma comunicação por email e via Whatsapp. Na manhã do dia seguinte ao evento, Carlos Cauê, coordenador do marketing da campanha de Jackson, ligou para Jozailto, explicou de novo o porquê da ausência e propôs realizar a sabatina em outra data, mas não obteve resposta.

Sem aviso
Surpreendentemente, soube-se depois que Jozailto não avisou os convidados sobre a ausência de Jackson e realizou o evento assim mesmo. Há uma gravação circulando entre estudantes de Jornalismo da Unit, que teriam participado do bate-papo, em que o jornalista do Cinform demonstra raiva com o acontecido, a ponto de comparar o governador Jackson Barreto a um palhaço. A assessoria do candidato à reeleição disse que não vai polemizar. Apenas informa que Jackson também faltou a outros contatos previamente marcados com veículos da imprensa e não se criou nenhuma celeuma por isso. "Jackson tem uma agenda duas vezes maior do que os demais candidatos, já que ele é o governador do Estado", observa Marcos Cardoso, lembrando que há entrevista agendada com o próprio Cinform no dia 29 deste mês, quando estará à vontade para responder a qualquer questionamento.

Exemplo de saúde?
No discurso que fez na noite de sexta-feira na Praça Fausto Cardoso, o candidato a governador Eduardo Amorim (PSC) disse que a saúde municipal de Aracaju é um exemplo a ser seguido e que o prefeito João Alves Filho está fazendo um trabalho brilhante nessa área. Impossível não questionar: ele quer enganar a quem? A população de Aracaju é testemunha de que a qualidade da saúde pública no município caiu muito após o retorno de João à prefeitura. As UPAs Nestor Piva e Fernando Franco praticamente deixaram de atender e falta medicamento nos postos de saúde. Ô, seu Eduardo, o senhor que é médico deveria contar outra!

Marco da campanha
Há uma sensação entre os candidatos majoritários mais importantes que a campanha eleitoral em Sergipe começou para valer mesmo no dia 3 deste mês, uma quarta-feira, quando a TV Sergipe divulgou a segunda pesquisa eleitoral realizada pelo Ibope. Jackson apareceu bem na frente de Amorim, com 41% a 33%, e Maria à frente de Rogério, 41% a 20%, mas já mostrando que ela caiu e ele cresceu. Aquilo deu ânimo à campanha de Jackson e Rogério, ao mesmo tempo em que causou certo desespero nos adversários. Logo depois, Jackson reuniu 50 prefeitos e pediu empenho para ganhar no primeiro turno e eleger Rogério, enquanto Eduardo reuniu suas lideranças para lavar roupa suja e concluir pelo discurso de que precisa bater mais no adversário. Agora, a pesquisa divulgada pelo Jornal do Dia mostra que a diferença entre Jackson e Amorim praticamente permanece (41,5% a 34,65%) e que Rogério cresceu mais um pouco e está tirando a diferença que o separa de Maria (39,4% a 26,3%). O certo é que os ânimos estão mais exaltados e ainda não dá para saber o que vai acontecer nesses 20 dias que restam até a eleição de 5 de outubro.

Gualberto
A campanha à reeleição do deputado estadual Francisco Gualberto (PT) segue mais uma vez a receita dos últimos anos. Diariamente, dezenas de militantes ligados ao agrupamento PT Classista ficam em sinais de trânsito da capital pedindo votos e distribuindo santinhos e adesivos de campanha. A turma, incluindo o candidato Gualberto, pula cedo da cama e garante que a estratégia de ficar frente a frente com o eleitor é muito proveitosa.

Assembleia
O fato é curioso. Nenhuma das sessões que ocorreram na Assembleia Legislativa desde que o deputado Zé Franco assumiu interinamente a presidência da Casa, dia 5 de agosto, foi conduzida por ele. Aliás, sequer apareceu no plenário para participar dos trabalhos. Zé Franco limita-se a ficar no seu confortável gabinete do 7º andar da Assembleia e receber visitas de autoridades que possam render releases de sua assessoria. A titular da presidência, Angélica Guimarães, pediu licença de 30 dias para tratamento de saúde, já renovada para mais 30.

• Com equipe do JD