A CALMA DA CAMPANHA E A AMEAÇA DE MUITO DINHEIRO

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Publicada em 13/09/2014 às 17:49:00

A campanha eleitoral transcorre calmíssima. Estranha-se até tanta quietude. Dizem uns que essa calmaria é o resultado do desinteresse do povo pelas eleições, e que a marcha lenta pode ser observada em todo o país, não sendo apenas um episódio limitado a Sergipe. A apatia do eleitor se estenderia de Roraima ao Rio Grande do Sul.
Mas há quem faça outro diagnóstico atribuindo toda essa abulia unicamente à escassez do chamado vil metal.
A justiça eleitoral adotou providencias eficazes para coibir a enorme vantagem que tinham os candidatos endinheirados, houve a proibição dos showmícios, e de outras aberrações representadas pelo excesso de marketing que só os bolsos recheados podiam sustentar, tais como outdoors, trios elétricos, balões, e uma imensa parafernália de equipamentos custosos que agravavam o fosso intransponível entre os candidatos ricos, ou testas de ferro de grupos econômicos, e aqueles, muitas vezes repletos de ideias, mas, carentes de recursos.
Apesar disso, a força do dinheiro não diminuiu. A cada dia torna-se mais difícil a sobrevivência do político que não tiver uma vistosa conta bancária, ou quem se disponha a abastecê-la.   Mais eficiente é o Caixa-2, indispensável para os gastos de campanha, a ¨conquista¨ da simpatia dos cabos eleitorais.  Apesar de todas as restrições legais o dinheiro está cada vez mais presente nas eleições, ou na festa da democracia, que, na verdade, se vai transformando no funeral da representatividade.
Restringe-se o espaço para os que têm ideias, projetos, e gostariam de utilizar a via política para colocá-las em prática. Enquanto isso prolifera os aventureiros, os que nem possuem uma noção exata do que vem a ser política, mas se improvisam como ¨políticos ¨ e se tornam instrumentos de tudo, menos dos interesses reais da sociedade. São esses os que acreditam apenas na força do dinheiro para comprar e corromper, e, mesmo demonstrando absoluta inaptidão para a vida publica, vão ocupando posições levando a atividade política ao vilipendio de um simples negócio da compra e venda de votos.
Essa calmaria de uma campanha morna poderia ser benéfica porque significaria a retirada de cena da força corruptora do dinheiro. Se isso realmente viesse a acontecer, sairiam fortalecidos os mandatos, a representatividade e a democracia, porque o eleitor faria a escolha entre os mais capacitados, os que exibissem ideias e biografias revelando compromissos efetivos com o interesse publico.
Mas, já se prenuncia, nessa quinzena derradeira, um tsunami do dinheiro de origem ilícita que apareceria para a montagem de um colossal esquema de corrupção eleitoral.
Os que se acostumaram a ganhar dinheiro fácil através da fraude, do suborno e do calote, e até hoje permanecem impunes, acreditam que poderão repetir a façanha, driblando, como se fossem Pelés da malandragem, a atenta fiscalização da Justiça, do Ministério Público e da Polícia Federal.