Buster Keston

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A PERFORMANCE DE BUSTER KESTON É ÚNICA E INIMITÁVEL
A PERFORMANCE DE BUSTER KESTON É ÚNICA E INIMITÁVEL

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Publicada em 16/09/2014 às 15:04:00

Um dos grandes clichês dos historiadores de cinema, é a insistência em dizer que Buster Keston nunca ria. Isso não é verdade. Ele aparece dando gargalhadas no filme "A Garagem" (1920). Foi uma excessão, claro, porque a marca registrada do ator era mesmo sua expressão séria.

Buster nasceu com o nome Joseph Krank Keaton, em 4 de outubro de 1895. Aos três anos de idade ele já integrava o grupo Os Três Keaton, no teatro burlesco, ou de variedades, que no Brasil seria chamado de teatro de revista, ou, pejorativamente, "teatro rebolado". Ele contracenava com os pais, tendo entre os seus fãs o mágico Houdini. Aliás, foi o emblemático ilusionista quem o apelidou de "Buster" - gíria para desajeitado, trapalhão.

No cinema, apareceu pela primeira vez em 1916, aos 20 anos, ao lado de Roscoe "Fatty" Arbuckle (o Chico Bola), no curta-metragem "The Butcher Boy".
Serviu na infantaria americana durante a Primeira Guerra, em 1919, quando foi mandado para a França. Na volta, sua carreira deslanchou. Fez 47 filmes nos tempos do cinema mudo, muitos dos quais ainda podem ser vistos em cinematecas. Verdadeiras relíquias.

Em 1928, Keaton assinou contrato com a MCM, mesmo tendo sido alertado, por Charles Chaplin e Harold Lloyd, de que a produtora não lhe daria o devido valor. Dito e feito: o notável comediante passou por um período dificílimo: aos 36 anos ficou desempregado, e até sofreu crises psicológicas. Quando se recuperou, só ganhava pequenos papéis como em "Luzes da Ribalta", onde faz um dueto com o palhaço Calvero, interpretado por Chaplin. A genial cena é hoje tida como antológica. "Só nos anos 1980, com a televisão, ele se tornou grande novamente". Foi o que afirmou, na época, sua mulher Eleonor Keaton.

Em 1957, atuou como co-diretor em sua cinebiografia "O Palhaço que Não Ri", com ele próprio e Donald O'Connor. Em 1965 rodou o curta colorido "O Viajante" e, graças à ajuda de seus admiradores Samuel Beckett e Richard Lester, foi escalado para interpretar o personagem que passa o tempo todo à espera de Godot, em "The Lovel Loveable Cheat". Durante a apresentação do filme, no Festival de Veneza, Keaton foi aplaudido de pé, pelo público. Ficou emocionado e fez uma observação amarga ao ouvir os aplausos: "Eles vieram com trinta anos de atraso..."
Joseph Krank Keaton faleceu de câncer no pulmão, no dia 02 de fevereiro de 1966, sete anos depois de receber um Oscar especial (de consolação) por ter feito "filmes que durarão enquanto durar o cinema".             
(Resumo do capítulo 76 do meu livro inédito "101 Ícones do Cinema que Nunca Sairão de Cena")