A SERINGUEIRA, QUEM DIRIA, CAPITULOU FEIO AO MERCADO

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Publicada em 13/09/2014 às 17:48:00

O que é mercado? Da origem latina mercatu, até esses dias globalizados, o local primitivo onde num canto qualquer das cidades ou aldeias as pessoas se encontravam para comprar, vender e trocar, a palavra que é substantivo, adquiriu conotações tão amplas e variadas que até desafiam as categorias gramaticais.
Qual o significado mesmo que teria hoje a palavra mercado? Todo dia se ouve nos noticiários que o mercado revela esta ou aquela tendência, que o mercado está insatisfeito, que o mercado sinaliza isso ou aquilo, a baixa ou elevação dos juros, o crescimento da economia ou a recessão; que o mercado reage às pesquisas eleitorais, que o mercado aprova ou não aprova ações do governo, que o mercado indica a subida do dólar ou uma fuga de capitais, que o mercado quer a autonomia do Banco Central, que o mercado reprova ou aprova nomes indicados para ministérios, e por aí se estendem, ilimitadamente, as demonstrações de onipresença e onipotência de tudo o que está embutido no substantivo mercado. O mercado vai ainda mais longe: comanda e determina as ações de grandes potencias como os Estados Unidos e a Comunidade Europeia por exemplo. Agora mesmo os embargos que estão sendo anunciados contra a Rússia resultam do interesse do mercado em fazer retornar o clima da guerra fria. A distensão após a queda do Muro de Berlim e o fim da União Soviética afetou os ganhos do complexo industrial financeiro militar. Então, pela vontade do mercado cria-se um confronto artificial que vai ressuscitar a corrida armamentista. Com esse mesmo objetivo se fez o desastre, a hecatombe da Primeira Grande Guerra, que neste ano chega ao centenário. Foi o mercado sequioso de lucros que inventou um conflito, imaginando que a guerra seria breve e redundaria em grandes lucros para as corporações industriais e o sistema financeiro. E aconteceu a carnificina.
O mercado superou os governos, é aquele monstro incontrolável que causou a bolha imobiliária nos Estados Unidos, cuja consequência foi a recessão mundial, da qual ainda estamos a pagar o preço. No auge da crise, quando o governo americano retirava recursos de programas sociais para salvar banqueiros falidos e a pobreza aumentava e as ruas enchiam-se de desempregados sem rumo, surgiu o movimento ¨Occupy Wall-Street¨, uma reação forte da sociedade americana contra a sem-vergonhice do sistema financeiro que submetia, ao seu talante , as decisões do governo americano. Surgiu, do presidente da ainda maior potencia do mundo, a leve, cautelosa insinuação, de que o poderio representado pelos bancos e especuladores não poderia ficar sem submeter-se ao controle social. Começou a ser questionada a tão abençoada autonomia do Banco Central, um tema recorrente hoje entre os mais atualizados pensadores que buscam saídas viáveis para a crise decorrente do neoliberalismo globalizado.
Cornelius Castoriadis, filósofo que morreu em 1997, já advertia para o bloqueio que os dogmas do capitalismo levantam contra os que ousam questioná-los. Um desses dogmas é a autonomia dos bancos centrais, requisito indispensável, juram, para que o sistema financeiro funcione às mil maravilhas, ou seja, garantindo lucros ilimitados para os banqueiros e especuladores.
Escreveu Castoriadis no volume VI da série Figuras do Pensável: ¨Os cantores do neoliberalismo apresentam suas aberrações como evidências de um bom senso no qual a liberdade absoluta dos movimentos do capital vem arruinando setores inteiros da produção de quase todos os países e a economia mundial se transforma em um cassino planetário. ¨
A ex-seringueira Marina revelou-se ao país depois de tanto prantear Chico Mendes, e consolidou sua imagem de mulher pobre alfabetizada aos 14 anos e sobrevivente das febres da malária; com mais um pranto derramado, dessa vez por Eduardo Campos, tornou-se candidata à presidência. Depois disso, logo começa a renegar tudo o que antes afirmava.
Se antes Marina e o grupo Natura tanto se identificavam em nome da ecologia, agora, surge uma nova identificação, dessa vez com o sistema financeiro, no caso representado pelo poderosíssimo Grupo Itaú, o esteio da candidata.
E a ex-seringueira esquece as origens, lança ao lixo suas raízes populares, sua identidade com os povos da selva, e passa a defender a autonomia do Banco Central, ou seja, despreza os interesses de 99,9 % da sociedade brasileira para atrelar-se a uma tese que até a matriz do capitalismo começa a renegar.
Caso o Brasil se curve ao globalizado cassino financeiro e conceda autonomia ao Banco Central a nossa permanência nos BRICS onde não existe um só país com Banco Central autônomo, começaria a ser ameaçada, porque o modelo da parceria entre emergentes não agrada aos que fazem mover as engrenagens da agiotagem global que o neoliberalismo idolatra.
Aonde nos quer levar a seringueira cooptada pelos barões da alta finança?

SERIA SINTOMÁTICO?

O automóvel mais utilizado pelo empresário Walter Franco, pai de Grace, candidata a deputada federal, e de Augusto, candidato a vice-governador, circulava semana passada pela cidade exibindo no vidro traseiro apenas um adesivo da candidata Grace.